16 de janeiro de 2009

"até ao limite das minhas forças"


Para aqueles que acham que os heróis vestem de couro e frequentam a "noite"; para aqueles que acham que os heróis entram sozinhos em bares para andar à porrada e ainda levam para a cama a boazona; para aqueles que acham que heróis só nos "filmes", eu dedico este emotivo excerto de uma reportagem feita em 1971, no tempo em que um Herói lutava nas selvas limítrofes da Tanzânia e do Malawi como se defendesse as serras transmontanas, no tempo em que o dever e amor consumavam a Pátria de Portugal.

(...) Mas que espécie de homem é este Roxo, este Fantasma da Floresta que é já lendário em vida, que é responsável pela segurança de toda uma cidade, que dirige operações militares sem previamente ter feito qualquer tirocínio formal como Soldado? O homem de quem os residentes de Vila Cabral dizem: “Se o Roxo ficar, ficamos; se o Roxo partir, partimos” ?

(...)
“Este é o único estilo de vida que aceito levar. Passo muito dia sem comer. Sem dormir. Ando semanas inteiras ao relento, dia e noite sem ter onde abrigar-me das intempéries. Reparto com os meus homens tudo o que me chega às mãos. Sei que não aguentarei sempre. Dentro de alguns anos, as forças começarão a faltar-me. Inclusivamente, não estou livre de ter um azar. Mas, enquanto puder, cá estarei de pé firme, para o que der e vier. E depois, há os homens que lutam comigo, que confiam em mim, de mim dependem. E há, sobretudo, a população em peso da província, que conta incondicionalmente comigo. Sinto-me no dever de ajudá-la até ao limite das minhas forças. É para isso que cá ando.”


(Reportagem sobre Daniel Roxo, publicada na revista Observador, nº 14, de 21 de Maio de 1971)

1 comentário:

Nuno Castelo-Branco disse...

Pobre do Roxo..., nem imaginava o que o esperava e até de quem recebia ordens!