7 de junho de 2009

"o mais importante: contar histórias"


Vi um filme chamado "Austrália". Apesar da capa cliché, do mote publicitário comum, dos actores de "top", da vulgar caracterização comercial o filme revelou-se surpreendente. Passado em Darwin à época da entrada dos japoneses na II Guerra, o filme foca a relação entre a cultura indígena e a presença dos australianos-ingleses tendo como protagonistas do principal envolvimento uma criança (que lastima ser "mestiça": "não pertenço a nenhum lado") e uma Inglesa, recém-chegada à Austrália. Não sei o que me teria mais impressionado neste enredo há dez anos atrás mas o filme evoca muito do que eu acredito. Todo o filme é um discurso de memória, ocorrida, mas sempre presente. A voz da criança que vive e relata o filme tem a ousadia de ser infantil e sábia; como se na infância fosse possível ser-se sábio – a não ser que se tivesse emergido de uma longa história! A nossa relação (e escala) com a natureza, o passado, o testemunho, o legado entre gerações, os afectos intemporais, a nossa história (pessoal e colectiva) são o timbre essencial do enredo (ladeados com alguns tiques tão genuinamente "politicamente correctos" sobre racismos e pretensões afins). O que mais me tocou foram as referências permanentes à noção da "história" que comportamos, que nos envolve e quanto mais envolve nos faz livres. A "história" que somos e da qual não devemos fugir com o risco de nunca nos voltarmos a encontrar.

1 comentário:

Nuno Castelo-Branco disse...

Vou ver se o encontro em DVD. Fiquei curioso.