16 de julho de 2009

Ocupados

A respeito de um texto sobre a "pobreza" do Miguel Castelo Branco, que enquanto autor me deixa mais atónito pela sua lúcidez, eu gostaria de rematar um presuposto. Nos últimos 35 anos fomos mentalmente ocupados pelo complexo do progresso e da liberdade. Os ocupantes (ordes de ralé oportunista), todavia, não se aperceberam, devido à sua obcecação de conquista de poderes, que o país era habitado por homens e mulheres para quem chavões como progresso e liberdade eram realidades embuidas nesse sentimento tão português chamado Esperança. Ao fim destes 35 anos, mais do que frustração pelas mentiras vendidas, os cidadãos estão a sentir-se roubados. Não todos. Mais os ocupados, aqueles a quem o espaço no cérebro foi invadido por falas avulsas e vis, aqueles que acharam que passar a vida de punho cerrado no ar daria mais frutos do que baixá-los para construir. Salazar, o cruel "imperador do fascismo", não consegui roubar a esperança aos portugueses. Talvez por isso tanto se viveu o 25 de Abril. Mas hoje depois de tanto progresso e liberdade arremessada a Esperança falece, já inexistente. Vão ser precisos mais do que empregos e dinheiro perdido para recuperarmos a alma pátria. E ser pobre ou rico sem perspectivas é indiferente, principalmente quando tudo o que há para comprar é mais lixo demagógico e materialista. Estão aí mais duas eleições. Enquanto este regime vigorar e os ocupantes (pretendentes) descenderem da mesma linha mental e moral da ralé irresponsável que nos tem governado cada papel que se colocar na "urna" tornar-nos-à cada vez mais pobres.

1 comentário:

Nuno Castelo-Branco disse...

Ficarão pobres, mas com "ex-brutos" AUDI's e BMW's dos anos 90 à porta. Ao estilo Havana, com os seus espadas americanos...