20 de novembro de 2009

A grilheta



Nos cafés, na rua, à porta das escolas, nos blogges, nos (insuportáveis) jornais, na (ranhosa) televisão) todos comentam a actual "situação" do país. Há os que (só) dizem mal e há os que diagnósticam bem! A sociedade portuguesa tornou-se uma verdadeira faculdade nacional de analistas. Todos são escurreitos para os diagnósticos e todos se aperaltam por saber diagnosticar. Mas, não sabem. O que todos fazem é pensar uns como os outros, nesse vício de uniformismo que o estilo de "Abril" nos legou. Seguem o raciocínio mentalcopiado. É pena. Eu não ouço analistas! O que me interessava ouvir são os "agentes" que estão com a mão na massa. Ainda não ouvi um só político a falar sobre o cancro do sistema e da desresponsabilização que esta demo-cracia provoca. Um autarca a não aceitar dinheiro dos impostos da especulação imobiliária. Um Governador Civil a falar sobre o ridículo do cargo. Um assessor a recusar uma oferta de tacho. Um tesoureiro de um partido a expor toda a proveniência dos fundos que pagam as campanhas. Um ministro a assumir as culpas, que não passe pela demagogia da "demissão". Um director-geral a recusar um salário desmesurado por ter problemas morais. Um ministro a propor uma lei que obrigue a que todos os cargos públicos sejam afectos através de um exame público e pela melhor qualificação. O presidente – independente-imparcial(?) – desta república a assumir o brutal envolvimento partidário na sua candidatura e a publicar todos as origens financeiras da campanha. Um só presidente da república que reconheça a nossa história e peça desculpa a todos os portugueses e demais africanos pela surreal descolonização. A república portuguesa está podre e todos os que a defendem são os mesmos que a chupam em benefício. Não é Portugal. É a República – a grilheta – que precisa de rebentar. Para nos libertar.

1 comentário:

Nuno Castelo-Branco disse...

O 31 da Armada até já lhe anuncia o fim próximo. espero que estejam certos, irra!