11 de agosto de 2008

Eu sou


Sou mais feliz desde que a tua pequena mão tocou a minha — desde que o teu coração fez o meu peito dilatar e me expôs de novo à claridade, nesta nudez em que eu guardo tudo aquilo que aprendi de imaculado. Quando eu te agarro sou pequeno como tu. Ainda estou. E os teus risos de aurora são palavras libertadoras que me fazem renascer!

Vou-te contar um segredo: antes de ti, antes da tua irmã, antes da tua mãe, eu era só. Pendurado na lembrança dos braços da minha mãe, que nunca deixou de me envolver, tudo o que eu tinha era esse amor. Quando passeava esquecido de mim procurava por vós. Às vezes, confesso, sentia que o único amor que eu teria — iluminado de luz —seria o da minha infância, eternamente encantada pela magia dos doces afagos, de todos os amanheceres. De noite, na minha almofada, sonhava com se tudo fosse um filme. Mais tarde, no silêncio, acalmava com o tic-tac de um relógio que me soava do puro horizonte do nada. Um dia, ao acordar, cresci. Como se de repente o mar à minha porta me levasse e arrastasse ao encontro de um imenso coral de olhar azul que se abriu em mil braços e libertou o pulsar da minha paixão.

Quando eu te agarro sou pequeno como tu. Ainda estou. E os teus risos de aurora são como eu fui, eu sou.


João
2005