29 de junho de 2009

Obituários


Nunca fui influenciado pelo emotismo colectivo. Mas não sou insensível. Os que verdadeiramente amo, ou amei, tocaram-me com as mãos, o olhar ou a voz de perto. Mas também há gente que gosto e que nem imagina que eu existo. Aqueles que me envolveram enquanto "personagens" virtuais continuam vivos enquanto o apelo da minha imaginação os procurar. Aqueles que eu li mas que nunca vi além das letras continuam vivos enquanto as palavras me ajudarem a compor o meu cursus vivido. Aqueles que ouço através da música permanecem vivos enquanto a minha alma os aclamar. Todos os outros, os que nunca quis – ou não pude – abraçar em mim, são-me distantes. Aqueles a quem nunca toquei são-me invisíveis. Por isto, por isso, mesmo que eu não me sinta indiferente, não me consigo comover por obrigação ou por contágio.

24 de junho de 2009

Quem tem medo das palavras??


Leio e observo. Nos jornais, em papel ou on-line, tudo é higiénico, hipocritamente polido. Alguns termos, parece que saíram de circulação. A meu ver, mal. No que toca a referir a individualização de sujeitos e factos muitas palavras não tem substituição. Porque razão chamar "Jovem" a um criminoso que disparou e assassinou um inocente ou chamar "Suspeito" a um criminoso que assaltou e destruiu bens alheios. Quem tem medo das palavras? Terão sido algumas proibidas? Entre outras, para mim ESCUMALHA é uma palavra que define com alcance. Excluindo o vernáculo, perguntem às vítimas que palavras traduzem a sua revolta e o seu sofrimento!

22 de junho de 2009

Portugal decepado

Prémios para aqui e para ali


O Combustões, dirigido e escrito por um Homem-elite, Miguel Castelo Branco, atribuiu um galardão a este modesto blogge. Agradeço. Apesar de não ser assíduo na escrita e do meu tempo estar comprometido por outros afazeres é aqui que desabafo alguma da frustração por ter de conviver neste regime imoral e muito mal frequentado. Fazendo jus às regras deste prémio nomeio algumas das minhas preferências:


18 de junho de 2009

E se no resto fosse assim?


Um problema de dentes fez cair um negócio. Um jovem não passou no exame médico e não pode assumir funções no novo clube. Se existisse um exame obrigatório para os candidatos  a cargos políticos o rastreio podia estar do lado dos cidadãos. Enquanto no futebol todo o físico, dentadura incluída, importa (deve ser para a fotografia após "golo") na política a coisa teria de pender para o exame neuro-ético-moral. Lá se iam as eminências...

16 de junho de 2009

Fraldas limpas precisam-se


Horror


Quando li esta notícia tive vontade de não acreditar. Como é possível tal desfecho? Sei que o "jornalista" pode ter acrescentado qualquer "grão" mas este e muitos outros, similares enredos, são uma prova da miséria moral que grassa neste país, minado pelo "bondoso" igualitarismo teórico que cada vez mais frustra e divide. Numa altura em que os "contribuintes" pedem contas às mãos largas do Estado e reclamam "supervisão" dos seus activos eu reclamo por uma supervisão e acompanhamento social, sério e altruísta. A "metástase" está a corroer todos os membros, a começar pelos mais frágeis...

14 de junho de 2009

É grave


O presidente da República Portuguesa sublinhou em Itália que é grave o falhanço da Nato no Afeganistão. Enquanto o estado se prepara para enviar mais tropas para o dito país a fim de evitar esse falhanço, aqui nesta República tudo parece falhar ao nível da segurança. Sei que falou de "coisas" distintas mas também sei que o país observa impotente a crescente criminalidade e forças policiais na rua nem vê-las. Não tenho preconceito sobre o "uso" das forças militares em acções no território nacional; a presidência desta República deve achar que usar a "tropa" pode dar um ar "fascista", que a "tropa" foi feita para o teatro de guerra (as legitimas, como no Iraque... claro), para ajudar nas "revoluções", que interessem, ou para a "garantia" da soberania do estado! A Constituição da República Portuguesa também não dita melhor, tudo o que não for "marchar" para o socialismo não serve – mudar leis em conformidade com uma nova realidade só para grandes questões: como o aborto. O exército é mais do que isso. Fui e sou contra o fim do serviço militar obrigatório por muitas razões. Recentemente, numa passagem por Tancos, parei na porta-de-armas da base onde fiz o meu serviço militar. Na altura éramos 3000. Disse-me o cabo de serviço que estavam 16 na base, o resto não andava ou andava em serviços no estrangeiro... Lá se ia o 25 de Abril. O presidente da República Portuguesa, sublinhou em Itália que é grave o falhanço da Nato no Afeganistão. Por aqui, pelos vistos, a desordem não é grave. Viva a presidência.

11 de junho de 2009

Exemplo...



António Barreto escreveu para o "Dia de Portugal". Gosto de ler este sociólogo. Aprende-se muito com a demagogia. Em velocidade cruzeiro aparece a palavra "Exemplo"! Exemplo e mais exemplos. A força do exemplo, concordo. Eu sei. As pessoas que eu mais amava e que foram o meu exemplo desapareceram. Ficou o exemplo... Fiquei? Não sei se consigo não ser mais do que uma cópia. Este Portugal de que escreve António Barreto já é um exemplo! Um belo "mar" de exemplos que expõe os pretensos e os que os precederam, de perto, concerteza. O problema não é dar exemplo(s) é correr-se o risco de mirar exemplares! Que espera dos homens, este sociólogo, quando a ética e moral dos bons exemplos não são passiveis de decifração a não ser que sejam "exemplos" pró-amplificados-afectos à linguagem oficial desta República, que tudo "iguala" enquanto divide? Que tipo de exemplos em série pede e para quem fala o António Barreto? Concerteza não fala do regime. Pois é por aí que se deve principiar. Não basta pedir actos livres aos homens simples ou "poderosos" quando as leis cercam, quando a justiça é interesseira, quando o grito é surdina, quando o maior dos exemplares – o Estado, na sua génese e nos seus "homens" – não é exemplo nenhum.

*imagem picada em Travelling light

10 de junho de 2009

"Dia de Portugal"?


Tenho nojo das eminências que disfarçam o tronco e os membros só para ficar na fotografia. Portugal não se celebra num dia, não se lembra por umas horas, não se confina a limitados periodos de tempo, não se resume em condecorações de "cristianos" ou "anti-fascistas" nem a festarolas que se fazem só porque se fazem! O "Dia de Portugal" é meramente trabalhado para a afirmação deste regime verde-tinto! Podem por as "tropas" todas a brincar na parada que este chão não vibrará enquanto a nossa Pátria for gerida como uma avença ou a nossa história compilada às 7 "maravilhas". Pobre Camões; usado mas não cantado. Como se alguém da "organização" sentisse na pele uma só estrofe dos seus versos.

* imagem picada em Idi@s

7 de junho de 2009

"o mais importante: contar histórias"


Vi um filme chamado "Austrália". Apesar da capa cliché, do mote publicitário comum, dos actores de "top", da vulgar caracterização comercial o filme revelou-se surpreendente. Passado em Darwin à época da entrada dos japoneses na II Guerra, o filme foca a relação entre a cultura indígena e a presença dos australianos-ingleses tendo como protagonistas do principal envolvimento uma criança (que lastima ser "mestiça": "não pertenço a nenhum lado") e uma Inglesa, recém-chegada à Austrália. Não sei o que me teria mais impressionado neste enredo há dez anos atrás mas o filme evoca muito do que eu acredito. Todo o filme é um discurso de memória, ocorrida, mas sempre presente. A voz da criança que vive e relata o filme tem a ousadia de ser infantil e sábia; como se na infância fosse possível ser-se sábio – a não ser que se tivesse emergido de uma longa história! A nossa relação (e escala) com a natureza, o passado, o testemunho, o legado entre gerações, os afectos intemporais, a nossa história (pessoal e colectiva) são o timbre essencial do enredo (ladeados com alguns tiques tão genuinamente "politicamente correctos" sobre racismos e pretensões afins). O que mais me tocou foram as referências permanentes à noção da "história" que comportamos, que nos envolve e quanto mais envolve nos faz livres. A "história" que somos e da qual não devemos fugir com o risco de nunca nos voltarmos a encontrar.

5 de junho de 2009

Ainda bem?


Mas este político sabe o que quer dizer Monarquia? E porque diz: "ainda bem" (que acaba a monarquia [no sporting])? Não sabia que as "monarquias" eram nocivas mas ainda bem que indivíduos como este bloquista, tão defensor das "minorias", nos lembra que afinal não vivemos com "péssimos hábitos"...

Ler o "Combustões"


(...) "Todos somos criaturas com envolvente familiar, social, cultural e histórico: não escolhemos a nossa família de nascimento e não escolhemos a pátria em que nascemos, pois estas são-nos impostas pela natureza no acto do nascimento. As pátrias não são negócios contratuais, existem antes e depois do cidadão, pelo que Portugal não nos pertence, mas somos nós que pertencemos a Portugal. Portugal é uma fundação de destino e a identidade está disseminada pelo passado e pelo presente, nos mortos e nos vivos. Portugal não é um estar aqui negociável, não cabe em programas nem se pode reduzir a "propostas". Não cabe aos portugueses de hoje questionarem-se sobre a viabilidade ou inviabilidade de Portugal, mas cabe-lhes lutar por uma ideia portuguesa na Europa e da Europa." (...)

In Combustões


4 de junho de 2009

O sinal


Por terras do "Combustões", faleceu aos 72 anos David Carradine actor de uma das séries da minha infância. Tenho pena. Há muito que não assistia a um filme deste actor. Mas basta-me a eterna recordação do "Kung Fu", da sua jovem-sabedoria, do contraste que o personagem me incutia entre a força, a razão e o "espírito". Era outro tipo de história, de herói, sem a cultura do combate eminente, como hoje se cultiva, sem "armas voadoras", caminhante, viajante em diálogo com os homens e o mundo, as suas diferenças. "Kwai Chang Caine" tinha muito para me cativar, na forma como eu (na puberdade) desejava "crescer". 

Conjectura-se que este actor se suicidou! O sinal "deste mundo" foi mais forte que "o sinal do dragão".


Dêm-lhes as pás


Nunca fomos capazes de afrontar os arrufos da nossa história recente, da dita história pós-ultramar. A República Portuguesa é, um pais onde a vergonha não tem cara nem olhos, nem boca para falar, chorar, contar – pelo menos – o número dos filhos mortos. E "Portugal" finge. Um dos maiores coveiros da Guiné morreu no nosso chão, aqui o "albergaram" (porque favores?); no mesmo chão que viu nascer aqueles que ele mandou perseguir e matar. 
Dêem as pás aos que hoje se passeiam na "exemplar" descolonização, aos que permitiram o "visto". Eles que o enterrem.

– Presto Homenagem aos Portugueses, comandos "Os diabólicos", que lutaram na Guiné.