4 de novembro de 2009

cruzes canhoto


O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos "pronunciou-se unanimemente" sobre uma queixa de uma mãe que exigiu que se retirassem os crucifixos das salas de aula, em Itália, porque isso iria influenciar a educação do seu filho, segundo a senhora. O dito tribunal deu-lhe razão. Não sei se este parecer tem carácter vinculativo a todos os países "europeus"! A Associação Ateísta Portuguesa aplaudiu e exige que o governo português "fiscalize" os "abusos que ainda persistem" e retire todos os crucifixos das escolas públicas, hospitais e edifícios públicos pois tal exposição viola a liberdade religiosa. Parei para pensar. A dita mãe não pediu para retirarem o crucifixo da sala de aula onde o seu filho estuda. Pediu para retirarem todos os crucifixos de todas as salas públicas do seu país e, suspeito, se a deixassem, de todas as salas de aulas de todo o mundo. O mote: a "liberdade" religiosa. Não me vou alongar sobre a minha noção de liberdade religiosa, nem sobre a ignorância intolerante, fico-me pelos símbolos deste país. Quantos símbolos esta república ostenta que não colhem simpatias? Quantos símbolos visuais ou imateriais esta república exibe sem colher consenso? Os símbolos republicanos não podem ferir, de igual modo, a liberdade ideológica de cada um? Quer esta Associação proibir determinados gestos visuais em locais públicos como, por exemplo, fechar as duas mãos ou abrir os braços? Quer a Associação Ateísta alterar a configuração geométrica do símbolo das Farmácias, alterar o recorte original das Ordens e Comendas Portuguesas que os nobres da república tanto gostam de almejar? Quer a Associação Ateísta também proibir o uso do nome Maria ou Jesus? Lá se ia o Benfica.

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