29 de janeiro de 2009

Honra perdida*


O 25 de Abril de 1974 foi feito com a esperança. A esperança que existia no coração e alma dos portugueses e que perdurava, à espreita, desde 1910. É um facto. O regime de Salazar de tão mau, tão "mau", não nos havia eliminado isso. A III República fez emergir à tona os novos-homens-politicamente-avançados que tanto purgaram pela "liberdade". Esses indivíduos, afinal, revelaram-se homens sem esperança, porque nada ousaram construir a não ser distribuir. É a honra perdida da República. Em 2009, olhamos para trás e o palco é pequeno demais para a plateia, a peça desmotivante demais para os espectadores. 35 anos de enredos promíscuos e lamacentos conseguiram retirar a esperança a um povo que já foi nação e que não é mais do que uma República, desintegrada da sua história, agora conduzida por estímulos partidários e materiais cuja rede sustenta parte da população, já de si confusa e oscilante. A III República gerou abutres sem integridade. Se é verdade que a República foi "implantada" por aqueles que se sentaram no "banco de escola" da monarquia hoje é mais verdade que a República está a ser destruída por aqueles a quem nunca foi dado um "banco de escola" para se sentarem.


*título retirado do blogge Nova Floresta

2 comentários:

Bic Laranja disse...

"Novos-homens-politicamente-avançados que tanto purgaram pela "liberdade"?
Uma purga fazia falta, fazia...
Cumpts.

Nuno Castelo-Branco disse...

Tal e qual!