25 de novembro de 2008

Poesia sem hipocrisia


Que mão é essa, que enfreando os mares
De mar circunda a agigantada terra?
Quem é que accende luminosos globos?
Rutilos astros?

Tu, que ao homem, a quem déste o genio,
Verteste a essencia do Teu Ser mais puro,
Perdôa ao vate que tentou sagrar-Te
Canticos d'alma

Atheus descrentes, que dizeis acaso
As maravilhas que a Razão deslumbram...
Vêde este quadro! Não sentis no peito
Jubilos santos?

Negai, agora, se podeis ainda,
A Omnipotencia da grandeza etherea...
Que existe um DEUS – hão de attestal-o eternos
Lucidos mundos!



António Pinheiro Caldas
"Gloria a Deus"; Maio de 1864. Poesias (2ª edição)