15 de janeiro de 2009

Heróis


O blogge "Combustões" ostenta no seu cabeçalho a fotografia de um homem cujo nome ouvi várias vezes durante o meu serviço militar em Tancos. Não seria má ideia o Miguel deixar esse ícone por uns tempos a abrir o seu blogge! Um dos meus instrutores, o sargento Capela gabava-se de ter conhecido esse homem, algures por Moçambique. Uma das tarefas que ele me dava, e que eu aproveitava para me sentar a ouvir histórias, era engraxar uma verdadeira colecção de botas. Um dos pares, de biqueira de aço, fora-lhe oferecida pelo "Roxo", o "fantasma da floresta". Se eu tivesse ouvido tais façanhas num contexto de "amigos", de café, não tinha acreditado, mas como poderia eu duvidar da prosápia de um sargento que para muitos também era um herói do ultra-mar? 
Há um nível de valores cujo estado só se alcança com o sacrifício do esforço moral ou físico. São os valores da abgenação pela própria vida em prol do colectivo e imaterial; os valores do altruísmo de carácter. Roxo foi um homem que viveu, um homem guerreiro, como poucos devem ter sido. Não conheço filmes nem documentários sobre a sua figura (o que não é de espantar num país com tantos personagens históricos mas onde os herois escolhidos são a D. Branca, os Pintos da Costa e jogadores de meia-alta). Não existem "associações" com o seu nome. Nunca vi um selo com o seu perfil. Talvez não haja nenhuma rua que o perpetue. Não importa. Os tempos que correm não elogiam homens-sem-medo, ao invés, são propícios para cobardes e hipócritas.

1 comentário:

Gabriel Cavaleiro disse...

Meu caro
Estou a compilar elementos para contar a história deste meu Herói com que convivi brevemente em Vila Cabral, 1967. Colaborei modestamente numa sua iniciativa a seu pedido. Vou contar em breve a história no meu blogue “Rio dos Bons Sinais”, http://riodosbonssinais.blogspot.pt/. E vou usar este texto seu para a ilustrar, devidamente identificado, claro.
Um grande Homem o Francisco Daniel Roxo.
Gabriel Cavaleiro