8 de março de 2009

Os "importantes"


Basta ligar a televisão ou abrir uma dessas revistas semanais e deparamos com entrevistas e fogodevistas de pessoas muito "importantes". Há pessoas muito "importantes"; porque dizem coisas importantes ou porque estão em partidos importantes e por isso passam a importar ou porque têm cargos importantes ou por outra coisa qualquer de não menos importância. Agora não tenhamos dúvidas, os media não entrevistam qualquer um a não ser nos "apanhados" ou nas entrevistinhas de rua em que o povo é sujeito a perguntas folclóricas, pois as perguntas importantes são deixadas para as pessoas capazes. Temos uma sociedade equivocada na importância da "aparição" e do apareces-logo-fazes. Não sei se é pelo facto de eu não ter importância, logo não consigo interpretar a coisa, mas não consigo decifrar nas pessoas que nos dizem "importantes" (vá lá, em grande parte dos casos) razão para tanto convívio e partilha mediática e também não percebo porque é que as pessoas que realmente fazem andar este país, digo, com folha de serviço cívico e intelectual a sério, estão sentadas na plateia (por acaso até percebo). A vida está turva e isso é particularmente visível na quantidade surreal de "paineis", comentários, debates, frentes-a-frentes a dois ou a quatro não vá quebrar-se o equilíbrio das "tendências", entrevistas, cronistas, auto-biografistas. No campo político – tema de maior relevo na vidinha portuguesa – temos tanta, tanta pessoa "importante" a ministrar, a falar importâncias e jorrar "diagnósticos" e, contudo, as soluções apresentadas não passam da inevitável folhinha em branco ou então da mesma cópia-copiada do rascunho oficial para que "ninguém" leve a mal. Ás vezes penso que o país não anda para a frente porque temos de parar para ouvir o que "eles" dizem! É tempo de fazer algo realmente importante a essas pessoas importantes ou a quem foi dada importância mas que não produzem nada que importe: exportá-las...

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