7 de dezembro de 2008

Quem fomos...


Ir a votos. A nossa Razão foi a votos desde 1910. Não bastava a democracia parlamentar; o raciocínio social. O desígnio que se abateu sobre este país ficou traçado logo às primeiras linhas vesgas de um projecto sem arquétipo, nem futuro. Fomos "arrendando" a nossa pátria na falsa ideia de podermos obter benefícios com este ignóbil aluguer. A quem interessa a República? Como podemos – hoje, mais do que nunca – acreditar que o vértice da "verdade social" está no mero acto da hipotética "candidatura" a representar uma nação? Como podemos acreditar no lirismo da igualdade entre os homens quando os seus mentores carrega(ra)m na língua a pá com que abriram as valas incomuns dos seus opositores? Como podemos aceitar a divisão parental a que fomos sujeitos, hoje orfãos da nossa história, descontinuados nos nossos afectos comuns? A quem interessa esta República? Aos que comicham no estômago a dor da sua insatisfação. Aos que dizem "repartir" sem partilhar que não pelos "seus"! Aos idealistas de vida falhada com medo de olhar por si mas prontos a guiar os outros. Aos vigias; não vá ressurgir um sentimento de união popular que não esteja de foices na mão, não vá um dia começarmos a lembrar-nos quem somos....



Na foto: centenas de milhares de pessoas acompanharam as exéquias e o funeral da Rainha D. Amélia em 1951.