30 de agosto de 2008

Férias


Quinze dias de férias. Envolto pela meiguice das minhas filhas, pela imprescindível presença da minha mulher. Quinze dias sem querer ler um livro, sem ler um jornal, sem qualquer necessidade da televisão (cada vez mais abjecta), sem rádio. Sem computador. Sem telemóvel. E a vida correu, necessariamente, através das coisas realmente importantes. Continuei a ouvir o mundo, através do céu e das ondas, da voz da Joana e da Beatriz, dos meus próprios queixumes, dos meus pensamentos. Para mim "férias" são o abraço com a minha família, o meu verdadeiro sol. Nas férias parto sem partir enquanto acolho o amor que me faz sentir importante e onde me estafo por descobrir e partilhar. De volta às minhas obrigações, sinto que o descanso é receita para quem não tolhe esforços. Como posso me cansar se o que me cansa é o supérfluo e o marginal? Cada vez mais tenho vontade de me desligar da "paisagem" que me querem obrigar a assistir e cada vez menos dou comigo a acreditar neste mundo uniformizado, sem rugas, onde nos dizem que tudo se resolve no papelzinho que colocamos dentro da "urna". 

14 de agosto de 2008

Sara Kostov, que esteve 15 minutos à espera para entrar no Sasha Beach, na praia da Rocha


Sem querer, ou pelo destino, deparei-me com esta notícia: 

Pensei. Voltei à notícia (!): A noite de anteontem era de festa para Sara Kostov, mas a modelo acabou irritada à porta do Sasha Beach, na praia da Rocha. A filha da relações públicas Tekas fez 23 anos e decidiu comemorar o aniversário com um jantar em família no espaço de diversão nocturno de Portimão. Mas, à chegada, foi barrada devido a um problema com os cartões de acesso. 'Já é a segunda vez que barram a entrada à minha filha este ano', disse Tekas irritada. Sara foi obrigada a esperar cerca de 15 minutos para entrar e chegou mesmo a ponderar abandonar o espaço antes do jantar, mas a mãe conseguiu mudar-lhe as ideias. Resolvido o mal-entendido, Sara Kostov festejou depois pela noite (...).

Pensei. Ainda estou a pensar enquanto escrevo. Gostava de ser, como a Sara Kostov, um homem empenhado de viver. Com atrito pelas pequenas e simples coisas. Perceber de cartões de acesso e das outras coisas invisíveis; ter aquela determinação que germina nos grandes homens e mulheres qual impulso e determinação. Saber "deixar" o "espaço" sem realmente nunca o deixar. Sei que não nos devemos comparar, mas quem sou eu? Eu, que esperei 5 anos para acabar um curso. Mais três para fazer um mestrado. Eu, que demorei um ano para investigar um tema que se quedou numa folha "A4". Eu, que recebo os livros que encomendo com 8 meses de atraso e não me zango. Eu, que esperei o amor. Eu, que espero e desespero para receber dos meus clientes. Eu, que procuro nunca "mal-entender" estou, no fundo, a perder a oportunidade do festejo após resolver! Sei que não tenho vida para a Sara Kostov. Não entendo o seu mundo. E por isso, nunca serei uma estrela.

12 de agosto de 2008

A Liberdade do Rosas

Este não é Rosa que se cheire. Eu também gostava de saber o que pensa o Rosas sobre a irresponsável actuação das forças políticas. Será que a vida dos cidadãos não está em risco com a actuação destes políticos?

Liberdade aos céus

liberdades e Liberdades. Está na Constituição, essa, em caminho para o Socialismo. Está muito bem e é por isso que devemos dar toda a liberdade para que o arauto da mesma fique protegido de qualquer liberdade mais imprópria, assim sendo... 

O antigo presidente do PSD decidiu não permitir nas imediações do espaço aéreo vizinho da Vivenda Mariani, a passagem de qualquer tipo de aeroplano que incomode sua excelência. (...)
O consumidor de uma dotação 16 milhões Euro/ano, não está com meias medidas e assim, prejudica as empresas de publicidade, corta cerce os voos particulares que enxameiam os céus do Algarve e não se importa minimamente com este evidente sinal de desdém e prepotência. É isto a república e quem a quer, que a pague.
Como sugestão, sugerimos às dezenas de assessores belenzeiros, que influenciem para a construção de uma bateria de mísseis Patriot nas imediações da Vivenda Mariani, ou pelo menos, que recorram a uns antigos mas comprovadamente eficazes 88mm



Nuno Castelo Branco in Estado Sentido

A outra liberdade

Após leitura desta notícia ficamos a perceber mais qualquer coisa sobre a "liberdade" em vigor no nosso actual regime. A  nossa liberdade prolonga-se até a liberdade dos outros. A liberdade dos outros varia consoante a prática e o género. Há quem escolha a outra liberdade pois é mais bonificada e está indexada aos Direitos..., etc.. Há muitas liberdades à escolha. O cardápio é variado e aliciante. O preço, a sério, pode ser pago por terceiros e pelas vítimas ou, módico, a "prestações", com uma "pulseira" da moda.

11 de agosto de 2008

Eu sou


Sou mais feliz desde que a tua pequena mão tocou a minha — desde que o teu coração fez o meu peito dilatar e me expôs de novo à claridade, nesta nudez em que eu guardo tudo aquilo que aprendi de imaculado. Quando eu te agarro sou pequeno como tu. Ainda estou. E os teus risos de aurora são palavras libertadoras que me fazem renascer!

Vou-te contar um segredo: antes de ti, antes da tua irmã, antes da tua mãe, eu era só. Pendurado na lembrança dos braços da minha mãe, que nunca deixou de me envolver, tudo o que eu tinha era esse amor. Quando passeava esquecido de mim procurava por vós. Às vezes, confesso, sentia que o único amor que eu teria — iluminado de luz —seria o da minha infância, eternamente encantada pela magia dos doces afagos, de todos os amanheceres. De noite, na minha almofada, sonhava com se tudo fosse um filme. Mais tarde, no silêncio, acalmava com o tic-tac de um relógio que me soava do puro horizonte do nada. Um dia, ao acordar, cresci. Como se de repente o mar à minha porta me levasse e arrastasse ao encontro de um imenso coral de olhar azul que se abriu em mil braços e libertou o pulsar da minha paixão.

Quando eu te agarro sou pequeno como tu. Ainda estou. E os teus risos de aurora são como eu fui, eu sou.


João
2005

10 de agosto de 2008

Quando nascemos


Nunca tive muitas conversas sobre política com a minha saudosa mãe, preferia o mimo e as delongas sobre os afectos e vivências, mas tenho para mim – como a melhor – uma resposta que ela um dia me deu sobre a questão da legitimidade de estar ante este regime. Como posso dizê-lo... . Será que eu devia ter vergonha de pensar diferente dos outros "meninos"? Será que nós já vimos ao mundo "Republicanos"? Afinal, este é o Estado-fruto da evolução natural das pessoas e dos povos? É pela acção da "República" que atingimos a amplia satisfação da felicidade comum? A resposta, simples e calma, foi redentora: 
– Quando nascemos, nascemos puros. Normais.

2010, odisseia no nada

Dentro de dois anos comemora-se o centenário da revolução de 5 de Outubro, que pela força, implantou o regímen dito “republicano” em Portugal.
As comemorações de dita efeméride, tal como até agora foram apresentadas, irão se debruçar não sobre aquilo que a 1ª República foi na realidade, mas sim sobre aquilo que os alegados “herdeiros” desse regímen gostariam que tivesse sido.
Em 2010 vai ser comemorado um regímen que nunca existiu.

In Nova Floresta

Ontem. Hoje. Sempre.

(...) República e desprestígio, eis uma redundância. Que eu saiba, nenhuma república jamais se conseguiu firmar - e até justificar - sem o apelo ao que de mais desprezível se esconde no recesso da mente humana: a inveja. Entre nós, a velha meretriz é epítome das vergonhas, desastres e desmandos que se abateram sobre o século XX português.
Ora, há muito que compreendi e resolvi o problema da República. Para mim, ela não existe; ou antes, é-me tão verosímil como serão para os ateus as aparições marianas. Nunca tive ânsias de poder nem fui fadado para servir à mesa uns ricaços broncos com pretensões ao trono de pechisbeque do "mais alto magistrado". Em minha casa, na parede, o retrato do último chefe de Estado português - D. Manuel II - aguarda há 95 anos que um sucessor o venha substituir. Não irei certamente desfigurar as paredes com um "deles" . Essa troupe à Trimalcião que vá buscar votos e serviçais a outros lares.


In Combutões, 28.12.2005

9 de agosto de 2008

caro Miguel

(de um mail de 28 de Março de 2008)


O nosso contacto e recente relacionamento, ainda que por mail, deixa-me agradado e persistente por várias razões. Não disfarço o contentamento em reconhecer-me em muitos momentos nos seus textos. Influenciado pela prosa do Miguel a minha experiência "bloggista" tem-me levado a outros sítios, de outras polémicas, ainda que por feitio sou renitente em aceitar o comum ou o "corrente". Realço o "Portugal dos Pequeninos" e o "Nova Floresta", além de outros sítios que tenho conhecido através do "Combustões" e destes citados blogges. Pelo que a minha ingenuidade me diz, Portugal deve ser um país de "bloggistas" (pode ser que um dia eu tenha, ou tenha de ter, o meu!!!). Dito por outras palavras, um país de pessoas que usam os recursos mas, pelo que verifico, não usam os argumentos para além do limite da ferramenta. Somos um pais de homens idealistas mas sem ideias, com força mas sem coragem, com amor mas sem alma, com passado mas sem memória (e por último, e já agora, um país onde há monárquicos de todos os géneros, facções e feitios mas por ora monárquicos afectos mas não praticantes!!!). E porquê? Porque rareia a liberdade! "A Liberdade"! Porque os ideais, a força, o amor, a memória, e todos os adjectivos concretos no Homem só funcionam quando livres dentro de nós. Quando não temos de pensar. Quando agimos sem querer. Quando não olhamos para fora, nem para o lado, mas vemos o que "há para ver". A liberdade, que tento exprimir, é a minha e não tenho de lutar com a dos outros para a conseguir. Está e é em nós! Ser "ocupado" pelos que procuram a liberdade alheia, como se fosse sua, massificada, como se a conquista da "Liberdade" fosse o produto da soma de maiorias é principio da nossa prisão. E estamos presos sem nos apercebermos. Ler os escritos do Miguel, algures quase perfeitos, prosaicos e eloquentes como o doctus de Camilo, é uma prova de que a "liberdade" pode ser recuperada. Porque a escrita num "blogge" é sintomaticamente uma voz – só mas imensamente audível. Algures nos teclados anónimos a "regeneração" da individualidade se calhar já se iniciou!

Abraços
João

José Cayolla


Faz dez anos que o José Cayolla faleceu. Parece que foi ontem. Numa merecida homenagem o FITEI dedicou espaço, intervenções e patrocinou a edição de um livro sobre o encenador. Conheci o José Cayolla quando tinha 14 anos. As nossas famílias eram amigas. Ainda hoje, o que me deixa mais saudades. Quantas conversas. Depois de eu sair da faculdade, de volta ao Porto, muitas visitas lhe fiz no Teatro Carlos Alberto. Gostava de o ouvir falar sobre o teatro, a política, a família. Eu admirava-o. Éramos amigos. Conheci alguns dos que o rodearam e que bafejavam por ser de "esquerda". Queriam-no de esquerda. Concerteza; mas nunca escondeu da mão direita o anel de brasão que herdou do pai. O José Cayolla foi um genuíno intelectual do Teatro. Um homem vertical. E de valores. Como bem diz o título do livro, foi "Um Aristocrata do Teatro". Um aristocrata no teatro.

8 de agosto de 2008

Quero saber


Quero saber se rezas todas as vezes que sentes tremer na boca mais um verso. Quero saber se sentes as pernas febris e as queres deitar, por mim. Se queres saber a direcção dos jardins onde passeio o perfume do nosso corpo. Quero saber se acreditas que o meu amor se senta na fé do teu trono.


E tu

No campo é tudo mais genuíno. As pessoas, os sabores, os cheiros. Quando chove cheira a terra molhada. Vem o vento e mistura tudo: alecrim, urze, fumos das lareiras e malmequeres silvestres. No campo de que falo não chega a haver solidão. No campo de que falo tu brincas em todos os lagos e lugares. Ver-te no campo é bom. É bonito. Há montanhas e tu. Casas brancas e tu. Ninhos nas árvores e telhados, e tu. Há espaço e há tempo. Às vezes também há mar. E saudades de ti.



7 de agosto de 2008

"O Mar da Memória"


"Durante a pesquisa para a realização deste livro* aconteceu uma descoberta feliz. Reencontrei uma fotografia que visitava muitas vezes quando eu era menino de escolinha. Ainda me lembro do dia em que a conheci. Era uma de várias fotografias que habitavam num grande prato decorativo, colocado no chão da sala de estar da casa dos meus avós maternos, em Vale de Cambra. Ali, ficou suspenso o meu olhar e o meu espanto e, sem largar aquela imagem, pus-me a ouvir o seu silêncio e os seus segredos. Enquanto olhava, o tempo inventou-se para me contar histórias que imaginei como se me estivesse a lembrar: “ Era uma vez... ... ...”.

Essa fotografia, que publico na página ao lado, foi o primeiro passo para eu me descobrir e ficar agarrado ao meu próprio caminho, de si já traçado pela memória de outras vontades e de outros destinos.
Eu — aquele homem — eu — aquele lugar.
O homem, que me despertou, é o meu bisavô Manuel Bento (poderei dizer meu querido bisavô?), o mesmo que partiu de barco para longe-longe, com o aceno da saudade da minha avó que se perdeu no horizonte do mar. Nesse mesmo mar da memória em que viajo o olhar, com os olhos da minha avó — com os olhos da minha mãe, que um dia serão os olhos de alguém, também.
Pode ter sido há muito, poderia ter sido agora. Para mim o foi e o é são o mesmo sempre. 
Sei que a memória da História recorta-nos paisagens com o mesmo céu que se ergue hoje sobre nós. Também sei, porque descobri, que o amor faz nascer os sonhos perdidos. E aprendi, ao abrigar-me das nuvens cinzentas do medo, que a família é a estação permanente das nossas vidas.

Recordo-me de pegar nesta fotografia e de a guardar noutro lugar, junto a outras que se encontravam protegidas, amparadas e aconchegadas numa caixinha de madeira, que se encontrava junto à lareira da outra sala de estar.
Era uma caixinha tal como nós. Com gavetas de abrir e fechar."


* Maria Amélia Amorim de Carvalho – Percurso e contributo para a dimensão histórica da família. Porto, 2002.

6 de agosto de 2008

Um Retrato II - Amorim de Carvalho


(dedicatória do autor)

À glória e à memória

Dos heróis e dos Grandes Homens que fizeram Portugal e garantiram no mundo a perenidade de uma cultura de língua portuguesa;

Dos colonos portugueses que fizeram o Brasil;

Dos colonos portugueses que fizeram o ultramar português em África;

Dos colonos portugueses que, em Angola e em Moçambique, morreram devido à traição das suas próprias forças armadas que os entregaram aos terroristas invasores.


Um retrato - Soljenitsin

É o retrato completo e panorâmico de uma certa sociedade que morreu, talvez o último momento em que à inteligência foi dada voz. Depois, foi o ascenso das massas, das carnificinas, das demolatrias e sua crueldade, ódio e incapacidade para ver para além da gamela e do porta-moedas. Recomendo-o vivamente, pois ali está toda a sociologia, toda a política, toda a filosofia e toda a economia de uma Europa à beira do suicídio.


In Combustões

4 de agosto de 2008

Instrumentado

Quando perante o óbito o humano ancestral, primitivo, projectou o inicio da espiritualidade e com ela a sua diferenciação face aos outros “mamíferos”. O funeral foi uma das primeiras praxis e deu início à “humanização”. O rito funerário, a noção da perda, a “existência”, a ascese, a crença, a fé, são noções que nascem da constatação do “outro” eu, do “outro” metafísico, etc. Salvo um pequeno exagero posso afirmar que a “Humanidade” também nasceu pelo amor .

Quando perante um óbito o humano moderno, contemporâneo – este – agora – que se compreende entre esta mudança acelerada de civilizações – projecta o início da “Desumanização”. O rito funerário é substituído pela festa colectiva, pela "homenagem" de pertença a "grupos", pelo impessoal. Um ritual "apinhado" de nada. Salvo um pequeno exagero posso afirmar que a “Desumanidade” está a nascer pela ausência de valores. A culpa não é das “guerras”, dos “computadores”. Do “Mundo”. A culpa é do homem e que eu saiba um Homem é constituído por valores (o resto é água)! Virá o tempo das “próteses” – das próteses totais, pouco falta para sermos o tão desejado Homem-Máquina-imortal – . Virá o tempo de novos ritos. Os ritos dos regimes mecânicos. Salvo outro pequeno exagero posso afirmar que a “montagem” do Novo-Homem já começou. E já estamos na fase das próteses-mentais, em montagem regimental: homem máquina-obediente, sem pensamento para além da ginástica pontual, sem fé, sem rusticidade guerreira, sem tempo, sem memória. Salvo um outro pequeno exagero posso afirmar que tudo o que escrevi é visível. Basta abrir os olhos, ouvir e ver. Prefiro ser um humano-primitivo. Penso por mim. Ajoelho-me pela minha fé. Choro pelos meus avós antepassados. Choro pelos desígnios. Pela minha pátria. Choro, também, por amor. Escrevo, isto, numa máquina mas ela nunca fará parte de mim nem eu aceito ser “instrumentado”.

3 de agosto de 2008

Uma carta a Beatriz

Querida Beatriz

Neste momento, em que a tua mãe te está a ler esta carta, devo estar no comboio, algures entre Porto e Lisboa. Já há muito tempo que não ando de comboio! Hoje acordei cedo. De noite, quando o céu está escuro sem estrelas. Acordei quando te senti a entrar na minha cama, como se te sentisse a entrar em mim. E já não quis voltar a adormecer. Aproveitei a tua presença para te pedir desculpa, baixinho. Desculpa Beatriz. Não te queria ter batido, da maneira dura como te bati ontem. As três palmadas fortes que te dei foram três certezas de como errei. E sabes porque eu sinto assim? Porque me magoei! Porque a “força” que eu sinto para te amar não se pode transformar em dor! Um dia, quando cresceres, talvez essas surras te venham à memória com um sorriso. É sinal que me perdoas-te. Entretanto, enquanto viajo, talvez até enquanto sonho, quero que brinques e que imagines que o mundo é feito só de brinquedos e que eu sou uma música, um desenho de pintar. Se quiseres imagina um comboio, lá ao longe. Olha o barulho que ele faz! Olha um túnel! Olha as montanhas! Deixa-o ir. Deixa-o passar. Estás a ver ao longe a estação? Espera por mim de braços abertos, Beatriz. Cheguei. Quero chegar!


o pai que te ama
João
01.02.2008

2 de agosto de 2008

Música 1 - "Leonor"; trecho comentado

Escrita por mim no ano de 1985, "Leonor", abarca um dos meus temas/géneros preferidos: a raíz psíco-caterial do Português ou dito mais além, o ambiente crucial. "Leonor" e "Fátima Maria" são as personagens através das quais se descreve um modo de estar comum, suave domínio da memória colectiva com apelo à essência da Família ("instituição" em perigo acelerado de extinção, segundo todos os alarmantes relatórios). Escrita para guitarra, baixo e bateria, produz-se numa fusão em tom de "fado" com voz pausada/dramática, baixo em balanço swing, grave, e bateria tocada com espanadores em apelo ao jazz.

"Leonor"

Leonor veste de cor – vermelho, verde e amarelo!
Leonor, rica flor, saia e chinelo!
Leonor, suave odor, perfume sem igual.
Leonor, passeia airosa com as cores de Portugal! (1)

Fátima Maria a sua irmã não lhe fica atrás!!!
Fátima Maria tem atrás de si um bom rapaz.
Fátima Maria, religiosa e de boa situação.
Aos Domingos ajuda à Missa e vai na procissão

Leonor e Fátima Maria são, assim, o centro das atenções!
Respeitam a honra da família e as suas tradições.
Andam sempre juntas e bem comportadas....
Saem à rua – vão pela sombra... e de mãos dadas....

Mas como sempre em todas as famílias há uma excepção!
É o Anselmo, desorientado e sem profissão!
E as maninhas viram-se para o irmão e dizem com amor:
Vai-te lavar! Procura emprego! E reza ao Senhor!

E assim foi! E assim Fez! E assim aconteceu!
E no seio da família a fé prevaleceu.
Andam agora os três, juntos do pai e da mãe!
São a Família exemplo, sócios do Porto, não devem nada a ninguém...

São a Família exemplo... sócios do Porto... não devem... nada... a ninguém!




(1) Como é óbvio, o vermelho, verde e amarelo não são as cores de Portugal!! A sua inclusão deve-se à criação de uma ironia.


Portugal foi

" (...) No entanto e pela primeira vez em mais de oito séculos, hoje torna-se imprescindível o reafirmar daquilo que Portugal foi e terá que voltar a ser, sob pena de natural desaparecimento da cena política mundial. Por exiguidade, por abandono e pior, pelos estragos ocasionados por bestiais apetites de uma ínfima minoria. Não vivemos tempos de anexações forçadas por invasões de hordas de vizinhos desejosos de novas terras ou de um qualquer e quixotesco prestígio. Os países desaparecem pelo esmorecer da identidade de todos e de cada um - a consciência nacional - e a falta de confiança na credibilidade das instituições governamentais - no seu sentido mais amplo -, indicia o imprevisível momento de derrocada deste nosso mundo a que parecemos habituados. Em poucos anos, Portugal poderá ser apenas uma recordação."

Nuno Castelo Branco in Estado Sentido

1 de agosto de 2008

laurentino gomes - o puro, o corajoso, o honesto que não se deixa enganar


Diz-nos este autor, após 10 anos de pesquisas das mais variadas fontes no seu mais recente livro, o galardoado "1808":

“Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil”

Portugal – uma das nações mais atrasadas da Europa em inícios do século XIX – encontrava-se freqüentemente diante da possibilidade concreta, estimulada e aconselhada por muitos a ter a sede de seu governo transferida para o Brasil, colônia da qual se tornara totalmente dependente. A cada crise no Continente Europeu a idéia se renova, mas somente a partir dos ecos da Revolução Francesa, mais particularmente em seu período Napoleônico, a idéia ganhou força e premência. Com maior vigor a partir de 1801 a idéia freqüentemente era cogitada. No entanto o Príncipe Regente D. João era fraco demais – inclusive fisicamente – medroso demais e indeciso demais para adotar medida de tão graves monta e repercussão."

Estamos perante um sábio, mestre do jornalismo, que após 10 anos de estudo consegue "qualificar" a história com adjectivos nunca antes somados e induzidos. Mais um jornalista de cartola que nos ilude a descobrir a história.... de Portugal e do Brasil....