8 de janeiro de 2009

A República vai parir mais do mesmo



Num dia de sol tudo propicia ser alegre. Numa mesa bem composta tudo propicia ser saboroso. Numa praia com mar azul tudo propicia uma água com temperatura agradável. Este país visto de longe propicia ser um encanto. Mas tudo é aparente até a prova de facto. Aqui tudo propicia muita coisa. Mas pouco o é. Os tempos estão bons para provas dadas e comprovações. Não é possível manter a aparência por muito mais tempo. A III República Portuguesa é um caco que nunca chegou a malga. Os pedaços estão espalhados em meia dúzia de mãos manipuladas por milhares de interesses. Os portugueses estão convencidos que estão no topo da modernidade e da máxima expressão da liberdade, agora somos iguais e votamos uns nos outros. Somos todos hipotéticos-prováveis Presidentes! Em prol do que o regime propicia andam milhões transformados em morcões. Como é possível acreditar que não é possível melhor? Entretido com a democracia o cidadão não se apercebeu que a República descontinuou a nossa história, eliminou as nossas referências, causionou parte dos nossos valores, impulsionou o ediondo mote da inveja, criou um Estado aglutinador. O cidadão vegetante, situacionista, ressabiado, frustrado pelo devaneio do sonho comuno-socialista, que prometia mundos-fundos, ainda não percebeu que as águas, desta galdéria desnudada, rebentaram há muito, mesmo há muito. Querem que o regime volte a parir mais do mesmo? Há que retirar o útero à coisa para que não seja parido mais do mesmo que de Mais não tem mesmo nada.


pintura © David Ho