22 de outubro de 2008

Porque razão ainda não sou comunista


Num artigo do jornal "Público", on-line, pode ler-se um título muito sugestivo, tão sugestivo que me levou a lê-lo: "Oscar Niemeyer explica porque razão ainda é comunista". Muito bem. Depois de ler o pequeno artigo, e de não ter percebido muito bem se ser "comunista" influenciou ou não o seu génio (e o dos "artístas" em geral), estou em pulgas para escrever o meu artigo: "João Amorim explica porque razão ainda não é comunista".

– Porque nasci e cresci educado por valores que induziram a minha individualidade; porque acredito na individualidade e independência, formal e material; porque não receio construir e evoluir ante os meus limites; porque a afectividade é parte maior na relação entre indivíduos, no amor, face-a-face, só, no outro-livre; porque o desejo de estar, ser, em harmonia com o meio é uma relação dual; porque sou fruto de uma cultura de experiências, digo, de uma cultura socio-moral; porque acredito na harmonia do parentesco e no relacionamento enquanto partilha; porque enquanto indivíduo sonho em alcançar o mundo-meu-território, advir da minha liberdade.

– Porque não sou produto de uma prole indiferenciada, porque não aceito o pensamento estranho como meu, porque reclamo o meu nome e as minhas diferenças, porque não sou indiferente, porque não sou indissociável do meio uno-parte dos meus afectos, porque não desejo convergir numa "massa" mental de pensamento/comportamento único, básico, in-evolutivo, porque não aceito que me apontem uma doutrina opressiva como lógica da "liberdade", porque não tenho complexos de ser quem sou e não gosto que me digam o que fazer, quem amar, o que comprar, qual a posição social que tenho de ter e, por fim,  para não dizer muito mais, não sou ressabiado.