4 de março de 2009

A ponte


Passados vários anos da queda da ponte de Entre-os-Rios, os familiares das vítimas choram a saudade e a frustração. Desde essa noite, de 4 de Março de 2001, que o rio nunca mais foi manso e aconchegante. A resposta "técnica" e "legal" sobre os acontecimentos tintam de negro um luto que teima em não acabar. A justiça ditou a não responsabilização humana. Não foi "culpa" de nenhum homem, dizem! Não. Não foi Deus, também não pensem. O homem construiu a ponte. E deixou-a, cair.
O antigo ministro e responsável político, à data, pelas Obras Públicas, demitiu-se na noite da tragédia. Não se devia ter demitido. O actual gestor Jorge Coelho devia ter dado a cara pela investigação e chorado a causa até aos "seus" limites. A sua demissão só ficou bem para aqueles cujo teatro ético-demissionário é prática para qualquer cenário. Não é. Uma demissão "por se ter esquecido de ter pago siza" não é o mesmo que uma demissão por inerência de responsabilidades. Não devia ser. Não podia. E o ónus ficou com a ponte. 
Os familiares das vítimas estão, com razão, assustados com as custas dos processos judiciais que lhes vão cair em cima por terem a "ousadia" de recorrerem ao tribunal. O mesmo que decretou não haver culpados. E entretanto, nestes oito anos de tempo, ninguém apareceu, entre fiscais, consultores, engenheiros, inspectores, adjuntos, secretários de estado, ministros – com remorsos – a instigar e a concluir o que fosse. Ondula, rio. Guarda ao menos a memória dos que levaste. Os que agora fogem terão sempre o medo de te atravessar.

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