16 de novembro de 2008

Tudo a eito


Um dos graves sentimentos que os regimes socialistas/comunistas têm passado, ao longo dos anos, é a noção da diluição das "diferenças" entre cidadãos, confinadas no âmbito das "lutas de classes". Se não for por magia será por força decretada. Todos devemos ser iguais! Esta linha de pensamento básico não faria mal ao mundo não fosse ela ser o anáthema dos ditos regimes que a praticaram. Uma outra visão, mais precisa, e que eu intransigentemente defendo, é estarmos em igualdade ante a lei – a que devemos estar todos linearmente sujeitos. Esta visão objectiva do homem perante uma lei comum, para todos, é a forma mais interessante de se perceber o que move alguns homens a desejarem a "natureza comum" para todos, quiçá, inspirados na origem comum que advém dos progenitores "Adão e Eva"! Curiosamente, esse desejo de acabar com as diferenças de origem, esbarram sempre nas diferenças do homem! Ideia incongruente quando os mesmos que querem abolir as diferenças sociais procuram, ao mesmo tempo, distinguir e particularizar as minorias pelo direito às suas diferenças. Sendo que aqui as diferenças já se tornam um direito. É pois por aí que eu não consigo imaginar uma sociedade homogénea, indistinguível. Uma sociedade onde todos de fraque, ou fato-macaco e com o mesmo chip mental pudéssemos vir a ter algo de distinto a partilhar. 

O problema a que temos assistido sobre a reforma da Educação, em particular a oposição dos professores às mudanças do sistema de avaliação, não é mais do que uma reacção ao fenómeno de tentativa de regularização do ensino, rumo aos novos valores das esquerdas modernas. Impor regras gerais para todos e esquecer que uma sala de aulas é um espaço de pessoas com diferentes realidades é um erro ignóbil cuja principal vítima será o aluno, futuro cidadão. A "natureza comum" – a "ideia-comum" –, que pretendem que venhamos a ter, não pode ser feita à custa de passagens administrativas e imposições de presença nas salas de aula. Os professores estão agora a sentir o peso da lei que, para além de decretar o ensino para todos, lhes impõem rácios e metas, políticas, mesmo que estas sejam o adverso do que devia ser o objectivo do consagrado ensino: formar, educar, construir, partilhar, criar o sentimento do mérito e o valor da responsabilidade. A Escola substituir-se aos alunos e dizer – menino, agora vais até a faculdade! é algo que repugna a ideia de personalidade e de "liberdade", apregoada.

Portugal continua a progredir, dizem, é da nossa natureza. Enquanto o "mérito" não vingar e a sociedade não se erguer dos complexos, os "partidos", as "cunhas" e os "doutores" farão o resto. Do resto que nos resta...

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