28 de setembro de 2009

Bem vistas as coisas


Parte do povo votou. A abstenção ganhou as eleições com 38 a 40%, depois o PS com 36,5 %, depois o PSD com 29% depois o CDS com 10,5% depois o BE com 9,5% depois a CDU com 7,8% e por aí fora. Nos próximos dias a minha ementa é não ligar a televisão e desviar-me dos comentários que vão jorrar em estilo de psicanálise do sistema com os analistas a exigirem prémios para os seus prognósticos. Uma pequena maioria deu aval para mais do mesmo ideal socialista, mais das mesmas políticas plásticas. É notório. Nos próximos tempos não deverá haver ruído. Espero que à medida que a "crises" penarem no precipício, pelo menos, estes 36,5% não se venham queixar.

22 de setembro de 2009

"Eleitos"


Aproximam-se as eleições. Parte do país geme pelo conforto dos próximos quatro anos. Eleger o quê? Eleger quem? A democracia tornou-se uma plateia-palco, um palco-plateia. As "cadeiras" cobrem todo o regime disponível. Os tolos ainda não perceberam que o espectáculo que nos oferecem tem lugares marcados e os que o não estão são caros. Esta democracia republicana tornou-se uma plateia-prato, uma travessa-à mesa para os eleitos esfomeados da coisa pública.

19 de setembro de 2009

Sondagens?

É a este género de empresas que os media recorrem para sondar as intenções de voto? Parece.

18 de setembro de 2009

...anda comigo ver este país de bandalheira


Jornais, TV's e blogges comentam hoje o caso das "escutas". Falam de "Cavaco" de directores de jornais, sobre uma "notícia" que saiu num jornal. Parece que a "notícia" diz que a notícia das escutas foi encomendada! O que me garante que a "notícia" de hoje também não o foi? Falam de "Cavaco". O presidente desta república não se quer meter na lide partidária – da mesma que o elegeu. Falam de "Cavaco" sem o prefixo e o respeito inerente ao cargo. É notório o prestígio que o cargo/emprego do presidente representa para este povo, para estes partidos mal paridos. É notório que o cargo não tem notoriedade, independentemente de quem lá esteja arreado. Já tivemos um trono. Agora temos um penico.

16 de setembro de 2009

Os mais velhos


Pode ser um "problema" meu mas desde muito pequeno prefiro a companhia dos mais velhos aos mais novos. Como vivi e fui educado pelos meus avós, a presença, muitas vezes silenciosa, da experiência, do conselho, da história, do passado (e da sabedoria) são factores que me aconchegam. Muitas vezes digo às minhas filhas que opto por estar com as pessoas mais velhas porque, em principio, terei mais tempo para estar com os mais novos. Mas a verdade é que os mais novos, da minha idade ou de gerações anteriores, parecem-me, na maioria, não gostar de envelhecer! Eu gosto. Todavia este artigo não tem o propósito de falar do envelhecimento mas sim repudiar a facilidade com que muita gente apelida a candidata a primeira-ministra, Manuela Ferreira Leite, de "velha", "velhota", "caduca", "do tempo da outra senhora", "feia", "velha enfadonha e triste" e por aí fora. Basta abrir uma caixa de comentários dos jornais on-line e ficamos esclarecidos quanto ao nível de educação e cordialidade que floresce nesta sociedade moderníssima. Mas afinal estes opinadores vieram de onde? Não conheceram os pais, nunca conversaram com pessoas mais velhas, nunca tiveram que tratar de um familiar idoso, nunca tiveram a sorte de sentir o afago precioso de um avô? Na maior parte das vezes em que os referidos epítetos são utilizados o insulto é o único argumento. É sintomático. Em muitos artigos de opinião chega-se ao ponto de se comparar a "modernidade" e "futuro" com o "retrocesso" e "antiquado" que emana da figura e da "idade" da candidata. O discurso do "socialismo-moderno" também tem disto, de instigação.
Velhos? Com sorte, um dia estes "jovens" estarão a rezar para lá chegar.

14 de setembro de 2009

Peço ajuda

Com este frenesim sobre os investimentos públicos (até os taxistas me falam dos TGV's, OTAs e afins) eu acho que começo a ficar confuso. Afinal o Neo-Liberalismo de que tanto se queixa o sr. Mário Soares, e os familiares colaterais de "esquerda", é só quando os bancos, as finanças e o povão (influenciado pelas políticas liberais!) se endividam e gastam o que não têm ou também será quando os "governos" se endividam, nos comprometem e gastam o que não têm?
Obrigado, desde já.





Um dos termos que me deixa chateado



Neste passado Domingo, bem cedo, pela aurora, estava eu a ler uns elementos para um trabalho enquanto ouvia um programa de rádio. Deliciado. A música pára e apercebi-me que se tratava de um programa com vários comentaristas. Boa prosa sobre um assunto querido: vivências. Tudo corria de feição, o trabalho e a audição, quando uma comentadora disse que era uma esquerdista de tendências humanistas e que a sua família era o "socialismo". Uma outra torquiu que era uma socialista e também uma fervorosa humanista. Um outro aproveitou a oportunidade e de voz grave disse que era um humanista de esquerda. Apercebi-me perante a felicidade e da humidade naquelas vozes que aquele momento estava a ser um reencontro improvável de irmãos pródigos. Todos de esquerda boa ou todos à esquerda de qualquer coisa má. Daí para a frente até a música me pareceu comprometida e complexada! Coitada. Tão boa, tão Haydn, tão vienense. Só não consegui ler bem o embrulho "de esquerda com tendências Humanistas". De que se cobriam esses "intelectuais"? Concerteza deviam estar a referir-se ao humanismo dos campos de concentração dos Gulags e de Pitesti, ao humanismo de Lenine, Estaline, Dimitrov, Fidel Castro, Kim Jong-il, Pol Pot, Idi Amin, Mao Tse Tung e tantos tantos outros humanistas.

Compromissos


Têm surgido notícias exaltadas, plenas de oportunidade eleitoralista, sobre umas frases que, num debate televisivo, Manuela Ferreira Leite terá lançado sobre o não ao TGV, sobre favores aos Espanhóis, ingerências de Espanha na nossa vida política, etc. Eu acho muito bem. Não se trata de hostilizar ante reflectir posições económicas em prol de desígnios Portugueses. Os espanhóis fazem o mesmo. Todos os outros também. A única consequência que daí pode advir é o português-modernasso achar que a única oportunidade de "sair" do país foi à vida. Mas há mais vida fora dos carris do TGV. E outros compromissos muito mais importantes. Compromissos que não foram cumpridos pelo politburo-socialista e que não tocam a atenção dos espectadores.

11 de setembro de 2009

Mandar para a veia


Uns drogam-se de pó. Outros drogam-se de ódio. Outros drogam-se de rancor. Muitos drogam-se de inveja. Má sorte tudo estar legalizado e já não ser crime o consumo individual, senão o tráfico. De pó. De influências. Em campanha política o que mais se vê são vícios. Viciados. Os coitados dependentes são sempre os mesmos. Os traficantes e vendedores da ganza não mudam o discurso nem o produto não vá a clientela perder-se para outros dealers. Tenho pena dos viciados sempre à espera de alimentar o vazio que nunca se satisfará com pouco, não olhará a vitimas para satisfazer os seus caprichos. Aos grandes traficantes de um produto chamado "esquerda" não faltam clientes caídos nas dificuldades da vida e daí no fácil vício da inveja e do desprezo pelo sucesso alheio, ávidos da igualização social, quiçá dos sentimentos. Olhem para eles. É vê-los a fornecer a dose certa para manter as ressacas acesas. Bons sonhos.


8 de setembro de 2009

4x4x2 ou 4+4+2?


Parece-me que 4x4x2 perfaz 32. Parece-me que 4+4+2 perfaz 10. Bem, até interessa mas não interessa. Estes algarismos linguísticos que soam na larga maioria das cabeças masculinas a mapas neo-militares com estratégias de conquista de títulos futebolísticos, são um bom exemplo da intenção que meros números e palavras valem na tese dos nossos escribas. Para o aficionado-sabe-tudo português era melhor que tudo fosse assim. Em vez de os líderes (misters) partidários se sentarem na longa lenga mostravam ao povo a táctica em forma "compreensivel" de algarismos, diziam quem ficava no banco, quem ficava em que posição e o mister, no fim, assumia a culpa; havia orçamentos, receitas, venda de ministros a custo zero e se um partido quisesse, até podia inscrever ministros de outras "equipas ideológicas". Vendiam-se camisolas, com as respectivas cores ganhadoras – por acaso esta modalidade das cores das camisolas é algo que foi feito por uma equipa de terroristas e escumalha que tomou de assalto o regime (em 1910) sem perguntar à plateia e pôs tudo a usar o equipamento verde-tinto – algo a que estamos habituados. O mister(-primeiro-ministro) não tinha de fingir que escrevia os discursos, dispensavam-se os assessores, pois tudo o que interessava era a Táctica que explicava na assembleia-balneário, numa ardósia, em forma matemática; mas em vez de "x" eu propunha o "+" é que "x" é quanto estes misters, que nos tem treinado, multiplicam por eles, pelo partido e pela prole vastíssima de adjuntos compadristas que tem esvaziado de recursos este antigo país... digo, clubezito europeu.

7 de setembro de 2009

Um concurso com oportunidade

Já que na bloggosfera se opina desfraldadamente este concurso parece talhado para este meio. Toca a concorrer que a república não perde por esperar....

6 de setembro de 2009

Manipuláveis


Parece que o "mundo" anda turbulento. É compreensivel, por várias razões. Nunca, em tão pouco tempo, fomos sujeitos a mudanças civilizacionais, digo, de noções tecnológicas. A medida dessas mudanças imprime o comportamento individual e social. Este texto escrito no limbo cibernético é um exemplo. Contudo o indivíduo é mais inalterável do que a matéria-Lixo, que produz. Chamaria a esta "era" a da efemeridade material. O propósito da febre produtiva de artefactos tem um só fito: o lucro.
Os "modelos" tecnológicos enquanto recursos são positivos mas esgotam-se em si, não ultrapassam o mérito de "modelos-ferramentas" carenciados de Homens que as saibam usar. Daí que, a visão de vivermos num mundo "muito evoluído" só possa ser caricato e um pleonasmo pois o Homem não deveria estar atrás da sua invenção. Este "novo mundo" em que estamos rodeados de máquinas para todos os sentidos, em que estamos rodeados de pregadores-politico-mediáticos, de consciências alheias que falam por nós através das máquinas (da maquinaria que serve o poder) deveria-nos remeter para uma noção de valores que nos equilibrasse e nos ajudasse a decifrar tanta "interferência". Mas não. A maioria gosta de se transvestir com os artefactos o que é o mesmo que dizer, deixar que os adereços falem por si. Numa sociedade infestada e psico-dependente de ícones materiais é fácil tornarmos-nos idênticos, iguais, manipuláveis. Manipuláveis.

5 de setembro de 2009

Entretanto


Enquanto os preocupados se encavalitam a comentar a liberdade de imprensa, as outras liberdades ficam sem comentários. E Liberdade também é isto.

O Porto já é e sempre será azul e branco


Um grupo de Bravos fez isto. Nesta cidade poucas serão as vozes que não devem gostar desta bandeira*, por várias verosimilhanças!

*A razão do equipamento desportivo e do símbolo do F C Porto são precisamente as armas da cidade e o dragão, figura alada medieval, que se configura como o timbre. O Porto assumiu as cores de Portugal, as suas armas e o grande colar doado-acrescentado às armas da cidade por D. João VI. Perguntem a alguém da cidade se aceitaria um restyling verde-tinto? Vê-se mesmo que a república foi imposta em Lisboa.

3 de setembro de 2009

Além

A minha causa é a minha família. Os que estão, os que partiram. Os meus mortos, não me pesam e sei que um dia partirei leve e livre para continuar com eles, com todos. Não posso dizer que a morte me incomode. Perturba-me prever a minha ausência naqueles que amo e mais me consome prever dor naqueles que criei.

Esta notícia é dilacerante. "O meu filho está morto e eu morro com ele". Não posso dizer quão eu faria. Sei que não posso chamar herói a um pai que morre com um filho nos braços. Sei que não posso chamar vitima a um pai que desce a um poço e continua mesmo sabendo o risco da fatalidade. O meu constrangimento é o reflexo do amor que eu sinto pelas minhas filhas a mesma dor que é feita do amor que nos impele para lá da vida.

2 de setembro de 2009

O João Catarino


O meu amigo João Catarino expressa-se belissimamente. É mais do que desenho. O seu estilo reside na simbiose da sua acutilância observadora e do seu espírito aventureiro. Conheci o Catarino vai para 22 anos. Hoje reconheço-lhe uma alma singular e uma mensagem de vida que me seduz e que nos alicia a fruir detalhes que esquecemos ante a "vidinha" apressada e embrulhada de virtualidades.

1 de setembro de 2009

Parodiantes


De manhã ouvimos a "esquerda" falar mal dos empresários de tarde ouvimos a mesma "esquerda" a exigir mais emprego. De manhã ouvimos a "esquerda" a elogiar o caminho para o socialismo ao deitar ouvimos a "esquerda" berrar contra o socialismo que governa-à-direita. Ao almoço ouvimos a "esquerda" falar mal do esbanjamento dos dinheiros públicos ao jantar ouvimos a esquerda dizer que vai gastar 4 milhões de euros nas eleições acrescidos de mais cinco milhões da "esquerda moderna". Ao almoço os restaurantes enchem-se para os eleitos de "esquerda" comerem caviar ao jantar pr'ós directos a "esquerda" troca bifanas. De manhã tenho esperança que esta "esquerda" vá empreender e criar empregos ao final do dia quero que vão para o raio da demagogia que os ature.