29 de julho de 2008

Colheita

Uma das coisas a que me dedico, pelo fim de semana, é a manutenção do meu pequeno jardim (... qual jardim dos carvalhos do paraíso!). Que prazer! Praticamente tudo foi plantado por mim; por nós, da casa. Tenho aprendido muito com o meu jardineiro, um homem bom, minhoto, honesto e sempre com um sorriso verdadeiro. Rosado. Tempos atrás pedi-lhe para me ajudar no transporte de uma "pia", de uma quinta para a minha morada. Foi a primeira vez que fiz uma pequena viagem num "camião". Na cabine viajamos 4 pessoas. Eu, o jardineiro , dono do "camião", o pai dele e o genro. Começaram por falar entre eles sobre um "desgosto". Não era "tema" a que eu tivesse vontade de anuir. E ainda bem! Deixei-os falar e tive muito proveito. Ouvir falar da família, do trabalho, dos tempos em África, a tropa, os namoros e as vidas pessoais. Flutuei a imaginar no discurso. Quase a chegar, uma pergunta: Sr. João, e o que acha do 25 de Abril? Devo dizer que não respondi à letra. Tive medo de colidir. Olhe – disse o pai – para nós esse dia foi mais um dia. Sabe para que serviu o 25? Para dar "liberdade aos políticos"! O povo nunca teve tão pouca. 
Ainda hoje penso nesse comentário. Pensa bem o Sr. José! Este país, no que depende das intermináveis promessas do "estado libertário", não nos tem dado alegrias. Foi um tempo bajulado pela revolução. Incongruente nas acções e nas colheitas. 
Vale-nos a vida que plantamos por nós.

2 comentários:

zazie disse...

Está bonito pois.

Nuno Castelo-Branco disse...

E a procissão ainda vai no adro...