30 de outubro de 2009

Corre opção


As notícias enfocam um "novo" caso de compadrio que envolve "figuras" on ou off da política. Estas notícias ganham ânimo na boca dos apresentadores, comentadores, jornalistas e bloggers. Tenho pena que tanto comentário provoque o efeito contrário na selva portuguesa – o rugir de um novo caso torna em brisa todos os anteriores. É sinal do tempo. Cada vez tudo é mais efémero inclusive as noções de moral e justiça. Nesta selva os predadores correm de barriga cheia pela gula e pela vaidade. A política que devia ser uma actividade altruísta, positiva e congregadora tornou-se um meio privilegiado de tráfico de benefícios pessoais. Toda a política inclusive a ética republicana, principalmente esta. O país não reage. Espanta-se de boca aberta como se os cargos dos políticos e de directores de empresas públicas produzissem uma auréola santifica na moleira dos preponentes. Pelo contrário, os preponentes fazem as suas opções. E todos têm uma opção de vida. Infelizmente este país não tem bons exemplos para dar e a escumalha, sem referências e valores, corre para a frente fruindo do acumulado de impunidades. Já vem de trás. Deixamos impune o regicídio, o terrorismo republicano (que se vai comemorar com uma grande festa em 2010!), o assentamento do Estado Novo, a descolonização, o PREC e agora vislumbramos o degredo moral do regime.
Dizem para aí que o país está moderno e que está a avançar. Eu vejo-os. A correrem por eles e a darem ao povão, entusiasta, umas voltas... de atraso.

28 de outubro de 2009

Coisas que interessam

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Conheci o trabalho de Kseniya Simonova há uns tempos atrás. É uma artista Ucraniana que utiliza como matéria prima: areia. Este filme que foi recentemente colocado no Youtube demonstra toda a sua sensibilidade e talento. Os recursos são simples e originais. Uma mesa de luz, areia, manipulada com dimensão plástica e impressiva, uma câmara e uma tela de projecção.
Vale a pena parar para ver e sentir.

26 de outubro de 2009

Independência


Um novo governo tomou posse. Na tomada, o presidente desta república disse que ia ser colaborante, um "referêncial de estabilidade", pois sabia o que era governar em maioria relativa. A maior parte do povo não deslinda o que estas palavras querem dizer. Não é por se ter ouvido uma mentira. Ao invés, é uma cassete gasta. O regime é presidido por parte daqueles que andaram à liça e a dispôr das verbas deste país. A propalada independência e imparcialidade face aos partidos ou governos é uma falácia. Um presidente da república não se devia "por a pau". A promiscuidade entre a presidência e a governança existe e nesta república é uma regra matemática. Como melhor exemplo lembro, porque, tal como dizem os comunistas – nunca esquecer –, a Amnistia Presidencial aos terroristas das FP25 tendo à cabeça o chefe da tribo da COPCON, Otelo Saraiva. Eles devem-se. Os portugueses deviam levantar a cabeça e decifrar as constantes "imparcialidades" dos presidentes da república. Talvez o óbice seja esse: levantar a cabeça. Devem andar muito pesarosas de olhar para o chão e para as migalhas.

23 de outubro de 2009

Obamagenealogia


Michelle (na fotografia, a dar voltas à vida) Obama (nome do marido) sabe agora que uma sua tetravó teve um caso, ou uma "relação", ou uma violação, não se sabe, com um homem branco. Esta tetravó descendia de escravos e fora escrava. Barack apelou aos genealogistas para que tentem descobrir este homem, pois disseram-lhe que havia sido descoberto um testamento de 1850 em que a cor do desconhecido, que não assumiu a paternidade do fruto, era clara e alva. Esta "descoberta" vem por em pé de igualdade as ascendências do casal. Obama já disse que Michelle era "a quinta-essência da mulher americana."
Sabe-se que os norte-americanos são o povo mais fanático pela genealogia, sabe-se que muitos ricos "rancheiros" já viajaram à Europa para enjeitar casamentos para os seus com a aristocracia; agora que se "quinta-realizavam" através da miscenização, eu não sabia.


foto picada no JN © HARAZ N. GHANBARI/AP

Cuidado com o Colégio Militar. Cuidado com o Colégio Militar


Depois de acontecerem coisas como estas:



... e como milhares de outras, não tenho dúvidas que se ultrapassou o limite da violência no Colégio Militar, pelo que proponho o fecho compulsivo do dito colégio e a colocação dos seus alunos em estabelecimentos de correcção.

pequenina importância


Vasco Pulido Valente, in Público

* Bispo do Porto

20 de outubro de 2009

"Nenhuma pessoa viva sabe o que é morrer; é uma experiência única, irrepetível e intransmissível; por isso não há comunicação de conhecimentos neste domínio. (...) Neste sentido não tem sido muito produtiva a investigação sobre este enigma ou mistério que nos perturba. Face à morte constatada, Homero dizia "que mais vale um cão vivo do que um herói morto". (...) Crentes, ateus e agnósticos todos partimos de uma atitude de fé: uns acreditam que a vida deverá ter continuidade e outros acreditam que não. Mas a demonstração apodíctica, a evidência, não existe nem para uns nem para outros. Nem o ateu pode demonstrar que o Transcendente não existe nem o crente tem argumentos evidentes para provar a realidade da diversidade substancial. A fé deve ter razões e ser razoavelmente plausível, mas não é científica nem é resultado de um silogismo evidente. A fé cristã sendo pois uma adesão ao não evidente, por acção da vontade, envolve sempre a situação de dúvida, de opinião e interrogação. (...) A esperança de "continuar" quem uma vez existiu com qualidade humana relevante, parece um apelo, uma exigência de coerência, de justiça, de ética e de sentido, é que as nossas razões de viver necessitam de uma direcção de verdade, da justiça e da virtude. De facto a perspectiva de Deus parece uma experiência englobante e sem Deus tudo parece caótico, insignificante, ilusório e absurdo."


frei Bernardo Domingues, o.p., in Tornar-se competente, crente e coerente, Porto, 2005


19 de outubro de 2009

Não vejo, não creio


O "fenómeno" Saramago é interessante e crucial! Acho por bem baptizar a sua teoria e inscrevê-la em todos os futuros testes psicotécnicos e afins. Aliás, as palavras deste sujeito, e a cartilha metafísica que deseja fincar, devem fazer ritual num novo código racionalista que devemos fazer para nós mesmos mal acordamos (pela noite ou pela manhã). Perguntemo-nos: já viste o amor? Não? Então ele não existe; Já viste um átomo? Não, nem agora com todos os computadores do mundo? Não? Então não existe; Já viste para lá do sistema solar? Não. Seu estúpido alienado, então não existe! Deixa de ser morcão, racionaliza-te ou queres acreditar nessas coisas como os estúpidos católicos acreditam em Deus?

O que ele gostava


Sobre isto: O que este "escritor" gostava era de escrever uma Bíblia. Se a que existe é um punhado de invenções como posso eu entender que um personagem (Caim) retirado de um "catálogo do pior da natureza humana" seja credível para uma airosa novela? E já agora, os catálogos que este sujeito escreve são de que género de natureza humana?
O que pensará este "iluminado" também do Corão? Ou será que não diz nada com medo que lhe tirem a tosse que lhe resta?

16 de outubro de 2009

Quando começam por aí a falar sobre Portugal eu corro a ler estas palavras...



« (...)
Houve um animal na Admistração Interna que me disse «O Sr foi colonizado». Eu disse - Eu nunca fui colonizado! Os meus antepassados foram colonizados , mas eu não. EU NASCI NUMA NAÇÃO CHAMADA PORTUGAL.


Depoimento de Marcelino da Mata, A Guerra de África 1961/64, Circulo de Leitores, Lisboa. 1995.

A excelência do exército Português


O chefe do Estado-maior do Exército, o General Pinto Ramalho, disse no exercício ORION 09 que o "exército Português caminha para a excelência". Tenho uma boa imagem deste general, com um curso dos Comandos, e de muitos outros de altas patentes. O "exército", a tropa, tem uma espinha desde que o regime mudou. De "lacaios" da 1ª república e do regime de Salazar a "heróis" num mês de Abril, a tropa está remetida a "acções" no exterior, a opinião pública despreza os antigos combatentes do ultra-mar (e a tudo o que lhe diz respeito) e a juventude deve achar que ser tropa especial é coisa para se fazer de dia – que de noite sobram as cervejas e as baybes.
Ao general Pinto Ramalho e ao supremo presidente Silva eu lembro um dos maiores heróis do exército Português, Marcelino da Mata, no tempo em que a "capacidade vertical" não se fazia à custa de helicópteros sofisticados e se chamava Portugal.

* Foto captada no dia 10 de Junho, Dia de Portugal, em 1972, no Batalhão de Comandos em Brá-Bissao. À esq. Joaquim Spínola. À dir. Marcelino da Mata.


Saudade de João Camossa


Faz hoje 2 anos que faleceu João Carlos Camossa Saldanha. Homem invulgar e cativante, foi fundador do Centro Nacional de Cultura (e seu presidente em 1949)* e do Partido Popular Monárquico. Que saudade. Ele foi um dos culpados pela minha adesão à causa monárquica. João Camossa "nasceu" monárquico. O seu pai, o capitão-mar-e-guerra Augusto Saldanha, foi um dos resistentes ao 5 de Outubro de 1910, o que lhe valeu a prisão e muitos dissabores na carreira militar e na vida familiar. Os seus argumentos, simplicidade e emoção oratória não deixavam ninguém indiferente. Era um homem de histórias que adorava as tertúlias e a conversa inteligente. Não o revejo em nenhuma das actuais figuras políticas nem nesta moralidade e costumes. Não deve ter sido por acaso o seu alheamento do (recente) PPM e dos "lugares" que lhe ofereceram. Costumava dizer-me, no seu tom irónico, que se ele fosse "republicano" um "dedinho" do que ele dizia já lhe tinha dado direito a uma comenda!
Pelos seus ideais e pelas causas que o moveram, ergo uma homenagem ao João Camossa. Que as saudades que deixa sejam força para continuar a lutar por um verdadeiro Portugal.

* O Centro Nacional de Cultura tem em agenda uma homenagem a João Camossa no início de 2010.

15 de outubro de 2009

Travestis à muitos...


Diz o artigo: "Morrer Como Um Homem", de João Pedro Rodrigues, é a história de um travesti desfeito pela marginalidade. E é um retrato da vida de muitos travestis lisboetas do fim da década de 80, quando o excesso pós-revolucionário dava o último suspiro. Que sobra desse mundo? Tudo. O "excesso revolucionário" transformou-se-se em "défice democrático", a "outrora" marginalidade tornou-se estilo, que não olha a géneros. O travestismo é a opção de vida do meio político, descarado, "moderno" e desenvergonhado, dos senhores e senhoras políticas, dos ministros aos autarcas, aos cronistas e opinistas, a república não tem vergonha de mostrar as mamas, secas pelos oportunistas, até os "comunas" se travestem de "esquerda". Escrúpulos? Suspiros? Só na pastelaria.

12 de outubro de 2009

Phoder local



Tenho para mim uma certeza, quase explicação, que o phoder local é um dos responsáveis pelo abastardamento acelerado deste país. Ontem metade do povo correu às urnas, a outra metade está-se a borrifar ou de maleita. O povo foi às urnas e enterrou-se um pouco mais. O phoder local é desmesurado. Esta legislação assassina dá aos "presidentes" margem para mover patranhas, interesses públicos e privados. Podem impregnar de cimento uma planície, podem desviar os rios, podem transformar serviços em empresas públicas, podem sorver subsídios, esbanjar apoios, contrair empréstimos bancários, que o povo que os elege tem que ter o "orgulho" de "eleger" alguma coisa. O regime é lato e assim uns levam pelos outros. Quem quer alternância tem que esperar pois o esquema partidário coloca a sufrágio os seguintes da fila e as televisões mediatizam quem ordenha. No fundo o phoder local foi feito à medida das necessidades do povo. Entretanto, esta terra já foi de um país, depois foi de quem mais ordena, agora é de quem mais phode.

9 de outubro de 2009

Nobela



Criamos umas coisas na cabeça, às vezes induzidas, tipo: um homem imagina que lhes estão a crescer uns "palitos" e mata a mulher. Das várias coisas que criamos na cabeça a mania das grandezas é das grandes enfermidades mas nada pior do que a mania das "Instituições"; uma vez que instituídas é difícil tirarmos a panca. Existe uma criação mental, que tem sido muito contagiante, que é a mania dos prémios. Se eu der um prémio ninguém liga mas se for do Nobel já todos acham bem. À poucas horas atrás, o Nobel da Paz foi atribuido ao presidente dos Estados Unidos da América. E com o prémio vão os "palitos" da Paz. Para muitos, a partir de hoje, o Obama é o homem mais pacifico do mundo, o homem que mais contribuiu para a paz, o homem que é a paz mesmo que esteja na chefia da guerra do Afeganistão. Com tantos homens e mulheres no vasto mundo a paz ser entregue a uma só pessoa parece-me motivo para conflito. Esta mania que criamos na cabeça de eleger um entre todos sem se conhecer os "todos" é também uma enfermidade, uma provocação. Quem ganha é a cobiça e a inveja que são coisas que tão bem conhecemos das Nobelas...

8 de outubro de 2009

Haja Paciência


Muita. Para aturar o ressabiamento, o ódio, o desprezo, a ignorância, o cuspe dos que se dizem "defensores" em prol desta república. O que me dói é a sorrateira desonestidade que embrulha os assuntos professados pelos evangelistas do regime. O léxico mental destes revolucionários não passa de três palavras falsamente manipuladas: privilégio, passado, diferença. Como se o "Estado" fosse o único mérito para as nossas vidas e o politburo o único grupo com direitos, como se o futuro já existisse, como se a "igualdade" fosse respirada por decreto. Quando estes revolucionários se levantam de manhã não devem por os pés assentes na terra. Não querem... mas não há outro remédio. Por isso tudo agridem pela sua frustração. Paciência.

6 de outubro de 2009

5 de Outubro

O dia 5 de Outubro foi passado entre amigos, tal como nos últimos anos. Desta vez não houve bandeiras. De política pouco se falou porque quando o repasto é bom fica mal falar de coisas mal cheirosas. Ficamos por um brinde. À família, aos amigos, a Portugal, ao Rei. Uma simples frase tempera os sentimentos. Já muito cansado, à noite deparei-me com uma entrevista, na televisão, ao sr. Soares feita por um jovem fedorento. O sr. Soares não evitou dar uma lição de história e afirmou que não estávamos na 3ª república mas na 2ª porque o Estado novo foi uma ditadura e logo não foi república... Tenho receio deste homem e dos ingénuos que o escutaram ao longo dos anos. Este mesmo republicano disse no lançamento de um "livro" na sua fundação que a república "pode conviver perfeitamente com aqueles que são monárquicos e mesmo com os que são pretendentes à Coroa de Portugal"! Estes, que se dizem "herdeiros" do golpe de estado de 1910, irão ser os primeiros a agarrar-se até à exaustão para não perder a teta da vaca republicana, não tenhamos dúvidas. Com estes discursos pensam que dão esmolas. Que saibam que o ideal monárquico não anda de mão estendida.

4 de outubro de 2009

Sião


A providência levou-me a ligar a televisão ontem à noite. No canal que sintonizei fixei-me por largos minutos, e que sorte. Passava na TVi24 uma reportagem sobre a Tailândia. Não sei se vi desde o princípio mas deliciei-me com o conteúdo. Imagens belíssimas, texto bem escrito, uma repórter boa condutora da dicção e algumas entrevistas entre os quais ao Miguel Castelo Branco. Não tenho de esconder o meu orgulho em o conhecer pessoalmente. A prestação do Miguel, a sua paixão, a sua invulgar cultura, não ficou atrás das palavras do Embaixador Faria e Maya. O Miguel não é um mero investigador de doutoramento de passagem na Tailândia. É um Homem com um sentido de estado e de história que não se reporta a desabafos consoante as "tendências" nem conforme as "ondas". Para o bem, a sua postura no blogge "Combustões" tem sido uma marca neste país decorado de vulgaridade e falso modernismo.
Aproximam-se os 500 anos da chegada de Portugal à Tailândia. Não vai ser pela falta de empenho de embaixadores e de homens como o Miguel Castelo Branco que a efeméride não será relembrada. Temo é que em 2011, e sem "repúblicas" para celebrar, a República Portuguesa esteja mais autista do que hoje.

Voltar


O Verão já passou. Chegou o Outono e o pequeno jardim que tenho em casa cobre-se de folhas, de várias cores. É um dos meus momentos de predilecção. As folhas caídas são como frases que gosto de ler, que me chamam e me dizem que há um voltar. Um voltar permanente para além do meu desejo. O Outono é a única estação que me lembra as estações estivais. Há quem considere o fim do Verão melancólico, pelo chegar do frio e das chuvas. Eu gosto. De colher as folhas e esperar que nasçam de novo, de voltar.