28 de dezembro de 2008

Os primeiros passos

Após o Natal o ano recomeça. Os primeiros passos após o Nascimento são momentos especiais, imbuídos do afecto familiar do afecto da memória. O melhor do Natal, para mim, é o que vem depois. Enquanto a minha resistência me permitir isolar do abrupto eclipsar desse falso espírito natalício, que vai e vem sem deixar sintomas, eu vivo esta época sem perder entusiasmo. Nunca sobrepus a "festa" de Natal à "bebedeira" em que se tornou a viragem do calendário. Não gosto de ressacas sentimentais. O novo ano é o ano que se inicia através do Natal e até ao Natal vai, em permanente aniversário e celebração. 
Não tenho tido nos últimos anos muitas expectativas nem esperanças no que concerne à "situação" nacional. Sei ver e faço os meus diagnósticos que são consentâneos com milhares de outros. Mas não me parece que o desejo de mudar Portugal esteja na prioridade dos desejos de Ano Novo deste povo!! Foco-me na família. Foco-me no trabalho, onde procuro ser melhor e mais eficiente. Sou exigente. Pedir coisas, desejos, para o "novo ano" não faz parte do meu feitio. É patético e muito mais é patético o tipo de coisas que se pedem à entrada para as badaladas. Quase todos pedem aquilo que não podem, não depende de si, e nem querem dar. Querem receber.
Os primeiros passos são especiais. Podem ser. Se os der-mos com o nosso sacrifício e defrontar-mos os obstáculos ao invés de apenas desejar-mos o "pote de ouro" que nos vai transformar em seres "ricos, VIP e bonitos". Apesar de tanta chuva e nuvem negra não tenho visto arco-íris por aqui....

23 de dezembro de 2008

(Para os correctos)


(Para os que pensam que o mundo foi parido em revolução, mas nunca baixaram os "punhos" para criar; para os que lêem as "crises" que ainda não chegaram, mas não decifram a crise que nos toca; para os que vêm o caminho do "futuro", mas não conseguem discernir o evidente; eu digo): Acredito no amor que enlaça a vida que é luta, propósito, desse amor; acredito na visão do longínquo permanente, do sou – fui; acredito no Messias, Deus menino - menino Deus, força-esperança, auge nos homens, nos Homens... Natal.

22 de dezembro de 2008

Até dá para isto....



Confesso. Custou-me a escrever o anterior texto mas... cada vez mais me desiludo quando assisto ao "sentimento" consumopata que se sobrepõe a todas as outras, primordiais, emoções do Natal. O pai natal* é um sucesso porque as sociedades sôfregas – de indivíduos isolados, carentes, sem referências comunais, morais ou espirituais – apelam ao consumo [infra-forma de sentir uma gratificação afectiva, uma pseudo auto-estima preenchida por um mero "valor" material]. O pai natal dá para tudo. Quem paga é o Natal, remetido à sombra, ao longe, quando devia ser luz para quem o quisesse ver! 

*... dá para tudo até para dar "pop"-up's.........

19 de dezembro de 2008

O plutocrata de merda


O Natal que se vê não é o Natal. É um outro natal que nos querem oferecer à força. Vá lá, este natal ainda se ouve falar mal do materialismo, do excesso de prendas, do capitalismo, mas tudo a reboque da crise. Fossem outros os motivos. O "Pai Natal", esse, está em grande. Esse grande porco, luxurio e seboso, pró-pedófilo, que quer substituir-se nos valores desta quadra paira por todo o lado. Todos enfiam o barrete, desse ícone da Coca-cola! Faz parte da imaginação das crianças!! Dizem. Qual criança? A ociosa que há em nós? Depois a culpa é do comércio! É? No Porto desfilaram 12000 "pais natais" para o Guinness! Quais são os valores que este personagem-fetiche porta? Qual o alcance psicológico que provoca nos mais novos, sabendo-se que a educação começa, logo aí, na tenra idade? Eu sei. Tudo pelo inverso do Natal de inspiração católica. Não somos uma República laica (qual cadela)? Os valores do altruísmo, da inspiração familiar, do ascético e místico, do desprendimento, foram substituídos pelos embrulhos e pela felicidade fugaz e empacotada. Querem celebrar o "pai natal"? Celebrem, mas escolham outro dia, lá para Agosto, pode ser que ele apareça mais magro, com uns liftings e a barba feita. Plutocrata de merda...

17 de dezembro de 2008

"Você pode ter tudo aquilo que deseja" - ou – "O Segredo", o livro ideal para culmatar o povo português



É um fenómeno nesta república fenomenal! Este livrito vende-se por cá ao desbarato. Até parece mentira, logo neste país onde prolifera a mentalidade de "esquerda", onde todos – de alto a baixo – nos dizem que quedamos para iguais. Este livrito de auto-ajuda vai ser "o VIP dentro de cada um de vós". A República agradece aos autores nesta hora de ajuste-de-contas eminente. Atenção! A procura poderá geral inflação mental. Vamos ser todos o que quisermos. O segredo? Deixou de o ser. Está à mão de ler e assobiar! O povo vai deixar de ser povo. O povoado será feito de elites com o "segredo" na mão esquerda e um "Magalhães" ou telemóvel 3G na outra. Pena que tanta realização pessoal só possa trazer mais inveja social, mais disparidades sociais.... porque sobram os pobres e os analfabetos que não poderão comprar ou ler... ... Ao invés, porque não ler-mos os verdadeiros segredos e os valores que, desde sempre, a vida nos apraz e nos oferta para que possamos erguer a nossa "construção"?

12 de dezembro de 2008

Básica...


"Há uma regra básica de todos os Presidentes da República: nunca interferir na organização do funcionamento da Assembleia da República e das assembleias legislativas regionais". Estas e outras palavras ajudam os cidadãos de Portugal a perceber o género de interesses que envolvem a República e, igualmente, esclarecer as atitudes oscilatórias dos políticos que têm funcionado no Palácio de Belém. Digamos que esta regra tem o nome preciso do regime que a pratica...

Declaração dos Direitos...

 
Comemorou-se por estes dias o aniversário da "declaração" Universal dos Direitos do Homem. De facto "Direito" é das palavras mais em voga – "Olhe que eu tenho direito!....", quase tanto como outra em voga – ... foi para isto que se fez o 25 de Abril?...; Mas eu não me associo a essa comemoração. Não, enquanto o Direito, em voga, não for consentâneo com os Deveres. Dever não é de facto uma palavra em voga é mais um acto contabilístico.... Quando for escrita a "Declaração Universal dos Deveres do Homem" voltamos a falar....

7 de dezembro de 2008

Quem fomos...


Ir a votos. A nossa Razão foi a votos desde 1910. Não bastava a democracia parlamentar; o raciocínio social. O desígnio que se abateu sobre este país ficou traçado logo às primeiras linhas vesgas de um projecto sem arquétipo, nem futuro. Fomos "arrendando" a nossa pátria na falsa ideia de podermos obter benefícios com este ignóbil aluguer. A quem interessa a República? Como podemos – hoje, mais do que nunca – acreditar que o vértice da "verdade social" está no mero acto da hipotética "candidatura" a representar uma nação? Como podemos acreditar no lirismo da igualdade entre os homens quando os seus mentores carrega(ra)m na língua a pá com que abriram as valas incomuns dos seus opositores? Como podemos aceitar a divisão parental a que fomos sujeitos, hoje orfãos da nossa história, descontinuados nos nossos afectos comuns? A quem interessa esta República? Aos que comicham no estômago a dor da sua insatisfação. Aos que dizem "repartir" sem partilhar que não pelos "seus"! Aos idealistas de vida falhada com medo de olhar por si mas prontos a guiar os outros. Aos vigias; não vá ressurgir um sentimento de união popular que não esteja de foices na mão, não vá um dia começarmos a lembrar-nos quem somos....



Na foto: centenas de milhares de pessoas acompanharam as exéquias e o funeral da Rainha D. Amélia em 1951.

28 de novembro de 2008

26 de novembro de 2008

Não basta entregar a "declaração de interesses" no Tribunal Constitucional é necessário entregar a declaração de "desinteresses" no tribunal popular

Podem ser patrocinadores honestos, honestos de antes-de-ontem, desonestos, o que é necessário é o povo saber, durante as campanhas, quem ajuda financeiramente a "eleger" os presidentes da República para assim se perceber a composição da "carta" do sr. presidente. Não é uma causa de presidência. Está em causa a essência do Regime.

25 de novembro de 2008

Não há estômago que aguente...

Comprar um jornal é absorver o oportunismo, o ressabiamento, o facciosismo. Basta ler os títulos. Que "rigor"! A "notícia" que devia possuir "isenção" transformou-se em crónica parcial a cheirar a pagamento à vista. É tempo de se procurar as "novas" na literatura. A tinta que corre nos jornais já provoca esgares.

Poesia sem hipocrisia


Que mão é essa, que enfreando os mares
De mar circunda a agigantada terra?
Quem é que accende luminosos globos?
Rutilos astros?

Tu, que ao homem, a quem déste o genio,
Verteste a essencia do Teu Ser mais puro,
Perdôa ao vate que tentou sagrar-Te
Canticos d'alma

Atheus descrentes, que dizeis acaso
As maravilhas que a Razão deslumbram...
Vêde este quadro! Não sentis no peito
Jubilos santos?

Negai, agora, se podeis ainda,
A Omnipotencia da grandeza etherea...
Que existe um DEUS – hão de attestal-o eternos
Lucidos mundos!



António Pinheiro Caldas
"Gloria a Deus"; Maio de 1864. Poesias (2ª edição)

24 de novembro de 2008

...corre-lhes nas veias


A "Democracia" corre-lhes nas veias! Não há um político, um só, que não seja apologista da "via democrática". Palavra tão linda e tão vã, tão à mercê da blasfémia. Se são eles – os políticos – que articulam a democracia e se a Democracia não funciona então o mal está neles... ou na Democracia. Há que limpar ou jorrar as veias destes homens e deste regime, porque a continuar como parece que vai continuar vamos ser só nós a verter para a cabidela.

23 de novembro de 2008

esquerda-direita, ....er



Fala-se na crise dos partidos à direita. Quais? Fala-se na crise da ideologia dos partidos à direita. O Liberalismo? A maior parte das peças jornaleiras que leio são abjectas, faciosas e provocadoras para o juízo imparcial. Toda a colagem retrospectiva, ideacional, com a "direita" tem o travo da evocação Salazarista, os anos perdidos, o conservadorismo (existe algo mais conservador que o comunismo?), o fascismo. Já cansa o argumento mas o facto é que a "esquerda" insiste e vive da enxaqueca da "direita" que nunca o foi. Se há constatação plausível é um pleno de omissão ideológica em todos os partidos em prol das diversas demagogias. A maior evidência está nos partidos que não se dizem extremistas, PS, PSD, CDS, mas mesmo nos outros a "ideologia", da cartilha ao líder, é uma vulgar isca panada. Política com partidos, mal paridos, como os que temos não fazem falta. A verdade é que "eles" são todos iguais! Eles, os partidos...Urge uma militância cívica que saiba ler e perceber os valores que nos tolheram e que precisamos erguer e construir. Um povo que não se deixe iludir pelo ilusionismo do "marketing político", que tenha a liberdade para optar sem medo de perder o emprego ou o "tacho". Se a direita que gostavam de fazer renascer for como esta direita-esquerda então ela bem pode ir a enterrar porque basta a existente esquerda-direita. Aliás o Socialismo é hoje uma gorda hermafrodita que toma a aparência que quer.

22 de novembro de 2008

Voltar a ler

Tempo de promessas


Vivemos um tempo de promessas. Em qualquer recanto o político-profeta, sem escrúpulos, que navega ao sabor das contingências, promete o futuro dos outros em prol do seu próprio, da sua seita, do seu grupo. Ao prometer-se o futuro esmagou-se o presente, comprometeu-se um futuro, calou-se o passado. Criou-se o crime de opinião, do pensamento autónomo-criativo. Pior, criou-se a vontade de não lutar! Para quê? A felicidade que nos prometem, em bandeja, já traz a liberdade, a igualdade material e a fraternidade.

Pormenores....


Num seu recente artigo o cronista Vasco Pulido Valente tece uma fórmula para resumir a razão da "gafe" da sra. Manuela Ferreira Leite  a propósito de um "período de 6 meses de ditadura" (vi as declarações da presidente do PSD e não fiquei com outra dilação para lá da ironia). Para Vasco Pulido Valente o artifício proposto por Manuela Ferreira leite é uma "ideia" velha que "vem da velha Monarquia Constitucional". Porque não foi o, naturalmente irónico, Vasco Pulido Valente mais longe? Ou mais perto? Porque não conotar a "ideia" com a República, esta, ou a Romana, podre de velha?

16 de novembro de 2008

Tudo a eito


Um dos graves sentimentos que os regimes socialistas/comunistas têm passado, ao longo dos anos, é a noção da diluição das "diferenças" entre cidadãos, confinadas no âmbito das "lutas de classes". Se não for por magia será por força decretada. Todos devemos ser iguais! Esta linha de pensamento básico não faria mal ao mundo não fosse ela ser o anáthema dos ditos regimes que a praticaram. Uma outra visão, mais precisa, e que eu intransigentemente defendo, é estarmos em igualdade ante a lei – a que devemos estar todos linearmente sujeitos. Esta visão objectiva do homem perante uma lei comum, para todos, é a forma mais interessante de se perceber o que move alguns homens a desejarem a "natureza comum" para todos, quiçá, inspirados na origem comum que advém dos progenitores "Adão e Eva"! Curiosamente, esse desejo de acabar com as diferenças de origem, esbarram sempre nas diferenças do homem! Ideia incongruente quando os mesmos que querem abolir as diferenças sociais procuram, ao mesmo tempo, distinguir e particularizar as minorias pelo direito às suas diferenças. Sendo que aqui as diferenças já se tornam um direito. É pois por aí que eu não consigo imaginar uma sociedade homogénea, indistinguível. Uma sociedade onde todos de fraque, ou fato-macaco e com o mesmo chip mental pudéssemos vir a ter algo de distinto a partilhar. 

O problema a que temos assistido sobre a reforma da Educação, em particular a oposição dos professores às mudanças do sistema de avaliação, não é mais do que uma reacção ao fenómeno de tentativa de regularização do ensino, rumo aos novos valores das esquerdas modernas. Impor regras gerais para todos e esquecer que uma sala de aulas é um espaço de pessoas com diferentes realidades é um erro ignóbil cuja principal vítima será o aluno, futuro cidadão. A "natureza comum" – a "ideia-comum" –, que pretendem que venhamos a ter, não pode ser feita à custa de passagens administrativas e imposições de presença nas salas de aula. Os professores estão agora a sentir o peso da lei que, para além de decretar o ensino para todos, lhes impõem rácios e metas, políticas, mesmo que estas sejam o adverso do que devia ser o objectivo do consagrado ensino: formar, educar, construir, partilhar, criar o sentimento do mérito e o valor da responsabilidade. A Escola substituir-se aos alunos e dizer – menino, agora vais até a faculdade! é algo que repugna a ideia de personalidade e de "liberdade", apregoada.

Portugal continua a progredir, dizem, é da nossa natureza. Enquanto o "mérito" não vingar e a sociedade não se erguer dos complexos, os "partidos", as "cunhas" e os "doutores" farão o resto. Do resto que nos resta...

14 de novembro de 2008

Uma vaga


Novembro começou com uma "vaga" de protestos. Dos sindicatos, dos professores, agora dos alunos. Virão os pais. os pais dos pais, os avós. Todos contestam o mesmo? Todos se exprimem da mesma maneira? Uns atiram ovos, outros preferem cartazes. Alguns, palavras. Uns preferem entrar na escola e dar porrada. Outros chamam palavrões e colocam on-line. Não se pode falar de falta de oportunidades para o povo se possa exprimir e dar vazão a uma vaga. Por estes dias, por vias da Educação, o português mostra a cada passo a forma como gosta de se exprimir, digamos, o que de melhor apreendeu nesta lição dos últimos 34 anos de formação.....

11 de novembro de 2008

A Arte a votos

O problema é concerteza meu mas não consigo perceber a utilidade de se elegerem as "sete maravilhas" do que quer que seja. Em Portugal a moda é recorrente. O Ministério da Cultura "apoia" formalmente a eleição da nossa história da diáspora. Os "portugueses" vão poder "eleger" via mail ou SMS os nossos sete melhores monumentos espalhados pelo mundo. Graças a Deus não nos ficamos por obras posteriores ao 25 de Abril de 74. Ia ser renhido tão parca a produção. Contudo "promover" a história deste modo pode ser a negação da própria História pois a visão isolada e desintegrada de um qualquer objecto artístico, somente pela sua forma material, leva a uma subjectividade incipiente, superficial. Vão dizer que tudo não passa de um concurso, mal grado a ignomínia de se nivelar o artefacto artístico pela quantidade do voto popular (disponível a alinhar nesta brincadeira). Pois. O que o país precisa é de concursos. Vêm aí mais dois. Para se elegerem os melhores das autarquias e os melhores para o país....

10 de novembro de 2008

Estamos cheios deles


Segundo nos é dado a ver, a todos, a República Portuguesa deve ter a maior percentagem de "antifascistas" e "resistentes antifascistas" do mundo. Nos media exaltam as biografias, de 3 linhas, destes personagens que nunca dão o salto para o próximo parágrafo, de um qualquer outro tema e para quem a "história de Portugal" se resume a 3 décadas e tal. Presumo que até deva existir uma "associação" com quotas mas sem partilhas de consciência. São personagens-piolhos que se atiram à cabeça e ao âmago em busca de fotos de grupo e inscrições nos manuais oficiais do regime. É caso para dizer: estamos cheios deles!

7 de novembro de 2008

A guilhotina

Com Obama ou sem Obama, os profetas da virtude exaltam o ar da "democracia" que parece, dizem, emanar por estes ventos da liberdade e igualdade social a que chegamos. Com "Obamas" ou sem "Obamas", os profetas indicam-nos o caminho da -pública, a grande casa branco-suja da nossa admiração. Pena sermos todos iguais mas nos quedarmos a viver numa fila, imensa fila, lentamente, cujo fim à vista é o estrado da guilhotina – essa da "liberdade, igualdade, fraternidade" – que nos espera com o nosso voto preenchido na mão, pronta para nos "libertar" das injustiças do mundo. 

Quem escreve assim tem de ser lido.

Nos EUA, como em Portugal, a presidência está cativa desde o primeiro dia. O presidente é um homem de facção, de partido, amigo de muitos lóbis e inimigo de muitos outros lóbis. Ignorá-lo é, permita-se-me a rudeza, um clamoroso atestado de ignorância política. O verdadeiro sino da Liberdade, aquele que soa em defesa do bem-comum, aquele que concita a unidade em momentos de perigo e que conclama à grandeza dos vencedores face aos vencidos, que perdoa e aplica a justiça, que não olha à riqueza e à pobreza, que representa o passado, o presente o futuro, não se funda em ideologia alguma e não é contra nada nem ninguém, mas por todos, é a monarquia. Sabemos quanto perdemos como comunidade de destino ao vermos partir o Rei, substituído por homens de mil e um artifícios, oprimidos por constrangimentos, incapazes de discernirem o interesse colectivo. Enquanto não compreendermos a tragédia da república, seremos sempre escravos e mandaretes de lóbis.


5 de novembro de 2008

Obamarada


Estou um pouco aliviado por toda esta roda-viva em torno das eleições americanas ter chegado ao fim. Como já li, em vários sítios, ganhou um afro-americano, negro, que por causa disso, vai fazer toda a diferença. Também já li, que foram as vastas minorias, entre as quais a "gay", que fizeram a diferença – no voto. Li sobre isto em sítios Portugueses, altamente bem informados e bem escalonados por insuspeitos cronistas, bem pensantes. Espero que lá para sexta, desta ou da outra semana, já possa ler mais qualquer coisa objectiva ou séria na nossa imprensa. Por cá, para além desta Obamarada externa, continua quase tudo na mesma. Porque por cá não mudam os homens. Mudam as crises. As más parece que estão a ser benvindas, pois umas tapam as outras! É como o fogo. Às vezes combate-se as chamas com uma chama maior. Mas não é de bombeiros que os nossos governantes precisam. O que os nossos governantes querem é "Obamas" para anestesiar os buracos mentais que eles provocam nos nossos encéfalos.

31 de outubro de 2008

O que é importante não se "compra"

Obrigado, querida Joaninha, pelos teus beijos que vivificam e se sobrepõem a qualquer crise.
 

30 de outubro de 2008

Uma carta por uma ideia por sermos "todos" iguais



Exm Sr. Ministro Teixeira dos Santos

Apraz-me dirigir-me a Vª. Exª. pois influenciado pela sua brilhante reconfirmação, como hoje se diz, de esquerda, de as empresas (e os empresários) serem obrigadas a entregar, legitimamente, o imposto, vulgo, IVA a seu tempo e boas horas, sem apelo nem agravo [mesmo que não tenham conseguido receber o dito IVA que tinham de entregar (parece confuso mas não é...)]. Escrevo-lhe, assim emocionado, para lhe enviar uma ideia – esperando estar a contribuir para que esta minha pequena contribuição, que vem na senda dos seus doutos propósitos e esforços, seja uma ajuda para a nossa república, os nossos cidadãos e os contribuintes em particular: Porque não, sr. Ministro, todos os trabalhadores dependentes serem obrigados, também, a entregar antecipadamente o IRS mesmo antes de receber o seu ordenado? Isso! Mesmo aqueles, claro, que têm os ordenados em atraso!

Cordialmente,
Com a devida vénia

João Amorim

Na prática nada de novo apenas a confirmação de um governo desesperado


Na prática é e era assim. mas a confirmação desta notícia vem de forma explicita lançar o epíteto: O Estado quer dinheiro nem que seja à custa de vitimas de calotes. No fundo esta lei beneficia quem age mal, prevarica, encomenda e não paga.

A ler:
Estado exige IVA mesmo que transacções não sejam pagas
Jornal Público, 30.10.2008, Vítor Costa
Orçamento do Estado para 2009 prevê que a não entrega de IVA por uma empresa seja punida, mesmo que cliente não lhe tenha pago

"O Governo quer que as empresas que não entreguem o IVA ao Estado dentro do prazo legal sejam punidas, independentemente de ainda não terem recebido dos seus clientes. A intenção do Governo vem expressa na proposta de Orçamento do Estado (OE) para 2009 e surge com o objectivo de contrariar recentes decisões dos tribunais que, face à legislação em vigor, entendiam que o fisco não podia "multar" os contribuintes que se recusavam a entregar o IVA por não terem recebido dos seus clientes.
Na prática, uma empresa, quando vende um bem ou presta um serviço, exige ao seu cliente um determinado valor acrescido do IVA. E é esse valor de imposto que a empresa tem de entregar ao Estado a partir do momento em que a venda é feita. Acontece que, muitas vezes, essa venda ou essa prestação de serviços só é paga vários meses depois, ou pode mesmo não ser paga. Mas independentemente disso, a administração fiscal tem vindo a "multar" as empresas que não entregam o imposto."

Sabendo o Estado, o governo, o sr. presidente desta república, todos os cidadãos, que a factura é o modo/forma de processamento e confirmação do negócio e que no caso dos pagamentos de serviços, matérias-primas e afins vigora a génese do limite de pagamento a 3o dias, e também sabendo toda a gente que cada vez mais os 30 dias se transformam em muitos meses ou anos, este brinde que o governo dá ao país requere alguma reflexão.................
Ou a lei se vai adequar à realidade ou então a "realidade" vai ter de se adequar à "lei" e os pagamentos vão ter que passar a ser todos a pronto pagamento. Está o Estado interessado? Nem pensar. O que o governo pretende por qualquer meio é comprometer as empresas, e os gestores, e que os "fornecedores" sustentem os gastos do Estado, até na lógica da captação de impostos.
Esta lei é uma boa imagem do processamento mental e ideológico que vigora neste país....

29 de outubro de 2008

Querubins, querubins


Somos um país mágico, habitado por querubins, serafins, afins e outros anjolas. Envolvem o nosso ego. Preparam o nosso salmo. Guardam o nosso espírito. Acompanham os nossos percursos para não estarmos sós. Vivemos adornados pela flechas, pela música, pelos rufar dos novos anjos deste Éden Português que nos guiam com subtileza e descrição evitando que caiamos no pecado de ir contra os mandamentos supremos deste regime. Já os vejo pela internet a vigiar todos os e-mail, todos os blogges que pensávamos pertencerem ao nosso pensamento e domínio. Não tenhais medo, eles dizem fazer bem. Apesar de alguns terem asas de abutre, serem canhotos de língua e hipócritas no sermão.

28 de outubro de 2008

os "Apontadores"


Todos as sociedades os têm. Todas as épocas foram pródigas para o seu aparecimento. Em Portugal florescem como a murta nas montanhas. Em Portugal todos querem "apontar". Todos acham que têm a virtude, a sabedoria, o sétimo sentido da razão, a supra-opinião, todos são lentes na arte de apontar o mal que nos tolhe. Mas uns mais do que outros: quem é de esquerda aponta, quem está à direita olha para onde a esquerda está a apontar! Porque eles são a "razão"! Não é só sobre esta crise financeira! É sobre tudo. O sr. Manuel Alegre, por exemplo, para além de poeta, é um apontador, ele bem nos tinha apontado; o sr. Vital Moreira, é outro dos apontadores-mores. Graças a Deus. Obrigado esquerda. Da suprema orientação. 

25 de outubro de 2008

Inevitável


Tudo serve para fazer política. Tudo serve para avisar o povo! Que bem enquadradas e desinteressadas estão as expressões "(...) o Deus das religiões monoteístas", "activista político", "desforras dos oprimidos", "viva Cuba", "um exemplo".... o que dirá este sociólogo daqui a uns anitos do Cristiano Ronaldo?

intermezzo







24 de outubro de 2008

Há tanto pouco tempo


Zanga-te assim. Para que os meus sonhos, eu possa rever. Outra vez. A minha zanga. Zanga por zanga. Nervos por nervos. Calor por calor. Batida por batida. Respirar. Respira. Cai. Fala baixinho. Deixa-te estar deitada. Como há pouco tempo. Meu amor. Há tanto pouco tempo.


In-éditos, 1996

"Prémio Dardos"


Fui "atingido" por um "Dardo" enviado pelo meu amigo Luís Bonifácio e o seu blogge Nova Floresta, concerteza mais pela antiga e fiel amizade que nos une do que pela qualidade da prosa que tento exprimir neste "paraíso" difícil de atingir. Já que o prémio assim motiva, aproveito a oportunidade para agradecer ao Luís Bonifácio e declarar com o coração cheio que fazem falta muitos "Bonifácios", pela sua integridade moral e intelectual, inteligência e visão de futuro.

Como faz parte das regras vou enviar 15 "dardos". O meu critério é o teor/personalidade dos blogges enquanto objecto ideacional, matéria e estética



Informações sobre o Prémio Dardos:
“Com o Prémio Dardos se reconhecem os valores que cada blogueiro(a) emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras.

Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiro(a)s, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web.

Quem recebe o “Prémio Dardos” e o aceita, deve seguir algumas regras:

1. - Exibir a distinta imagem;
2. - Linkar o blog pelo qual recebeu o prémio;
3. - Escolher quinze (15) outros blogues a quem entregar o Prémio Dardos.”

23 de outubro de 2008

Super políticos

– Ouve minha linda.... quem é o super desta terra?
– É o Sócrates, meu forte... herói!
– Quem é esse?
– É um super-herói português, mas ao invés de si, tem um P e um S ao peito, fica mais composto,..... e faz parte da liga dos super-heróis, todos com "PS", ao peito, conseguiram partir isto tudo em tempo "record" e não há Kryptonite que lhes chegue.... até têm um símbolo que é uma "mãozinha" a dar porrada de cima para baixo... 


22 de outubro de 2008

Porque razão ainda não sou comunista


Num artigo do jornal "Público", on-line, pode ler-se um título muito sugestivo, tão sugestivo que me levou a lê-lo: "Oscar Niemeyer explica porque razão ainda é comunista". Muito bem. Depois de ler o pequeno artigo, e de não ter percebido muito bem se ser "comunista" influenciou ou não o seu génio (e o dos "artístas" em geral), estou em pulgas para escrever o meu artigo: "João Amorim explica porque razão ainda não é comunista".

– Porque nasci e cresci educado por valores que induziram a minha individualidade; porque acredito na individualidade e independência, formal e material; porque não receio construir e evoluir ante os meus limites; porque a afectividade é parte maior na relação entre indivíduos, no amor, face-a-face, só, no outro-livre; porque o desejo de estar, ser, em harmonia com o meio é uma relação dual; porque sou fruto de uma cultura de experiências, digo, de uma cultura socio-moral; porque acredito na harmonia do parentesco e no relacionamento enquanto partilha; porque enquanto indivíduo sonho em alcançar o mundo-meu-território, advir da minha liberdade.

– Porque não sou produto de uma prole indiferenciada, porque não aceito o pensamento estranho como meu, porque reclamo o meu nome e as minhas diferenças, porque não sou indiferente, porque não sou indissociável do meio uno-parte dos meus afectos, porque não desejo convergir numa "massa" mental de pensamento/comportamento único, básico, in-evolutivo, porque não aceito que me apontem uma doutrina opressiva como lógica da "liberdade", porque não tenho complexos de ser quem sou e não gosto que me digam o que fazer, quem amar, o que comprar, qual a posição social que tenho de ter e, por fim,  para não dizer muito mais, não sou ressabiado.


21 de outubro de 2008

Coragem e Dever

5 de Outubro de 1910. Cruzador Adamastor. Porto de Lisboa. Revoltosos entram a bordo do navio provocando um motim para se apoderarem de munições e apontar canhões para o Terreiro. O tenente Mendes Cabeçadas aponta uma arma à cabeça do capitão-mar-e-guerra Augusto Carlos Saldanha e diz: Dá-me a chave do paiol. Uma resposta: Só dou a chave a quem me confiou. E atirou-a ao mar! Os revoltosos demoraram 4 horas a rebentar com a porta-cofre. Foi o seu acto de coragem que influenciou a decisão de o manterem vivo. O resto, tortura, prisão por vários anos e não progressão na carreira. 14 de Maio, de 1915, quartel de Alcântara, Lisboa. "Repúblicanos", "civis" e militares saqueiam e assaltam pela cidade de Lisboa à procura de comida, no que se viria a transformar num "movimento revolucionário" que custa centenas de mortos. Estando nesse dia de serviço, no Batalhão Naval, Augusto Carlos Saldanha opôem-se à desordeira ocupação do quartel por simpatizantes monárquicos que o conheciam e que queriam tirar partido do facto. Foi alvejado com 6 tiros. Sobreviveu. Por mérito, foi Grande-Oficial da Ordem de Aviz e da Ordem de Torre e Espada e membro do Conselho das Ordens. O seu nome não consta no Museu da República.

Dilação


Decorreram eleições para o Governo Regional da Madeira, ganhou o PSD. Decorreram as eleições para o Governo Regional dos Açores, ganhou o PS. Nos Açores dos 192.000 recenseados, votaram 90.000. Os restantes não votaram, estavam fora, não quiseram saber. Não tiveram interesse ou não tinham interesses. Votaram os que queriam garantir a continuação da coisa. A maioria dependente. É assim que se faz política. Garantindo a continuação das coisas, ali, nos Açores, na Madeira. Para o ano será cá. Quem está instalado vai querer manter mais uma "vitória", a sua, a deles, não vá a vida mudar e perderem-se as garantias das filiações ou dos compadrios, a grupo ou amiúde, do grande tacho ao pequeno emprego. Vai-se gesticular o medo. As diferenças. Com as crises vem o medo. O medo de perder. Ganhará o partido que garantir mais estado, mais subsídio-dependência – e tudo "embrulhado" na hipócrita profissão do áureo  futuro! E dizem que o "25 de Abril" trouxe independência? Dentro de quem?

20 de outubro de 2008

Umas estrofes




Eu já fui a Princesa dos Amores,
Já vivi em palácios encantados.
Vim ao mundo entre risos e entre flores,
Afagada entre rendas e brocados.

Já fui astro de rútilos fulgores.
Já brilhei em céus puros, constelados.
Já dei luz, energias e calores
Pr'a vencer amarguras e cuidados.

Já fui cofre de santas afeições,
E já por mim estrofes e canções
na batalha da Vida ouvi cantar!

Já dei Fé, já dei Vida, Luz, Esperança...
Já fui nas tempestades a Bonança,
Já fui mais... já fui Deusa num altar!

(...)


De Metamorfoses,
Maria Amélia Camossa Saldanha
Muradal, 1935


18 de outubro de 2008

Os políticos e os cidadãos mete-nojo-só-para-os-outros-mas-sem-culpa-alguma


Apenas isto. Já se torna insuportável ler e ouvir os comentários dos políticos face à "crise internacional". Já se torna insuportável ler a maioria dos comentários dos anónimos e vigorosos comentaristas a toda e qualquer notícia escrita. Já se sabe. Muito diagnóstico. Quanto a soluções e roturas nada. É preferivel continuar a "patinar" no ringue. E o pior, quanto a culpas, nenhumas. Dos políticos nem uma frase a assumir o próprio desempenho. Dos comentaristas, profissionais ou ressabiados, nem uma frase a assumir o próprio desempenho. A "culpa" é dos outros. Do PS para o PSD, do PSD para o PS. Não. A culpa não é minha se me endividei! A culpa é do "liberalismo" que me mandou endividar! A culpa não é do "cidadão" que intencionalmente comete um crime. A culpa é do "socialismo" que governa "à direita"! Não. A culpa não é do cidadão que não consegue emprego ou "aquele" emprego! A culpa é dos ricos e dos empresários, esses porcos, a abater, que não criam emprego para os trabalhadores poderem laborar e poderem exprimir o direito à greve, sem arriscar os cabedais próprios! Mas a  culpa, essa, na verdade, é nossa. Porque permitimos que os governos naveguem à vista, sem critérios que não a subsistência dos interesses partidários. Porque vivemos demasiado uma outra vida que não a nossa, dos nossos limites e afectos. Porque nos perdemos no discurso fácil da propaganda, porque é mais fácil ouvir do que ler, receber do que procurar. Porque aceitamos que nos apaguem o passado em prol da demagogia de "classes" e do modernismo, esse estado nunca alcançado. Porque não fazemos contas. Nem em casa nem à boca das urnas. E no fim, somos todos vitimas. Infelizmente somos, só que uns passivos outros activos. E curiosamente as vitimas activas são a grande maioria. São muitos dos que agora metem-nojo-sem-culpa-alguma. Eu assumo e reservo as minhas culpas pessoais e no campo da cidadania não posso acreditar neste regime nem nesta fornada de políticos patê. Porque acredito na Democracia, de facto, não no teatro demagógico assente no processo meramente eleitoral. Porque acredito em Portugal, como um todo histórico de memória. Porque quero um país que saiba viver e salvaguardar os "valores que não mudam" e assim conseguir construir uma sociedade que saiba evoluir e desenvolver novos valores.

16 de outubro de 2008

Défice?

Qual défice? Do mercado? Da economia? E os outros défices? Não haverá ninguém responsável, ou que tenha tido responsabilidades, nestes governos, de há 34 anos para cá que assuma a falência em que nos encontramos? Porque se escondem os gestores políticos desta Bolsa trespassada em que se encontra Portugal? E o défice da cultura, da identidade, o défice da educação, da esperança, dos valores, o défice social, da legítima credibilidade e expectativa perante a lei? As questões da economia afluem quando procuramos e assumimos o detalhe! E quanto ao défice imaterial, estamos avisados do preço que isso nos vai custar?


Casar nestes ventos

C'azar nestes ventos

– Deixa-me, mulher, que eu sou casado!
– Mas Toní, eu preciso de um homem para procriar....
– Ai, mulher.... que se o meu Joaquim nos vê, ele é tão ciumento.... agora deu-te para isto!
– Mas Toní, e tu julgas que a minha... hum... mulh....cônjuge.... Maria é pêra-dôce, julgas....?

Hipocrisia


Em momentos de "crise" espera-se ponderação e responsabilidade. Um país não é um "clube"! Um grupo de amigos! Mas, ao invés, este governo trata o regime e dos que a ele se alapam com uma lógica diferente da contenção que o momento exige.

Com exemplos destes, poderão os cidadãos perceber o esforço que se lhes pede?  Poderão os cidadãos aceitar o "benefício" desta causa?

Presidência:
O Orçamento do Estado para 2009 prevê que a Presidência da República, liderada por Cavaco Silva, receba 20 milhões de euros, mais 1,6 milhões de euros do que em 2008

Parlamento:
O Parlamento vai receber 170 milhões de euros, mais 72,6 milhões do que em 2008. O aumento é justificado pelo financiamento de três eleições e pelas subvenções aos partidos em 2009

14 de outubro de 2008

4 dias de festa merecida que podiam ser 100


Vai abrir em Portugal, precisamente em Matosinhos, o maior shopping da Ikea. Serão 4 dias de festa, de folia, onde o ponto alto será a actuação da Mariza com Rui Veloso. Dois mil convidados, em festa privada! Depois, concursos. Alegria. Satisfação. Qual a motivação e o propósito? A propósito de um Shopping. O maior da Ikea na Europa. Mais emprego. Ou mais futuro desemprego? Não vamos por aí! O que interessa é que o povo terá mais uma "casa", mais um "lugar". Mais um refúgio? Mais um espaço de partilha numa nova passerelle de luminosas vitrinas – que iluminam e guiam com doce luz –, mais um espaço para encher a consciência e os sentidos, tão de acordo com o presente Estado, destes tempos bons para o Homem! O povo português sente-se bem num shopping! Porque num shopping é-se e tem-se tudo. Tudo. O que não se tem.

13 de outubro de 2008

Mas, se há "cunhas", e o povo até gosta, para empregos porque não "cunhas" para casas?

... e se os outros presidentes fizeram o mesmo nesta coisa corriqueira instalada, e um deles até chegou a sr. presidente da república portuguesa, porque não haverá o sr. Costa de dar também umas casitas? Se pegarem com o sr. Costa e com esta normalidade terão de pegar com os outros, anteriores, presidentes, com o dito que chegou a presidente da república, e com outras ditas coisas deste regime de coisas. 
Quanto ao valor das "rendas". Isso é outra coisa! E não confundir justiça com inveja!

10 de outubro de 2008

Aniversário


Hoje, dia 10 de Outubro de 2008, faria 42 anos o meu querido irmão Manuel Bento. Vitima de um trágico acidente, em 1990, causado por um "colega" que se revelou um verme covarde sem escrúpulos nem carácter, a sua presença perdura em mim como se ele nunca tivesse partido, naquela noite que se tornaria escura. A dor passou. Ainda passa. A justiça que devia ter sido feita pela  justiça, e que não foi,  deixei-a – na mão de Deus. 

Querido irmão. Como me lembro de ti, de nós. De todos. Lembras-te daquele Natal em 72, tão feliz, na escola João de Deus? Os três manos, rapazes, com as camisolas iguais, como gostávamos de andar. E tu, o mais pequeno sempre no nosso meio! Ainda hoje te faço cócegas, te irrito e te acho quase igual a mim. Vem para o pé de mim, Manelzinho. Aqui. Onde eu estou. Onde estás sempre.

8 de outubro de 2008

Mundo grave



Vivemos e vamos vivendo num mundo grave. O abandono dos benefícios da cultura imaterial em prol do metal virtual está a produzir os seus efeitos. Não é desta recentíssima civilização on-line, ou civilizações sobrepostas – em que galgamos o tempo – é o sintoma dos novos valores, dos profetas/condutores das novas res-públicas de cidadãos ávidos, famintos apoiantes das "regalias" materiais. Os mesmos que proclamam os bens por direitos, o verbo ter-porque-ter-porque-iguais, irão pagar os ditos títulos. Com juros, acrescidos sobre o nada. Será mais fácil, a partir de agora, perceber a palavra Construir?

6 de outubro de 2008

5 de Outubro


Porque é que ainda mantêm um feriado neste dia?



2 de outubro de 2008

2 de Outubro. 1995.


O dia mais feliz para mim. Tudo o que senti nesse dia ainda se mantêm. Através de ti acabei por descobrir que a vida é uma saudade permanente, misturada sem tempo sem explicações. No dia em que nasceste a tua presença confirmou muito do que eu acreditava e fez-me sentir uma esperança que eu há muito não sentia. Querida Joana. Minha querida Joana. Sinto-me como uma palavra, como um poema que pode acontecer. Estou nas tuas mãos como uma semente que quer ser atirada para nascer de novo, no berço-terra em que adormecia e com que sempre sonhei. É este amor que me dás que inunda e preenche a solidão que eu fui. És tu a clara luz que me diz para ver.


o pai que te ama
João

1 de outubro de 2008

Por um "capitalismo" e por um empreendorismo com ética

O proteccionismo, o estatismo e o colectivismo acabam, sempre, por empobrecer, fechar horizontes, levar à substituição da manteiga pelos canhões e artificializar monopolistas. Tudo o que se opõe ao capitalismo acaba por escravizar e imobilizar. No fundo, o que os inimigos do capitalismo pretendem - à esquerda como à direita - é restaurar uma sociedade de serviçais do Estado, quando não uma sociedade de ordens. Ora, estas sociedades fechadas e privadas de competição, ao invés de desenvolverem a justiça, acabam por colectivizar a pobreza. Esta não é a crise do capitalismo. É a crise de uma distorção do capitalismo, como é o fim da ilusão que o mundo é uma aldeia. O mundo não é uma aldeia, a liberdade económica das nações e dos povos estriba-se na segurança garantida por regras que evitem o desinvestimento, as "relocalizações" e a especulação. Foi essa atenção ao balanceamento entre o interesse colectivo e as justas aspirações individuais que fez a riqueza do Ocidente. A ele temos, pois, de voltar: voltar à produção, à empresa, ao trabalho e ao lucro.


In Combustões

29 de setembro de 2008

2010, odisseia no vazio



Se a memória e a experiência ante-presente são o mote para a construção consciente do futuro é necessário rememorar para não prosseguirmos no erro do vazio e da mentira.

27 de setembro de 2008

Pescadinha de rabo na boca ou uma boa fase para as "esquerdas"



Esta fase está boa para as esquerdas. Por cá, onde vivemos num socialismo bacoco e mal conduzido, as hostes já se arpoaram. Pelos blogges, pela imprensa, a culpa está encontrada: o Estado liberal. Liberal? Regime liberal? Num país onde os estado gasta mais de 50% do PIB com os encargos do funcionalismo público e mais 20% com compromissos de manutenção deste Estado corrupto de coisas? Como disse, esta fase está boas para as esquerdas e o reboque dado pela crise financeira internacional veio a calhar! Apesar da nociva experimentação esquerdista falhada, o extremismo está de volta com mais "carinho e cuidados" para todos nós, e o povo, vitima dos abutres, vota outra vez no mesmo pois tem medo de perder a mama da loba. Esta fase está boa para os esquerdistas profissionais avivarem. Em vez de assumirem os erros ideológicos, que conduz a um estado controleiro, corrupto, e à regulação e submissão do indivíduo, atiram com mais do mesmo. Atiram com o medo da fome depois de eles se fartarem de comer.

Jet Man



Entretanto, enquanto este mundo se entretêm a ver a queda das bolsas e as quedas dos bancos, este homem mostra o que é a coragem. Tivesse 0,1% da população esta determinação e segurança! Nesta civilização saloio-tecnológica com que nos confrontamos o risco que queremos correr é sempre o dos outros. Também, a culpa é dos outros. O pensamento dos outros. A inveja por causa dos outros. Quanto mais eu assisto a esta virtualização dos valores e ao constante apelo político das "esquerdas modernas" para a uniformização dos interesses, os actos individuais, positivos, de quem não se rege nem pensa pelos outros nem por maiorias tem sempre a minha admiração. Seja com uma asa às costas, seja com uma caneta na mão.

25 de setembro de 2008

E alguém se preocupa com isto?? Será pior a tosse?


Depois de ler isto (pode até não ser um nº correcto mas não deve andar longe pois as últimas 2 custaram 45 milhões!) – as próximas eleições vão custar 100 milhões de euros ao erário público – acho que não tem mal nenhum as empresas de tabaco terem pago a "estrelas" para promover o uso do tabaco! É pena as tabaqueiras não quererem aliciar as nossas "estrelas" políticas que nos desgovernam e nos usam como se fossemos cinzeiros....

Estrelas de Hollywood recebiam fortunas para promoverem hábito de fumar. E depois?

Ao ler esta notícia ainda fiquei com pior impressão das lindas somas de dinheiro que as actuais "estrelas" recebem para promover porcarias de todo o género. E que tal começar pela nossa(?) Selecção de Futebol que tem uma bela marca nas camisolas a promover uma cervejola?

22 de setembro de 2008

Tony de carreira




Tony. Nome português de sucesso. Carreira. Coincidência ou propósito? Local, pavilhão Atlântico, Lisboa, 20 000 pessoas dançam ao longo de 2 horas. 20 anos de "carreira". 2 dias consecutivos. Transmissão RTP, 3h00, sem descanso. Com licença. Tony. O que tens? Que outros, como tu, não têm? Não são as notas, os tons! É o estilo? Gostamos muito de "pouco"? Ou gostamos pouco do "muito"? Bem hajas, Tony, por seres muito para muitos portugueses. E para fechar ao estilo cantarico... mesmo que a tua música seja o básico chavão/ quem dera a muito "artista" ter o teu público na mão. Voto em ti, Tony, vai já para primeiro/ prefiro a tua música, que à actuação do outro azeiteiro...

20 de setembro de 2008

Um dia, este país vai ter uma monarquia, não por a monarquia ter reconquistado este país mas por este país não querer mais esta república

Entretanto, estamos nesta lama de interesses privados a levar com a ladainha dos direitos colectivos, dos direitos adquiridos, do "despertar", como se o calendário tivesse começado em 1910, das inequívocas conquistas de Outubro e de Abril, orientados para o admirável "mundo  novo", e tudo isto com o carinho e cuidado dos vigilantes politiqueiros deste regime. Há que mudar. E não se resolve a origem da dor ministrando sempre uma anestesia.

19 de setembro de 2008

O meu querido afilhado


O meu, único, afilhado é filho de uma das pessoas que mais gosto. Um Amigo, de provas dadas mesmo nas muitas alturas em que eu não fui reciproco de tal mercê. Creio, que qualquer que seja o meu rumo, o meu afilhado terá nas breves palavras que lhe vou oferecendo um meio de me conhecer. Para já, enquanto cresce, será através da generosidade dos seus pais que ele me poderá alcançar. Folgo o futuro para o acolher entre o meu núcleo familiar como se fosse meu. E lhe dizer: Sabes Max? A graça de eu te ter é a prova de que o amor, a amizade, não tem no tempo um obstáculo, ao invés, é esse tempo que derrama os sentimentos como herança. E um dia, Max, o meu amor, o meu "tempo", será teu! Já é teu! Mesmo sem eu estar.

O meu afilhado


O meu afilhado tem um blogge. Acho que começa a dar os passos certos...
Gosto muito de ti, Max. E muito pela saudade de poucas vezes estarmos juntos.

18 de setembro de 2008

Claro amor


Como é claro o amor. Como é fácil. Como é possível viver sem ele?
Como é bom imaginar-me em raios de água, a desaparecer ao som de uma voz, que me diz, à minha frente, atrás de mim, que eu me perdi. Como é claro o amor. Como a luz que me olha como se eu tivesse acabado de nascer.



in-éditos, 1996

13 de setembro de 2008

Os meus heróis


Apesar da pouca visibilidade dada pelos nossos média aos jogos Paralímpicos, de Pequim, tenho conseguido acompanhar os resultados. Estou orgulhoso. Sinto-me um deles. Quem me dera! E quando, em pormenor, reparo que são portadores de uma deficiência enalteço, ainda mais, a coragem e o sentido que comportam. Ontem, ao ver as imagens na Eurosport dos nossos atletas a gritar Portugal, Portugal, chorei. Talvez não só emocionado pelo evento. 
Cada vez mais, custa-me conviver nesta sociedade, civil e política, alheada e cega pelos novos "valores da modernidade", onde dizem que nos querem todos "iguais" mas tratam tantos (por muitas razões) com deliberada indiferença. Nesta sociedade medíocre sem valores pátrios ou colectivos tudo soa a "caridade", "subsídio". Nesta política onde o que importa só é importante por "agenda". Perdemos o altruísmo. Agora criamos "relações". De poder. De favor. Relações de interesse. Relações de moda. Atiram-nos o tempo dos jovens-adultos, perfeitos, bonitos – eleitores. E agora surgem os Adultos-jovens.
Num Estado que favorece, com o rendimento mínimo de inserção ou outrem, dezenas de milhares de pessoas portadoras de saúde e muito tempo para trabalhar, ouvir falar das dificuldades que alguns jovens, ou adultos, deficientes têm em arranjar dinheiro para uma cadeira de rodas, ou para uma prótese, é no mínimo caricato. Mas já nada me admira neste resto de país em contínuo caminho para o socialismo.
Para os atletas com deficiência, os que foram e os que não foram a Pequim, o meu obrigado. Pela coragem, pela força e pelo exemplo que dão. Que são.

7 de setembro de 2008

Sopeirismo avermelhado

O tempo está mauzito para a praia e assim, recomendo-vos uma incursão nos blogs da esquerda chique. Comecem pelo 5 Dias e sigam os links, porque se torna hilariante: Obama, Avante, velhas relíquias baladeiras, argumentos esfarrapados desculpabilizando os crimes de Estaline e do comunismo, enfim, o costume. Este sopeirismo avermelhado e bem alimentado por décadas de repasto saído dos tachos organizados pela cozinha de serviço aos comensais do sistema, continua com as mesmas manias herdadas dos antigos métodos prosseguidos pelos heróicos predecessores: lavagem ao cérebro, diabolização do outro, branqueamento da figura deste ou daquele escroque, obsessivo reescrever da história, omnipresente moral - já reparam que muitos tiveram uma pesada educação religiosa? - e a frenética actividade tendente a consolidar o círculo de influências. Fazem-me sempre lembrar aqueles competentes generais que organizavam a sua frente em profundidade: primeiro, os campos de minas, seguindo-se a infantaria entrincheirada, os canhões anti-tanque e na derradeira posição, as unidades móveis para a contra-ofensiva. É claro que não convém esquecer a artilharia pesada, bem situada muito por detrás do dispositivo, pois esta é vital para o constante martelar do incauto adversário. É esta artilharia pesada que está todos os dias na televisão e jornais, bem industriada pelos serviços de informação cativa dos amigos alapardados nas empresas públicas, fundações, ministérios, museus e porque não (?), em rendosos lugares do sector da economia e finança. É esta a esquerda que temos. Despótica, arrogante, monopolista, egoísta, falcatrueira e materialista no pior sentido que a palavra consumismo encerra. Com esquerda assim, nem vale a pena existir direita, pois trata-se de uma férrea oligarquia, onde a nulidade é amplamente colmatada pela comunhão de interesses, cumplicidade e profundo desprezo pelo outro. Que coisa!

Nuno Castelo Branco in Estado Sentido

6 de setembro de 2008

Será do acordo Hortográphico?

Pois. Será que começamos a assistir à chegada dos primeiros diamantes, lapidados na interpretação do acordo (?) refundido da "língua Portuguesa"? Leiam sem pasmo este especimen que entrou caixa do correio dentro.

A ver (com atenção)

Sugere-se calma antes de iniciar a visualização. Não convém atender telemóveis nem ter ligado outras fontes de som, que não as deste filme. Sugere-se, também, que se preparem para o "stress" que pode provocar estas delicadas matérias. Aconselhado somente para maiores de idade intelectual.