14 de março de 2009

Quando não há pão, todos berram e ninguém tem razão


200 000 (mais ou menos!) juntaram-se em caminhada de protesto contra o desemprego e contra as leis deste "governo" que segundo dizem não protege os trabalhadores. As televisões filmam. Milhares de bandeiras vermelhas. Faixas. Palavras de ordem. No palco os dirigentes sindicais repetem (mais nuance menos nuance) o texto escrito vai para trinta anos. Ao lado os dirigentes partidários de uma dita "esquerda". Estes políticos – já que lá foram – podiam ao menos ser honestos e ter falado com integridade para a multidão: nunca dependerá deles a iniciativa para criar empresas ou empregar! A iniciativa para criar empresas e possíveis postos de trabalho está nos cidadãos – na multidão. O que depende deles é participar na criação de leis com ética que impeçam excessos, leis que se traduzam em relações de laboração saudável em parceria, que incutam prazer e sucesso, leis que fiscalizem a conduta de gerência, leis que obriguem a uma contabilidade honesta – mas que se insiram na realidade e não numa fantasia onde tudo é sempre resolvido à porrada. No fundo as palavras de ordem que os dirigentes vociferam são também para eles próprios! Vamos traduzir; os "políticos" presentes deviam ter dito: o trabalho compõe a dignidade do Homem, em prol dessa dignidade as leis devem proteger o "trabalhador" e fiscalizar toda a actividade empresarial, o trabalho pressupõe uma tarefa/encomenda, não se pode manter trabalho sem razão para trabalhar, sem "encomendas" não há laboração, sem laboração não há dinheiro, sem dinheiro para pagar salários não há trabalho. Para haver trabalho tem de se promover uma sociedade com homens livres, capazes e criar oportunidades e circunstâncias para se erguer a iniciativa privada e consequentemente Empresas. 
Num momento de crise em que todos sofrem pedir ou exigir mais emprego do Estado, o emprego-público-para-toda-a-vida-que-é-pago-pelos-outros-que-podem-ser-despedidos-toda-a-vida é imoral. Aliás, as regalias que os funcionário públicos têm, tal como a segurança do não despedimento, coloca em causa a propalada "igualdade" constitucional desta república... muito mais nesta altura em que muitos empregos serão perdidos irreversivelmente.
Se o Louçâ, o Carvalhas e o Sousa abrissem três estáminés e dessem emprego a muitos destes trabalhadores já estavam a ajudar. 


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