31 de julho de 2008

Saudades de IRENE VILAR

(de uma carta a um amigo)

Caro José, desculpa este desabafo...

Como te disse, estive hoje de manhã no velório da Irene Vilar apesar da febre alta que me assola vai para 3 dias. Não podia deixar de me despedir malgrado qualquer recaída. Eu gostava muito dela. Convidei-a como sabes a participar em 2 livros meus, ambos de homenagem à minha avó materna.

Pode parecer mas nada acontece por acaso. Lembro-me do dia em que lhe telefonei pela primeira vez (já a havia conhecido numa cerimónia nos "Rotários") e lhe falei no meu livro "Lágrimas". Ela aceitou e a forma de ela aceitar foi mais um passo para eu me sentir realizado. Podia-me ter dito que não tinha tempo! Podia-me ter dito que andava muito ocupada! Mas levou a sério o meu projecto. Lembro-me de lhe dizer algo assim: – não pretendo ganhar nada com esta edição e também não tenho grande dinheiro para lhe pagar mas o "lucro" que eu tiver do livro hei-de partilhá-lo consigo! E ficamos amigos. A diferença de idades não foi uma distância. Foi um espaço de partilha.
Nas visitas que fiz ao atelier ela deu-me a conhecer muita coisa. Falamos de Arte, falamos da amizade que ela nutria pela minha mãe, falamos de religião e de fé. Foram momentos inesquecíveis para mim – no belo atelier de uma pessoa admirável ouvir contar histórias de poetas e artistas misturados com comentários acerca da minha mãe!

Na capela, quando entrei, deparei com um sarcófago muito simples, em pinho, forrado a veludo, pareceu-me. Ela estava em paz. Nas suas mãos tinha uma pequena folha com umas palavras escritas por ela: " Voltarei no orvalho de uma manhã de Sexta-feira Santa e Ele estará connosco para sempre". Naquele instante não senti dor, nem pena. Senti-me perfeito, perto da pureza. O orvalho da manhã nunca mais será o mesmo.

30 de julho de 2008

Revolução 1

Em Portugal evoca-se a pretexto de tudo e para o ridículo a revolução do 25 de Abril. Será que foi uma revolução? Que transformações ideacionais, sociais e filosóficas se renovaram e nasceram do efeito? Foi a Nação com pleno conhecimento do advir que desenhou o novo "plano" pátrio? O revolucionário enquadra-se no homem ético? Do 25 de Abril resultou a oportunidade, propagada, da liberdade de diferenciação ideológica? 
Não.
– Voltar ao início.

Primeira Revolução: Acordar

29 de julho de 2008

Colheita

Uma das coisas a que me dedico, pelo fim de semana, é a manutenção do meu pequeno jardim (... qual jardim dos carvalhos do paraíso!). Que prazer! Praticamente tudo foi plantado por mim; por nós, da casa. Tenho aprendido muito com o meu jardineiro, um homem bom, minhoto, honesto e sempre com um sorriso verdadeiro. Rosado. Tempos atrás pedi-lhe para me ajudar no transporte de uma "pia", de uma quinta para a minha morada. Foi a primeira vez que fiz uma pequena viagem num "camião". Na cabine viajamos 4 pessoas. Eu, o jardineiro , dono do "camião", o pai dele e o genro. Começaram por falar entre eles sobre um "desgosto". Não era "tema" a que eu tivesse vontade de anuir. E ainda bem! Deixei-os falar e tive muito proveito. Ouvir falar da família, do trabalho, dos tempos em África, a tropa, os namoros e as vidas pessoais. Flutuei a imaginar no discurso. Quase a chegar, uma pergunta: Sr. João, e o que acha do 25 de Abril? Devo dizer que não respondi à letra. Tive medo de colidir. Olhe – disse o pai – para nós esse dia foi mais um dia. Sabe para que serviu o 25? Para dar "liberdade aos políticos"! O povo nunca teve tão pouca. 
Ainda hoje penso nesse comentário. Pensa bem o Sr. José! Este país, no que depende das intermináveis promessas do "estado libertário", não nos tem dado alegrias. Foi um tempo bajulado pela revolução. Incongruente nas acções e nas colheitas. 
Vale-nos a vida que plantamos por nós.

A temática da queixinha corruptazinha

Nada mais irritante do que fazer queixinhas e birras a partir da puberdade. Quando se cresce, em princípio, também se evolui nos "miolos". Neste país, por hábito, a idade da queixinha mantêm-se para lá dos setenta; a queixinha inconsequente! A verdadeira queixa ganha outros moldes! Não há dia que não leia uma queixinha de um político ou de um "responsável" para fora e para dentro, para o partido, para a "sociedade". Na moda, da queixa, está a Corrupção – tema grave e querido de todos os "honestos" e honestos. Antigos ministros, antigos deputados, antigos "directores-gerais" (etc), a uma voz declamam a cartilha dos horrores, qual decadência contemporânea, que é a corrupção e numa figura de estilo demais original dizem: está "enraizada" na nossa cultura de lés a lés! À poucos dias voltou ao templo o João Cravinho, cavaleiro da ordem da santa honestidade, proferir aquilo que 10 milhões de habitantes insinuam em uníssona voz. Perante tamanha insistência, da parte do cavaleiro, eu deixei de acreditar! Acho que não passa de um queixinhas. Se assim não for que diga às "entidades competentes" o que viu ou o mal que (lhe) nos andam a  fazer! Diga alto e em bom tom onde começa a corrupção e onde ela está a desfiar (iconográficamente não é bem um "novelo" mas mais em forma de "teia") por estes dias. Não se acanhe. Deve começar por cima. Fica-lhe bem. Descalce o Regime, financiamentos das campanhas políticas, partido a partido, financiamento para as eleições à Presidência, universo autárquico, compadrio. Da próxima vez não faça queixas nem olhe para o lado. Seja concreto, que já tem idade para isso.

28 de julho de 2008

A Temática

Na década de 80 eu achava que tinha jeito para escrever. Gostava do improviso e da ironia. Aliás, ainda acho que uma boa "figura de estilo" ajuda a resolver algumas expressões menos polidas! Como não tinha, nem tenho, pudores e aprecio a sinceridade, por mais rústica, a minha temática era variada e bem focada: No Portugal à frente dos nossos olhos, lá estavam os "azeiteiros", os parolos, os "pobres de espírito", o "povo" e o seu colorido, os políticos, essas vitimas, a "ordem" social, a esquecida nobreza, etc. Num campo de maior importância, a infinita problemática do amor! Noutro campo fundamental/principal, a pormenorização dos verdadeiros problemas, a desgraça interior de cada indivíduo ou a imensa felicidade das pequenas coisas, tal como apreciar a musicalidade do "bater dos chinelos das velhas do rancho da Areosa....".

Hoje, constato que a "temática crítica" aumentou e muito, principalmente neste quintal: Portugal está mais abastardado do que nunca, nem sei se ainda somos um país (em linguagem futebolística, sem ligação dos sectores...), azeiteiros não faltam, em qualquer lugar, os "pobres de espírito" passaram a pobres "de facto", o povo é agora o "povão", diluído em classes A,B,C,D ou 1,2,3,4, os políticos estão cada vez mais decadentes e "desculpabilizados" das suas responsabilidades; e quanto à esquecida "nobreza", nunca se viram tantos "nobres da república", qual (en)comendas, sem esquecer tantos pretendentes a um "trono" aquecido pelos cagueiros desta república.

Vamos a ver.


27 de julho de 2008

Bloggempatia

Recém-chegado a esta comunidade, gostaria de referir, em forma de cumprimento, os blogges que procuro com mais frequência. Pelo meu gosto. Pela forma e conteúdo. Pela coerência. Pela argúcia e raciocínio ante a realidade (quase irreal). Pelos valores. A ver: Cartas Portuguesas; Combustões; Estado Sentido; Nova Floresta; Portugal dos Pequeninos; Sobre o Tempo que Passa. 

26 de julho de 2008

O Baptismo

Algures no ano de 1984, em caminhada por uma rua de Matosinhos, pensava num nome para uma banda de música que eu havia formado juntamente com o meu irmão e mais 3 amigos de ocasião musical. Bem, não era apenas o nome para uma banda era mais um "nome" que representasse o espírito de inconformismo e a prestação que eu julgava poder dar ao mundo. Nesses idos anos eu pensava que o mundo gostava de ser confrontado. Durante esse passeio o nome nasceu: "Os Carvalhos do Paraíso". A banda foi efémera mas ficaram várias dezenas de letras e músicas que escrevi e que ainda hoje canto com vaidade. Nos próximos tempos, paulatinamente, irei aqui editar algum reportório. Sem pudores. Neste novo palco vou representar "Os Carvalhos do Paraíso". Não (somente) a "música" mas todo seu conteúdo interventivo e actualizado. Porque naqueles idos de 1984-1987 eu dizia coisas que achava que não iria ter coragem para repetir mais tarde. Pensava coisas que achava de "ares de juventude". Sonhava soluções que atirava para utopia. A "sarna regimental" obriga-me a ressurgir. O limbo cybernético será o palco. Não espero público nem publicidade. Não espero palmas, nem abraços, nem pedido de encores. Eu e os colaboradores, deste blogge, gostamos de entoar em silêncio.