31 de outubro de 2008

O que é importante não se "compra"

Obrigado, querida Joaninha, pelos teus beijos que vivificam e se sobrepõem a qualquer crise.
 

30 de outubro de 2008

Uma carta por uma ideia por sermos "todos" iguais



Exm Sr. Ministro Teixeira dos Santos

Apraz-me dirigir-me a Vª. Exª. pois influenciado pela sua brilhante reconfirmação, como hoje se diz, de esquerda, de as empresas (e os empresários) serem obrigadas a entregar, legitimamente, o imposto, vulgo, IVA a seu tempo e boas horas, sem apelo nem agravo [mesmo que não tenham conseguido receber o dito IVA que tinham de entregar (parece confuso mas não é...)]. Escrevo-lhe, assim emocionado, para lhe enviar uma ideia – esperando estar a contribuir para que esta minha pequena contribuição, que vem na senda dos seus doutos propósitos e esforços, seja uma ajuda para a nossa república, os nossos cidadãos e os contribuintes em particular: Porque não, sr. Ministro, todos os trabalhadores dependentes serem obrigados, também, a entregar antecipadamente o IRS mesmo antes de receber o seu ordenado? Isso! Mesmo aqueles, claro, que têm os ordenados em atraso!

Cordialmente,
Com a devida vénia

João Amorim

Na prática nada de novo apenas a confirmação de um governo desesperado


Na prática é e era assim. mas a confirmação desta notícia vem de forma explicita lançar o epíteto: O Estado quer dinheiro nem que seja à custa de vitimas de calotes. No fundo esta lei beneficia quem age mal, prevarica, encomenda e não paga.

A ler:
Estado exige IVA mesmo que transacções não sejam pagas
Jornal Público, 30.10.2008, Vítor Costa
Orçamento do Estado para 2009 prevê que a não entrega de IVA por uma empresa seja punida, mesmo que cliente não lhe tenha pago

"O Governo quer que as empresas que não entreguem o IVA ao Estado dentro do prazo legal sejam punidas, independentemente de ainda não terem recebido dos seus clientes. A intenção do Governo vem expressa na proposta de Orçamento do Estado (OE) para 2009 e surge com o objectivo de contrariar recentes decisões dos tribunais que, face à legislação em vigor, entendiam que o fisco não podia "multar" os contribuintes que se recusavam a entregar o IVA por não terem recebido dos seus clientes.
Na prática, uma empresa, quando vende um bem ou presta um serviço, exige ao seu cliente um determinado valor acrescido do IVA. E é esse valor de imposto que a empresa tem de entregar ao Estado a partir do momento em que a venda é feita. Acontece que, muitas vezes, essa venda ou essa prestação de serviços só é paga vários meses depois, ou pode mesmo não ser paga. Mas independentemente disso, a administração fiscal tem vindo a "multar" as empresas que não entregam o imposto."

Sabendo o Estado, o governo, o sr. presidente desta república, todos os cidadãos, que a factura é o modo/forma de processamento e confirmação do negócio e que no caso dos pagamentos de serviços, matérias-primas e afins vigora a génese do limite de pagamento a 3o dias, e também sabendo toda a gente que cada vez mais os 30 dias se transformam em muitos meses ou anos, este brinde que o governo dá ao país requere alguma reflexão.................
Ou a lei se vai adequar à realidade ou então a "realidade" vai ter de se adequar à "lei" e os pagamentos vão ter que passar a ser todos a pronto pagamento. Está o Estado interessado? Nem pensar. O que o governo pretende por qualquer meio é comprometer as empresas, e os gestores, e que os "fornecedores" sustentem os gastos do Estado, até na lógica da captação de impostos.
Esta lei é uma boa imagem do processamento mental e ideológico que vigora neste país....

29 de outubro de 2008

Querubins, querubins


Somos um país mágico, habitado por querubins, serafins, afins e outros anjolas. Envolvem o nosso ego. Preparam o nosso salmo. Guardam o nosso espírito. Acompanham os nossos percursos para não estarmos sós. Vivemos adornados pela flechas, pela música, pelos rufar dos novos anjos deste Éden Português que nos guiam com subtileza e descrição evitando que caiamos no pecado de ir contra os mandamentos supremos deste regime. Já os vejo pela internet a vigiar todos os e-mail, todos os blogges que pensávamos pertencerem ao nosso pensamento e domínio. Não tenhais medo, eles dizem fazer bem. Apesar de alguns terem asas de abutre, serem canhotos de língua e hipócritas no sermão.

28 de outubro de 2008

os "Apontadores"


Todos as sociedades os têm. Todas as épocas foram pródigas para o seu aparecimento. Em Portugal florescem como a murta nas montanhas. Em Portugal todos querem "apontar". Todos acham que têm a virtude, a sabedoria, o sétimo sentido da razão, a supra-opinião, todos são lentes na arte de apontar o mal que nos tolhe. Mas uns mais do que outros: quem é de esquerda aponta, quem está à direita olha para onde a esquerda está a apontar! Porque eles são a "razão"! Não é só sobre esta crise financeira! É sobre tudo. O sr. Manuel Alegre, por exemplo, para além de poeta, é um apontador, ele bem nos tinha apontado; o sr. Vital Moreira, é outro dos apontadores-mores. Graças a Deus. Obrigado esquerda. Da suprema orientação. 

25 de outubro de 2008

Inevitável


Tudo serve para fazer política. Tudo serve para avisar o povo! Que bem enquadradas e desinteressadas estão as expressões "(...) o Deus das religiões monoteístas", "activista político", "desforras dos oprimidos", "viva Cuba", "um exemplo".... o que dirá este sociólogo daqui a uns anitos do Cristiano Ronaldo?

intermezzo







24 de outubro de 2008

Há tanto pouco tempo


Zanga-te assim. Para que os meus sonhos, eu possa rever. Outra vez. A minha zanga. Zanga por zanga. Nervos por nervos. Calor por calor. Batida por batida. Respirar. Respira. Cai. Fala baixinho. Deixa-te estar deitada. Como há pouco tempo. Meu amor. Há tanto pouco tempo.


In-éditos, 1996

"Prémio Dardos"


Fui "atingido" por um "Dardo" enviado pelo meu amigo Luís Bonifácio e o seu blogge Nova Floresta, concerteza mais pela antiga e fiel amizade que nos une do que pela qualidade da prosa que tento exprimir neste "paraíso" difícil de atingir. Já que o prémio assim motiva, aproveito a oportunidade para agradecer ao Luís Bonifácio e declarar com o coração cheio que fazem falta muitos "Bonifácios", pela sua integridade moral e intelectual, inteligência e visão de futuro.

Como faz parte das regras vou enviar 15 "dardos". O meu critério é o teor/personalidade dos blogges enquanto objecto ideacional, matéria e estética



Informações sobre o Prémio Dardos:
“Com o Prémio Dardos se reconhecem os valores que cada blogueiro(a) emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras.

Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiro(a)s, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web.

Quem recebe o “Prémio Dardos” e o aceita, deve seguir algumas regras:

1. - Exibir a distinta imagem;
2. - Linkar o blog pelo qual recebeu o prémio;
3. - Escolher quinze (15) outros blogues a quem entregar o Prémio Dardos.”

23 de outubro de 2008

Super políticos

– Ouve minha linda.... quem é o super desta terra?
– É o Sócrates, meu forte... herói!
– Quem é esse?
– É um super-herói português, mas ao invés de si, tem um P e um S ao peito, fica mais composto,..... e faz parte da liga dos super-heróis, todos com "PS", ao peito, conseguiram partir isto tudo em tempo "record" e não há Kryptonite que lhes chegue.... até têm um símbolo que é uma "mãozinha" a dar porrada de cima para baixo... 


22 de outubro de 2008

Porque razão ainda não sou comunista


Num artigo do jornal "Público", on-line, pode ler-se um título muito sugestivo, tão sugestivo que me levou a lê-lo: "Oscar Niemeyer explica porque razão ainda é comunista". Muito bem. Depois de ler o pequeno artigo, e de não ter percebido muito bem se ser "comunista" influenciou ou não o seu génio (e o dos "artístas" em geral), estou em pulgas para escrever o meu artigo: "João Amorim explica porque razão ainda não é comunista".

– Porque nasci e cresci educado por valores que induziram a minha individualidade; porque acredito na individualidade e independência, formal e material; porque não receio construir e evoluir ante os meus limites; porque a afectividade é parte maior na relação entre indivíduos, no amor, face-a-face, só, no outro-livre; porque o desejo de estar, ser, em harmonia com o meio é uma relação dual; porque sou fruto de uma cultura de experiências, digo, de uma cultura socio-moral; porque acredito na harmonia do parentesco e no relacionamento enquanto partilha; porque enquanto indivíduo sonho em alcançar o mundo-meu-território, advir da minha liberdade.

– Porque não sou produto de uma prole indiferenciada, porque não aceito o pensamento estranho como meu, porque reclamo o meu nome e as minhas diferenças, porque não sou indiferente, porque não sou indissociável do meio uno-parte dos meus afectos, porque não desejo convergir numa "massa" mental de pensamento/comportamento único, básico, in-evolutivo, porque não aceito que me apontem uma doutrina opressiva como lógica da "liberdade", porque não tenho complexos de ser quem sou e não gosto que me digam o que fazer, quem amar, o que comprar, qual a posição social que tenho de ter e, por fim,  para não dizer muito mais, não sou ressabiado.


21 de outubro de 2008

Coragem e Dever

5 de Outubro de 1910. Cruzador Adamastor. Porto de Lisboa. Revoltosos entram a bordo do navio provocando um motim para se apoderarem de munições e apontar canhões para o Terreiro. O tenente Mendes Cabeçadas aponta uma arma à cabeça do capitão-mar-e-guerra Augusto Carlos Saldanha e diz: Dá-me a chave do paiol. Uma resposta: Só dou a chave a quem me confiou. E atirou-a ao mar! Os revoltosos demoraram 4 horas a rebentar com a porta-cofre. Foi o seu acto de coragem que influenciou a decisão de o manterem vivo. O resto, tortura, prisão por vários anos e não progressão na carreira. 14 de Maio, de 1915, quartel de Alcântara, Lisboa. "Repúblicanos", "civis" e militares saqueiam e assaltam pela cidade de Lisboa à procura de comida, no que se viria a transformar num "movimento revolucionário" que custa centenas de mortos. Estando nesse dia de serviço, no Batalhão Naval, Augusto Carlos Saldanha opôem-se à desordeira ocupação do quartel por simpatizantes monárquicos que o conheciam e que queriam tirar partido do facto. Foi alvejado com 6 tiros. Sobreviveu. Por mérito, foi Grande-Oficial da Ordem de Aviz e da Ordem de Torre e Espada e membro do Conselho das Ordens. O seu nome não consta no Museu da República.

Dilação


Decorreram eleições para o Governo Regional da Madeira, ganhou o PSD. Decorreram as eleições para o Governo Regional dos Açores, ganhou o PS. Nos Açores dos 192.000 recenseados, votaram 90.000. Os restantes não votaram, estavam fora, não quiseram saber. Não tiveram interesse ou não tinham interesses. Votaram os que queriam garantir a continuação da coisa. A maioria dependente. É assim que se faz política. Garantindo a continuação das coisas, ali, nos Açores, na Madeira. Para o ano será cá. Quem está instalado vai querer manter mais uma "vitória", a sua, a deles, não vá a vida mudar e perderem-se as garantias das filiações ou dos compadrios, a grupo ou amiúde, do grande tacho ao pequeno emprego. Vai-se gesticular o medo. As diferenças. Com as crises vem o medo. O medo de perder. Ganhará o partido que garantir mais estado, mais subsídio-dependência – e tudo "embrulhado" na hipócrita profissão do áureo  futuro! E dizem que o "25 de Abril" trouxe independência? Dentro de quem?

20 de outubro de 2008

Umas estrofes




Eu já fui a Princesa dos Amores,
Já vivi em palácios encantados.
Vim ao mundo entre risos e entre flores,
Afagada entre rendas e brocados.

Já fui astro de rútilos fulgores.
Já brilhei em céus puros, constelados.
Já dei luz, energias e calores
Pr'a vencer amarguras e cuidados.

Já fui cofre de santas afeições,
E já por mim estrofes e canções
na batalha da Vida ouvi cantar!

Já dei Fé, já dei Vida, Luz, Esperança...
Já fui nas tempestades a Bonança,
Já fui mais... já fui Deusa num altar!

(...)


De Metamorfoses,
Maria Amélia Camossa Saldanha
Muradal, 1935


18 de outubro de 2008

Os políticos e os cidadãos mete-nojo-só-para-os-outros-mas-sem-culpa-alguma


Apenas isto. Já se torna insuportável ler e ouvir os comentários dos políticos face à "crise internacional". Já se torna insuportável ler a maioria dos comentários dos anónimos e vigorosos comentaristas a toda e qualquer notícia escrita. Já se sabe. Muito diagnóstico. Quanto a soluções e roturas nada. É preferivel continuar a "patinar" no ringue. E o pior, quanto a culpas, nenhumas. Dos políticos nem uma frase a assumir o próprio desempenho. Dos comentaristas, profissionais ou ressabiados, nem uma frase a assumir o próprio desempenho. A "culpa" é dos outros. Do PS para o PSD, do PSD para o PS. Não. A culpa não é minha se me endividei! A culpa é do "liberalismo" que me mandou endividar! A culpa não é do "cidadão" que intencionalmente comete um crime. A culpa é do "socialismo" que governa "à direita"! Não. A culpa não é do cidadão que não consegue emprego ou "aquele" emprego! A culpa é dos ricos e dos empresários, esses porcos, a abater, que não criam emprego para os trabalhadores poderem laborar e poderem exprimir o direito à greve, sem arriscar os cabedais próprios! Mas a  culpa, essa, na verdade, é nossa. Porque permitimos que os governos naveguem à vista, sem critérios que não a subsistência dos interesses partidários. Porque vivemos demasiado uma outra vida que não a nossa, dos nossos limites e afectos. Porque nos perdemos no discurso fácil da propaganda, porque é mais fácil ouvir do que ler, receber do que procurar. Porque aceitamos que nos apaguem o passado em prol da demagogia de "classes" e do modernismo, esse estado nunca alcançado. Porque não fazemos contas. Nem em casa nem à boca das urnas. E no fim, somos todos vitimas. Infelizmente somos, só que uns passivos outros activos. E curiosamente as vitimas activas são a grande maioria. São muitos dos que agora metem-nojo-sem-culpa-alguma. Eu assumo e reservo as minhas culpas pessoais e no campo da cidadania não posso acreditar neste regime nem nesta fornada de políticos patê. Porque acredito na Democracia, de facto, não no teatro demagógico assente no processo meramente eleitoral. Porque acredito em Portugal, como um todo histórico de memória. Porque quero um país que saiba viver e salvaguardar os "valores que não mudam" e assim conseguir construir uma sociedade que saiba evoluir e desenvolver novos valores.

16 de outubro de 2008

Défice?

Qual défice? Do mercado? Da economia? E os outros défices? Não haverá ninguém responsável, ou que tenha tido responsabilidades, nestes governos, de há 34 anos para cá que assuma a falência em que nos encontramos? Porque se escondem os gestores políticos desta Bolsa trespassada em que se encontra Portugal? E o défice da cultura, da identidade, o défice da educação, da esperança, dos valores, o défice social, da legítima credibilidade e expectativa perante a lei? As questões da economia afluem quando procuramos e assumimos o detalhe! E quanto ao défice imaterial, estamos avisados do preço que isso nos vai custar?


Casar nestes ventos

C'azar nestes ventos

– Deixa-me, mulher, que eu sou casado!
– Mas Toní, eu preciso de um homem para procriar....
– Ai, mulher.... que se o meu Joaquim nos vê, ele é tão ciumento.... agora deu-te para isto!
– Mas Toní, e tu julgas que a minha... hum... mulh....cônjuge.... Maria é pêra-dôce, julgas....?

Hipocrisia


Em momentos de "crise" espera-se ponderação e responsabilidade. Um país não é um "clube"! Um grupo de amigos! Mas, ao invés, este governo trata o regime e dos que a ele se alapam com uma lógica diferente da contenção que o momento exige.

Com exemplos destes, poderão os cidadãos perceber o esforço que se lhes pede?  Poderão os cidadãos aceitar o "benefício" desta causa?

Presidência:
O Orçamento do Estado para 2009 prevê que a Presidência da República, liderada por Cavaco Silva, receba 20 milhões de euros, mais 1,6 milhões de euros do que em 2008

Parlamento:
O Parlamento vai receber 170 milhões de euros, mais 72,6 milhões do que em 2008. O aumento é justificado pelo financiamento de três eleições e pelas subvenções aos partidos em 2009

14 de outubro de 2008

4 dias de festa merecida que podiam ser 100


Vai abrir em Portugal, precisamente em Matosinhos, o maior shopping da Ikea. Serão 4 dias de festa, de folia, onde o ponto alto será a actuação da Mariza com Rui Veloso. Dois mil convidados, em festa privada! Depois, concursos. Alegria. Satisfação. Qual a motivação e o propósito? A propósito de um Shopping. O maior da Ikea na Europa. Mais emprego. Ou mais futuro desemprego? Não vamos por aí! O que interessa é que o povo terá mais uma "casa", mais um "lugar". Mais um refúgio? Mais um espaço de partilha numa nova passerelle de luminosas vitrinas – que iluminam e guiam com doce luz –, mais um espaço para encher a consciência e os sentidos, tão de acordo com o presente Estado, destes tempos bons para o Homem! O povo português sente-se bem num shopping! Porque num shopping é-se e tem-se tudo. Tudo. O que não se tem.

13 de outubro de 2008

Mas, se há "cunhas", e o povo até gosta, para empregos porque não "cunhas" para casas?

... e se os outros presidentes fizeram o mesmo nesta coisa corriqueira instalada, e um deles até chegou a sr. presidente da república portuguesa, porque não haverá o sr. Costa de dar também umas casitas? Se pegarem com o sr. Costa e com esta normalidade terão de pegar com os outros, anteriores, presidentes, com o dito que chegou a presidente da república, e com outras ditas coisas deste regime de coisas. 
Quanto ao valor das "rendas". Isso é outra coisa! E não confundir justiça com inveja!

10 de outubro de 2008

Aniversário


Hoje, dia 10 de Outubro de 2008, faria 42 anos o meu querido irmão Manuel Bento. Vitima de um trágico acidente, em 1990, causado por um "colega" que se revelou um verme covarde sem escrúpulos nem carácter, a sua presença perdura em mim como se ele nunca tivesse partido, naquela noite que se tornaria escura. A dor passou. Ainda passa. A justiça que devia ter sido feita pela  justiça, e que não foi,  deixei-a – na mão de Deus. 

Querido irmão. Como me lembro de ti, de nós. De todos. Lembras-te daquele Natal em 72, tão feliz, na escola João de Deus? Os três manos, rapazes, com as camisolas iguais, como gostávamos de andar. E tu, o mais pequeno sempre no nosso meio! Ainda hoje te faço cócegas, te irrito e te acho quase igual a mim. Vem para o pé de mim, Manelzinho. Aqui. Onde eu estou. Onde estás sempre.

8 de outubro de 2008

Mundo grave



Vivemos e vamos vivendo num mundo grave. O abandono dos benefícios da cultura imaterial em prol do metal virtual está a produzir os seus efeitos. Não é desta recentíssima civilização on-line, ou civilizações sobrepostas – em que galgamos o tempo – é o sintoma dos novos valores, dos profetas/condutores das novas res-públicas de cidadãos ávidos, famintos apoiantes das "regalias" materiais. Os mesmos que proclamam os bens por direitos, o verbo ter-porque-ter-porque-iguais, irão pagar os ditos títulos. Com juros, acrescidos sobre o nada. Será mais fácil, a partir de agora, perceber a palavra Construir?

6 de outubro de 2008

5 de Outubro


Porque é que ainda mantêm um feriado neste dia?



2 de outubro de 2008

2 de Outubro. 1995.


O dia mais feliz para mim. Tudo o que senti nesse dia ainda se mantêm. Através de ti acabei por descobrir que a vida é uma saudade permanente, misturada sem tempo sem explicações. No dia em que nasceste a tua presença confirmou muito do que eu acreditava e fez-me sentir uma esperança que eu há muito não sentia. Querida Joana. Minha querida Joana. Sinto-me como uma palavra, como um poema que pode acontecer. Estou nas tuas mãos como uma semente que quer ser atirada para nascer de novo, no berço-terra em que adormecia e com que sempre sonhei. É este amor que me dás que inunda e preenche a solidão que eu fui. És tu a clara luz que me diz para ver.


o pai que te ama
João

1 de outubro de 2008

Por um "capitalismo" e por um empreendorismo com ética

O proteccionismo, o estatismo e o colectivismo acabam, sempre, por empobrecer, fechar horizontes, levar à substituição da manteiga pelos canhões e artificializar monopolistas. Tudo o que se opõe ao capitalismo acaba por escravizar e imobilizar. No fundo, o que os inimigos do capitalismo pretendem - à esquerda como à direita - é restaurar uma sociedade de serviçais do Estado, quando não uma sociedade de ordens. Ora, estas sociedades fechadas e privadas de competição, ao invés de desenvolverem a justiça, acabam por colectivizar a pobreza. Esta não é a crise do capitalismo. É a crise de uma distorção do capitalismo, como é o fim da ilusão que o mundo é uma aldeia. O mundo não é uma aldeia, a liberdade económica das nações e dos povos estriba-se na segurança garantida por regras que evitem o desinvestimento, as "relocalizações" e a especulação. Foi essa atenção ao balanceamento entre o interesse colectivo e as justas aspirações individuais que fez a riqueza do Ocidente. A ele temos, pois, de voltar: voltar à produção, à empresa, ao trabalho e ao lucro.


In Combustões