10 de novembro de 2009

Digestão da política nacional


Após o recente período eleitoral com duas eleições que se sobrepuseram pelos argumentos falidos, Portugal volta ao mesmo circuito intestino e jorra a mesma diarreia. Eu dou um exemplo; quando vou a um restaurante peço a ementa, outros pedem o prato do dia. Eu peço a lista de vinhos, uns pedem o vinho da casa outros mais rústicos uma jarrinha. Se a lista/menu não me satisfaz saio e procuro outro restaurante ou paro num café e peço algo mais simples. A minha escolha não é só a minha carteira é o que me pede o meu estômago, a forma como eu sinto a digressão digestiva. Com a escolha dos partidos é a mesma coisa. Ninguém se pode escusar na falta de alternativas nem na obrigação moral de votar. A abstinência é uma prova de força e de resistência. As últimas eleições trouxeram-nos a vantagem de já conhecermos os pratos, os seus cheiros, a sua cor, a sua composição, nalguns casos putrefacta. O povo ocorreu à mesa e encomendou. Mais umas semanas e esperaremos. Quando a digestão começar a fluir pelos órgãos essenciais e o sangue aflorar a inteligência veremos os resultados. Já estou a ver os comensais do estrume a largar arrotos de hálito pestilento, os comentaristas a abanar o nariz do mau cheiro analítico, os sindicatos a exigir mais papel higiénico, os deputados do barlavento a servirem a mesma desculpa e a dizer ao povo que a culpa não é dos cozinheiros – que o serviço até é bom – mas que o povo está exigente demais para o que paga! Como neste país não há Livro de Reclamações (foi gamado em 1910).... Sei que nem todos pediram o mesmo prato mas infelizmente somos obrigados a cheirar os peidos das maiorias. São maiorias "entranhas" – queixam-se, mas vão sempre comer do mesmo.

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