20 de outubro de 2009

"Nenhuma pessoa viva sabe o que é morrer; é uma experiência única, irrepetível e intransmissível; por isso não há comunicação de conhecimentos neste domínio. (...) Neste sentido não tem sido muito produtiva a investigação sobre este enigma ou mistério que nos perturba. Face à morte constatada, Homero dizia "que mais vale um cão vivo do que um herói morto". (...) Crentes, ateus e agnósticos todos partimos de uma atitude de fé: uns acreditam que a vida deverá ter continuidade e outros acreditam que não. Mas a demonstração apodíctica, a evidência, não existe nem para uns nem para outros. Nem o ateu pode demonstrar que o Transcendente não existe nem o crente tem argumentos evidentes para provar a realidade da diversidade substancial. A fé deve ter razões e ser razoavelmente plausível, mas não é científica nem é resultado de um silogismo evidente. A fé cristã sendo pois uma adesão ao não evidente, por acção da vontade, envolve sempre a situação de dúvida, de opinião e interrogação. (...) A esperança de "continuar" quem uma vez existiu com qualidade humana relevante, parece um apelo, uma exigência de coerência, de justiça, de ética e de sentido, é que as nossas razões de viver necessitam de uma direcção de verdade, da justiça e da virtude. De facto a perspectiva de Deus parece uma experiência englobante e sem Deus tudo parece caótico, insignificante, ilusório e absurdo."


frei Bernardo Domingues, o.p., in Tornar-se competente, crente e coerente, Porto, 2005


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