18 de outubro de 2008

Os políticos e os cidadãos mete-nojo-só-para-os-outros-mas-sem-culpa-alguma


Apenas isto. Já se torna insuportável ler e ouvir os comentários dos políticos face à "crise internacional". Já se torna insuportável ler a maioria dos comentários dos anónimos e vigorosos comentaristas a toda e qualquer notícia escrita. Já se sabe. Muito diagnóstico. Quanto a soluções e roturas nada. É preferivel continuar a "patinar" no ringue. E o pior, quanto a culpas, nenhumas. Dos políticos nem uma frase a assumir o próprio desempenho. Dos comentaristas, profissionais ou ressabiados, nem uma frase a assumir o próprio desempenho. A "culpa" é dos outros. Do PS para o PSD, do PSD para o PS. Não. A culpa não é minha se me endividei! A culpa é do "liberalismo" que me mandou endividar! A culpa não é do "cidadão" que intencionalmente comete um crime. A culpa é do "socialismo" que governa "à direita"! Não. A culpa não é do cidadão que não consegue emprego ou "aquele" emprego! A culpa é dos ricos e dos empresários, esses porcos, a abater, que não criam emprego para os trabalhadores poderem laborar e poderem exprimir o direito à greve, sem arriscar os cabedais próprios! Mas a  culpa, essa, na verdade, é nossa. Porque permitimos que os governos naveguem à vista, sem critérios que não a subsistência dos interesses partidários. Porque vivemos demasiado uma outra vida que não a nossa, dos nossos limites e afectos. Porque nos perdemos no discurso fácil da propaganda, porque é mais fácil ouvir do que ler, receber do que procurar. Porque aceitamos que nos apaguem o passado em prol da demagogia de "classes" e do modernismo, esse estado nunca alcançado. Porque não fazemos contas. Nem em casa nem à boca das urnas. E no fim, somos todos vitimas. Infelizmente somos, só que uns passivos outros activos. E curiosamente as vitimas activas são a grande maioria. São muitos dos que agora metem-nojo-sem-culpa-alguma. Eu assumo e reservo as minhas culpas pessoais e no campo da cidadania não posso acreditar neste regime nem nesta fornada de políticos patê. Porque acredito na Democracia, de facto, não no teatro demagógico assente no processo meramente eleitoral. Porque acredito em Portugal, como um todo histórico de memória. Porque quero um país que saiba viver e salvaguardar os "valores que não mudam" e assim conseguir construir uma sociedade que saiba evoluir e desenvolver novos valores.