13 de setembro de 2008

Os meus heróis


Apesar da pouca visibilidade dada pelos nossos média aos jogos Paralímpicos, de Pequim, tenho conseguido acompanhar os resultados. Estou orgulhoso. Sinto-me um deles. Quem me dera! E quando, em pormenor, reparo que são portadores de uma deficiência enalteço, ainda mais, a coragem e o sentido que comportam. Ontem, ao ver as imagens na Eurosport dos nossos atletas a gritar Portugal, Portugal, chorei. Talvez não só emocionado pelo evento. 
Cada vez mais, custa-me conviver nesta sociedade, civil e política, alheada e cega pelos novos "valores da modernidade", onde dizem que nos querem todos "iguais" mas tratam tantos (por muitas razões) com deliberada indiferença. Nesta sociedade medíocre sem valores pátrios ou colectivos tudo soa a "caridade", "subsídio". Nesta política onde o que importa só é importante por "agenda". Perdemos o altruísmo. Agora criamos "relações". De poder. De favor. Relações de interesse. Relações de moda. Atiram-nos o tempo dos jovens-adultos, perfeitos, bonitos – eleitores. E agora surgem os Adultos-jovens.
Num Estado que favorece, com o rendimento mínimo de inserção ou outrem, dezenas de milhares de pessoas portadoras de saúde e muito tempo para trabalhar, ouvir falar das dificuldades que alguns jovens, ou adultos, deficientes têm em arranjar dinheiro para uma cadeira de rodas, ou para uma prótese, é no mínimo caricato. Mas já nada me admira neste resto de país em contínuo caminho para o socialismo.
Para os atletas com deficiência, os que foram e os que não foram a Pequim, o meu obrigado. Pela coragem, pela força e pelo exemplo que dão. Que são.

1 comentário:

Nêspera disse...

"Oh mamã, aquele senhor não tem vergonha de só ter um braço?"

"Humm, sabes que ele nada mais depressa do que eu, que tenho dois braços? Quem é que devia ter vergonha?"

A partir desse momento, o teu afilhado quis ver todos os resumos dos Jogos e ficava muito impressionado com a coragem dos atletas.

Beijinhos da Inês