9 de agosto de 2008

caro Miguel

(de um mail de 28 de Março de 2008)


O nosso contacto e recente relacionamento, ainda que por mail, deixa-me agradado e persistente por várias razões. Não disfarço o contentamento em reconhecer-me em muitos momentos nos seus textos. Influenciado pela prosa do Miguel a minha experiência "bloggista" tem-me levado a outros sítios, de outras polémicas, ainda que por feitio sou renitente em aceitar o comum ou o "corrente". Realço o "Portugal dos Pequeninos" e o "Nova Floresta", além de outros sítios que tenho conhecido através do "Combustões" e destes citados blogges. Pelo que a minha ingenuidade me diz, Portugal deve ser um país de "bloggistas" (pode ser que um dia eu tenha, ou tenha de ter, o meu!!!). Dito por outras palavras, um país de pessoas que usam os recursos mas, pelo que verifico, não usam os argumentos para além do limite da ferramenta. Somos um pais de homens idealistas mas sem ideias, com força mas sem coragem, com amor mas sem alma, com passado mas sem memória (e por último, e já agora, um país onde há monárquicos de todos os géneros, facções e feitios mas por ora monárquicos afectos mas não praticantes!!!). E porquê? Porque rareia a liberdade! "A Liberdade"! Porque os ideais, a força, o amor, a memória, e todos os adjectivos concretos no Homem só funcionam quando livres dentro de nós. Quando não temos de pensar. Quando agimos sem querer. Quando não olhamos para fora, nem para o lado, mas vemos o que "há para ver". A liberdade, que tento exprimir, é a minha e não tenho de lutar com a dos outros para a conseguir. Está e é em nós! Ser "ocupado" pelos que procuram a liberdade alheia, como se fosse sua, massificada, como se a conquista da "Liberdade" fosse o produto da soma de maiorias é principio da nossa prisão. E estamos presos sem nos apercebermos. Ler os escritos do Miguel, algures quase perfeitos, prosaicos e eloquentes como o doctus de Camilo, é uma prova de que a "liberdade" pode ser recuperada. Porque a escrita num "blogge" é sintomaticamente uma voz – só mas imensamente audível. Algures nos teclados anónimos a "regeneração" da individualidade se calhar já se iniciou!

Abraços
João