9 de agosto de 2009

Monólogos da Democracia


A actriz Guida Maria, conhecida pela sua interpretação na peça "Monólogos da Vagina", deu uma entrevista ao JN no dia 26 de Julho deste ano. Numa e outra resposta fiquei com a impressão de que podemos desabafar pois vivemos num país livre, sem medo de represálias, sem medo de perder o trabalho ou emprego, sem seitas obscuras, sem compadrios e "familiares do santo regime". Por breves momentos. Os meus cumprimentos à actriz.

JN: Atingiu a maioridade em plena ditadura. A democracia com que terá sonhado é aquela que tem hoje?
GM: Para ser totalmente honesta, estou farta da democracia! Farta que comandem a minha vida! Pensei que íamos ser todos mais felizes, viver melhor. A verdade é que vivia melhor na altura do outro senhor, esse chamado Salazar. Chamem-me lá o que quiserem, não me importo. Ganhava rios de dinheiro, com 18 anos ganhava 14 contos – em 1968 era uma fortuna. Tinha mais trabalho. Os meus filhotes levavam açoites quando precisavam e não ficavam traumatizados, fumava em todo o lado...
JN: A liberdade que ganhou em 1974 sufoca-a?
GM: Mas que liberdade? Só sou livre dentro de minha casa, e só se não incomodar os vizinhos...
JN:Na biografia que lançou recentemente "Guida Maria - uma vida" – diz que é do tempo do beija-mão (...) O país também mudou por aí?
GM: Sim, sim, completamente! Portugal é um país de gente mal educada, sem berço, selvagem. As pessoas hoje não dizem bom dia, quanto mais ir ao beija-mão. Talvez seja isto progresso, não sei.

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