3 de agosto de 2008

Uma carta a Beatriz

Querida Beatriz

Neste momento, em que a tua mãe te está a ler esta carta, devo estar no comboio, algures entre Porto e Lisboa. Já há muito tempo que não ando de comboio! Hoje acordei cedo. De noite, quando o céu está escuro sem estrelas. Acordei quando te senti a entrar na minha cama, como se te sentisse a entrar em mim. E já não quis voltar a adormecer. Aproveitei a tua presença para te pedir desculpa, baixinho. Desculpa Beatriz. Não te queria ter batido, da maneira dura como te bati ontem. As três palmadas fortes que te dei foram três certezas de como errei. E sabes porque eu sinto assim? Porque me magoei! Porque a “força” que eu sinto para te amar não se pode transformar em dor! Um dia, quando cresceres, talvez essas surras te venham à memória com um sorriso. É sinal que me perdoas-te. Entretanto, enquanto viajo, talvez até enquanto sonho, quero que brinques e que imagines que o mundo é feito só de brinquedos e que eu sou uma música, um desenho de pintar. Se quiseres imagina um comboio, lá ao longe. Olha o barulho que ele faz! Olha um túnel! Olha as montanhas! Deixa-o ir. Deixa-o passar. Estás a ver ao longe a estação? Espera por mim de braços abertos, Beatriz. Cheguei. Quero chegar!


o pai que te ama
João
01.02.2008

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