30 de agosto de 2008

Férias


Quinze dias de férias. Envolto pela meiguice das minhas filhas, pela imprescindível presença da minha mulher. Quinze dias sem querer ler um livro, sem ler um jornal, sem qualquer necessidade da televisão (cada vez mais abjecta), sem rádio. Sem computador. Sem telemóvel. E a vida correu, necessariamente, através das coisas realmente importantes. Continuei a ouvir o mundo, através do céu e das ondas, da voz da Joana e da Beatriz, dos meus próprios queixumes, dos meus pensamentos. Para mim "férias" são o abraço com a minha família, o meu verdadeiro sol. Nas férias parto sem partir enquanto acolho o amor que me faz sentir importante e onde me estafo por descobrir e partilhar. De volta às minhas obrigações, sinto que o descanso é receita para quem não tolhe esforços. Como posso me cansar se o que me cansa é o supérfluo e o marginal? Cada vez mais tenho vontade de me desligar da "paisagem" que me querem obrigar a assistir e cada vez menos dou comigo a acreditar neste mundo uniformizado, sem rugas, onde nos dizem que tudo se resolve no papelzinho que colocamos dentro da "urna".