16 de setembro de 2009

Os mais velhos


Pode ser um "problema" meu mas desde muito pequeno prefiro a companhia dos mais velhos aos mais novos. Como vivi e fui educado pelos meus avós, a presença, muitas vezes silenciosa, da experiência, do conselho, da história, do passado (e da sabedoria) são factores que me aconchegam. Muitas vezes digo às minhas filhas que opto por estar com as pessoas mais velhas porque, em principio, terei mais tempo para estar com os mais novos. Mas a verdade é que os mais novos, da minha idade ou de gerações anteriores, parecem-me, na maioria, não gostar de envelhecer! Eu gosto. Todavia este artigo não tem o propósito de falar do envelhecimento mas sim repudiar a facilidade com que muita gente apelida a candidata a primeira-ministra, Manuela Ferreira Leite, de "velha", "velhota", "caduca", "do tempo da outra senhora", "feia", "velha enfadonha e triste" e por aí fora. Basta abrir uma caixa de comentários dos jornais on-line e ficamos esclarecidos quanto ao nível de educação e cordialidade que floresce nesta sociedade moderníssima. Mas afinal estes opinadores vieram de onde? Não conheceram os pais, nunca conversaram com pessoas mais velhas, nunca tiveram que tratar de um familiar idoso, nunca tiveram a sorte de sentir o afago precioso de um avô? Na maior parte das vezes em que os referidos epítetos são utilizados o insulto é o único argumento. É sintomático. Em muitos artigos de opinião chega-se ao ponto de se comparar a "modernidade" e "futuro" com o "retrocesso" e "antiquado" que emana da figura e da "idade" da candidata. O discurso do "socialismo-moderno" também tem disto, de instigação.
Velhos? Com sorte, um dia estes "jovens" estarão a rezar para lá chegar.

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