31 de dezembro de 2010

Ao jeitoso 2010


Em jeito de momentos de 2010 a rosca vai para as Comemorações do Centenário da República. Nem com 10 milhões de euros o povo se abeirou, festejou ou se apercebeu do que comemorávamos, senão de que o poder instituído queria que comemorássemos à força este regime; ou seja, uma utopia do que eles queriam que a dita República tivesse sido, mas não foi, não é, nem será. Mas mais. Este 2011 inicia-se com uma aragem triste e sombria para os filhos de Abril. Nunca Portugal viveu uma década com tantos recursos e tantos desperdícios. O novo milénio abriu com a bocarra do socialismo moderno, mas passados dez anos nada mais se vê que a trampa da linguagem falsa dos que nos geriram. Foi assim há 100 anos. É assim agora. Portugal é o melhor exemplo do que é a falácia dos votos, do que é a "democracia", do que é a mentira na política, do que é a deturpação da História, do que são as conveniências ladras-partidárias e, principalmente, o melhor exemplo para explicar porque este tipo de regime faz soltar a diarreia.

Como eles dizem, é tudo nosso


Em jeito dos momentos de 2010 realço o sentimento de impunidade que as leis da República Portuguesa motivam. As leis saídas do nosso "socialismo em movimento" a caminho do "futuro", de 1974 até hoje, são um verdadeiro turbo diesel para os velhacos e pulhas que tudo praticam como se fosse tudo deles e nada nosso. Desde os "pequenos" crimes aos "crimes" pequenos, as Leis produzidas para atenuar os coitados foram o primeiro passo para o purgatório que já se iniciou. Está a chegar o dia (e não é que temos dois blindados para estrear!) em que a "esquerda chique" vai ter que se defender com a direita. Já dizia um cantor de punho erguido, "eles comem tudo"... pois comem e vão acabar por comer esta República da comicidade.

30 de dezembro de 2010

Como eles dizem, nunca esquecer


Em jeito dos momentos de 2010 realço a partida deste inumano. Até acho estranho não estar na galeria dos homens da República, neste ano de, fiasco, centenário.
Como é possível falar-se de Salazar – um dos obreiros da "república" que se comemora – enquanto responsável por uma guerra quando parte dos seus opositores instruíram novas guerras e a morte de conterrâneos? O traidor Rosa não esteve sozinho. No poleiro da metrópole outros tão rosa e tão culpados como este velhaco davam guarida política aos intentos. Convém nunca esquecer.


OBRIGATÓRIO VER O VÍDEO COM A ENTREVISTA

In, Serões da Província


A triste cavaqueira


Assisti ontem ao debate entre dois candidatos ao emprego de presidente da república. Abri os ouvidos sem parcialidades e encostei-me a suspirar por uma boa disputa política. Não defraudei as minhas expectativas, quero dizer, saiu tudo como previsível. O candidato Alegre jorrou o conhecido léxico grossista: combate, luta, disputa, política ideológica, estado social, confronto, "dá-se mal com os confrontos", destruição do estado social, BPN, "em democracia não há vencedores antecipados"... e outras frases mastigadas que tais. O candidato Silva jorrou a contrapartida do léxico: "mentiu aos portugueses", protecção, isenção, "último caso", "jurei a constituição", disputa, "está tudo na minha página da presidência", confiança e outras frases ressequidas que tais. O que sobrou muito espremido do debate foi a inépcia e a ausência de ideias para Portugal, mesmo que o cargo de "presidente" seja um cargo pessarosamente de embrulho e comprometido com a estrutura partidária/mental do candidato.
O regime republicano sobrevive porque a teia de compromissos e avenças cai em pirâmide de Belém até aquém. Portugal precisava de uma voz de esperança. De uma voz de alento, apontadora, para um rumo que colhesse despertares. Uma voz Independente que falasse em futuro com os ecos do passado. Não é na República que encontraremos ensejos. Pena que a maioria não veja para além da mentira e da ilusão.

28 de dezembro de 2010

Patrinidade


Uma notícia que corre o mundo do entertainment é o nascimento do filho do casal Elton/Furnish. Há jornalistas tão apressados na vida, digo, a tentar satisfazer o ócio deste mundo tão acelerado a 200Mb que as notícias saem como broas quentes: Elton John e David Furnish são pais de um menino! Mas algo não sai bem nesta Patrinidade. Apenas um deles pode ser o pai pois a mamã é uma mulher de aluguer e não consta que tenha sido barata. Esta pressa em colocar a modernidade à frente da biologia tem destas coisas. Ainda faltam uns anos para que um homem possa engravidar e "dar à luz" de outro "macho", mas que há focos a apontar para as patrinidades ou patetranidades, isso há.

27 de dezembro de 2010

O Natal depois do Natal


Após o dia 25 de Dezembro e durante uns dias sinto esta quadra com mais razão e espiritualidade. Reservo-me à família e ao culto das minhas historias e à memória dos familiares que me deixaram. Depois dos jantares em família o Natal permanece em mim como a evidência de um lugar que há muito percorro com solitude. Lá fora, as pessoas ficam mais calmas do histerismo do consumo. As ruas ficam mais vazias por causa das férias das escolas e das férias das empresas. O ar fica mais respirável. Ouvem-se menos vivas ao asqueroso pai natal. O circo dos "barretes" transita para o próximo carnaval. Ouve-se menos hipocrisia dos "conhecidos" que connosco se cruzam e diminuem os desapropriados desejos natalícios, enviados via sms por anónimos ou empresas que tanto nos querem. Se alguma Alegria persiste a esta quadra, essa, é agora movida com um novo objectivo de folia: a passagem do ano, a bêbada mais desejada.
Geralmente, só depois do dia 15 de Janeiro é que retiro e resguardo o presépio que construo na minha sala. O meu oráculo. A figura do meu menino Jesus nunca guardo. Como é uma figura de pequenina dimensão coloco-o numa vitrine e posso olhá-lo sempre que preciso. Sempre.

24 de dezembro de 2010



Adeste Fideles
Laeti triumphantes

Venite, venite in Bethlehem


Natum videte

Regem angelorum

Venite adoremus,
Venite adoremus,

Venite adoremus, Dominum

23 de dezembro de 2010

A nossa festa de Natal


Parece ontem. Ainda sinto a malha da camisola feita à mão, como quase todas as nossas roupas. Nesse Natal como neste Natal continuo a acreditar na magia dos afectos que o olhar sobre o presépio me desperta. Depois ouvia e ouço a voz da minha mãe que me pedia para a ajudar a enfeitar a árvore de plástico com as pequeninas estrelas de papel. Nesse Natal em 1972 nós, os três irmãos, brincávamos na festa da nossa escola. Aqui deixo uma imagem da minha imensa saudade do meu irmãozinho mais novo, o Manuel Bento, que continuo a abraçar. O Natal.

22 de dezembro de 2010

O "desperdício" de Natal


Diz a "Quercos" que o pior para o ambiente é o "desperdício" do Natal. Concordo. Na verdade o maior desperdício é desperdiçar o que o Natal nos poderia oferecer se não houvesse o complexo do consumo no Natal. A laicização tem disto. A má compreensão. A má apropriação. Só compra quem não tem para dar. Comprar para dar não é o mesmo que Dar sem comprar.

21 de dezembro de 2010

O que é nacional é lux


A menina Andreia é página de jornais em papel e electricidade por ter entrado num "concurso" cujo interesse nacional é entreter os portugueses. Esta menina está feliz, segundo eu leio, por ter revelado um segredo na Casa dos Segredos. Diz ela que foi, ou é, ou quer ser, não sei, uma ex-acompanhante de luxo por 500 euros à hora, fretes incluídos. Estou a ver. A menina Andreia não é só acompanhante, também, é de Luxo. O que é nacional é lux. Filha deste Socialismo de Abril, tatuado de entrelinhas, só pode exigir o luxo, igual aos outros, os poderosos, igual a tudo que brilha. Mesmo quando o brilho é fosco-rasca.

Pátria


Já aqui exibi esta fotografia. O homem medalhado é o português Marcelino da Mata, o mais medalhado e distinguido militar, de sempre, por bravura em combate. Não tem todo o peito coberto de listras como alguns coronéis e generais de estio cuja bravura é medida pela quantidade de recargas de tinta de china a passar mapas-diários e afins. Também não estou a falar dos "méritos" de vãos de escadas galgados sem sujar os sapatos, dos méritos de bom nome e família. Este português é um herói por ter arriscado a vida a defender uma pátria que entendeu como sua, como nossa. É um dos meus heróis. Sei que o não será para muitos, antes pelo contrário. Tenho conhecido muita gente que fez a guerra nas colónias e que entende a palavra pátria. A pátria não tem política, não tem défices, não tem ratings. Ou está dentro de nós ou não está.
Tenho dúvidas sobre os homens desgarrados "sem terra", os que dizem pertencer ao globo. Quando ouço falar de Portugal lembro-me de todos os cemitérios onde jazem portugueses, aqui e de além mar, de todos os sacrifícios. Um país é feito de Homens que não tenham medo de carregar os seus mortos. Homens sem medo de caminhar mas que recusem percorrer os percursos da mentira e não se escondam no resort das maiorias acomodadas.

20 de dezembro de 2010

Continuo


Quando era pequeno só pensava na altura de retornar à minha aldeia materna. As férias escolares eram para mim o meu momento. Cedo, ainda na alvorada, acordava e ia correr pelos campos da quinta murada. Corria. De braços abertos como um avião-pássaro, corria enquanto sentia nas mãos o prado ameno e olhava os meus sapatos encharcados pela geada.
Acho que não parei de correr. De vez em quando paro. Olho para a minha filha mais nova, Maria Beatriz. Tudo em que eu acredito está nela. Como eu lhe segredo, ela – elas, as minhas duas filhas – são a minha continuação. É, quase, Tudo em que eu acredito.

A minha força, os meus desejos, ultrapassaram-me. Ultrapassam-me. Parte deles correm na Maria Beatriz e com ela eu corro mesmo que as minhas pernas já não tenham a vontade de partir. Vai. Enquanto percorreres os teus sonhos eu continuarei a correr.

Ó Ana, muito bem


Ó Ana, muito bem. E se também fizesse queixa na União Europeia contra o seu Partido Socialista e contra a governança Socialista e o desvario imoral da utilização dos dinheiros públicos? Ó Ana. Começo a desconfiar da sua fixação em submarinos. Não consegue ver para além da borda d'água?

17 de dezembro de 2010

Saber ver


Acerca disto. O "subir na vida" por conta própria não está na agenda de muitos portugueses. O português gosta é de viver uma vida mansa. Mandar vir umas sandes, uma bebida e ficar a mirar e a criticar enquanto come e não se engasga. De preferência sentado num serviço público (ou Pública-Privada) com ordenado vitalício ou com as costas quentes de umas boas cunhas (que precavejam a sua inoperância). A ascenção social com sacrifício é coisa de literatura. O povo exige ser tudo, já feito. Não admite ser menos do que as guilhotinas e as balas regicidas lhe prometeram, por isso revolta-se com a sua situação. Não me vou pôr a falar de classes sociais, de elites, de heranças afectivas, seria mal entendido pelos ricos de espírito. Para já transmito o que me disse, e não me esqueço, um jardineiro que conheci, bem na casa dos 80 anos, e a trabalhar: ó sr. Amorim, sabe o que é que mudou para nós depois do 25 de Abril? Nada. Piorou. Nem mais liberdade temos. O 25 de Abril veio é realmente trazer liberdade para quem queria fazer política, para os políticos. E para roubar.
... saber ver.

Natal



Aparte o "pai natal", esse boneco fateloso sem alma que tentam impingir como o "elemento" primordial das festividades, e aparte o vácuo de certas bocas abrangentes, tais como "o natal é a festa da família", que ficam bem em qualquer credo, o Natal existe, sobrevivente, pela crença cristã, só, e revela-se da intimidade para a expansão dos afectos. Por isso também na poesia. De facto, um dos temas que mais me revejo na poesia é a poética evocativa do Natal. Mário Sá Carneiro, António Gedeão, Miguel Torga, Fernando Pessoa, José Régio, Pedro Tamen, Gomes Leal, David Mourão Ferreira, Bocage, Camilo Pessanha e João de Deus, são apenas alguns autores dos que me lembro de ter lido e que traduziram esta época de renascimento espiritual e de reflexão.
Por ser Natal, gosto de ler poesia nesta quadra. Uma quadra de reencontros. Um dos poemas que desejava partilhar foi escrito pela minha avó Maria Amélia Camossa Saldanha, no Natal de 1986, e gostaria que o lêssem como se fossem as minhas palavras, apenas, porque, só através delas poderei estar à altura deste devir.

(...)
P´ra que Vos possa oferecer
Por berço meu coração.
Será duro, será frio?
Mostrará ingratidão?

Aquecei-o, meu Jesus,
No fogo do Vosso Amor.
E a minha vida será
Canto eterno de louvor.

E, depois, repousai nele
Amorosa eternamente,
Enquanto não vou, em Vós
Repousar eternamente!...

16 de dezembro de 2010

Neste tempo para luvas

os aventureiros, há os covardes, há os espertinhos, há os compadres, há os corruptos, há os políticos de bem, há os políticos por bem, há os que estão a chegar, há os que ouviram falar, há os que também acham que sim, há os que devem cacau, há os que devem favores. No que toca ao mapa do regime desta República e dos gastos do Estado a coisa tem muito a ver com este frio que grassa, neste tempo para luvas...

14 de dezembro de 2010

Tudo à coca

E pronto. Aqui está uma das primeiras aparições do "pai natal"! O gorducho preferido dos burgueses e das mentes coloridas dos paizinhos modernaços – deste mundo de fibra. Os "crentes" nesta coisa são de dois géneros: uns querem fazer dele o substituto de Jesus e do perigosissimo catolicismo, promovendo-o, a modos de que, a "deus fixe, plausível e laico", legítimo distribuidor de prendas larocas aos humanos bem comportadinhos, sem crises, nem dificuldades de pagamento. Tudo à coca. Outros querem fazer dele o "verdadeiro" espírito progressista de natal, reduzindo a coisa a um sentimento de bondade-por-um-dia-que-amanhã-já-estou-noutra (quanto mais de "esquerda" melhor) acrescido de um jantar, à borla dos velhotes, cheio de copázios, arrotos e comezainas. Tudo à coca.

A Eutanásia

Aqui e ali, ouço umas vozes entusiasmadas com mais uma fractura exposta: a eutanásia; nome de menina! Já lhe imagino um busto com as mamas ao léu e um barrete à francesa. Os "éticos" pedem que caminhemos para o negócio da liberalização da eutanásia, com despesas a facturar pelos extremistas, os primeirinhos do aborto livre, esse aborto ironicamente celebrado pelos que não aceitam a pena de morte mas que até dão uma ajuda no suicídio assistido. Pois então que venha essa droga "libertadora" e depressa. A ver se o cadáver vai de vez e dá lugar a outra vida renascida. Beba lá um copinho disso, senhora República. Vai mais um? Até nunca.

13 de dezembro de 2010

Coisas que não me interessam - NosenseatAll

Não têm directamente a ver com a minha área ideológica e a área ideológica que eu desenvolvo carece de plataformas como isto!

Coisas que me interessam - SenseWall

Não tem directamente a ver com a minha área de trabalho mas a área de trabalho que eu desenvolvo carece de plataformas como isto!

11 de dezembro de 2010

Ler e reler

Tudo se resume a isso: despeito, eterna adolescência moral e uma quase certa revolta contra o berço onde se naceu. Não deixa de ter piada que é o povo chão quem melhor compreende os reis. O povo chão ama os reis. O mesmo não acontece com a burguesia, sobretudo a alta, que subiu a choques de punhal, bem como a novíssima, despenteada mental, a das Kátias e das Vanessas, dos futebóis, das gestões e das férias nas repúblicas dominicanas.

10 de dezembro de 2010

Obrigado, poeta, por me fazeres sentir um jovem

Um dos candidatos ao emprego de presidente da república sobe o tom da campanha. Atira com Camões. Olha os Lusíadas. Não cita os poemas mas diz que sabe quantos "cânticos" são e acha-se melhor que o rival porque ele sabe o que o outro não sabe. Sobe ainda mais o tom; meio tom, não exageremos: diz que se for ele a presidir a este regime vai instigar os jovens à rebeldia, à insubmissão, à luta: "Não aceitem esta situação". Bem diz.
Obrigado, poeta, por me fazeres sentir jovem, é que eu pensava nisso mesmo, na insubmissão contra este regime imposto pela tirania. É pena achares – não levas a mal que eu, jovem, te trate por tu? – mas tenho pena que só vejas o "conformismo" naquilo que te interessa para manteres a conformidade das coisas, nessas coisas em que eu, jovem, não me conformo.

9 de dezembro de 2010

Dar

Uma sobrinha da minha mulher disse em tom alto: "as pessoas que ajudam os outros fazem-no por egoísmo". Gosto de ouvir os adolescentes e as suas ideias. Para muito tipo de jovens o prazer de dar é narcisista e se se dá para obter "prazer" está-se a praticar um acto de egoísmo no qual o fruidor é um meio para atingir o fim. Este modo de intuir é pernicioso e perigoso. É o primeiro passo para o afastamento e para o alheamento social. Quando era pequeno alguns pobres tocavam à campainha de minha casa e, de acordo com a hora, a minha mãe já sabia que pessoas nos vinham pedir ajuda. Eu levava um prato de sopa e um pão com carne ou peixe. A minha mãe pedia para eu ficar na soleira da porta a fazer sala, companhia, enquanto as pessoas comiam. Posso dizer que a nossa casa recebia vários pobres, que mendigavam por várias razões, a quem chamávamos: os nossos pobres. Quase sempre a minha mãe procurava saber da saúde e vivência destas pessoas e ficava a falar algum tempo. Eu ouvia e sentia-me feliz.
Podia contar muitas histórias sobre a face altruísta que vivi na minha família; a minha avó materna foi uma das fundadoras da Acção Católica e de vários grupos de leigos (Ligas Independentes Católicas) que emergiram após a II Grande Guerra e numa altura em que a fome e a escassez de alimentos fustigava muita gente. A minha mãe integrou a Juventude Independente e participava, ainda nos anos 70 e 80, em grupos de missão para ajuda dos mais pobres, que hoje abundam com o propósito de serem "IPSS". A felicidade que sempre constatei estava na face dos que recebiam. Um sorriso. Um até amanhã!. Um cumprimento e aceno do outro lado da rua quando nos viam, sem complexos nem "diminutivos" por estarem em dificuldades. Aprendi que um dos maiores dons é o da caridade. O altruísmo. A caridade é um valor formativo, imprescindível para o desenho de uma sociedade equilibrada, um valor preventivo.
Posso afirmar que a pobreza aumentou, e muito, em relação à trinta e tal anos atrás. Os grupos de Leigos (que integravam pessoas católicas mas também ateus) foram desaparecendo, porque, substituídos pelo Estado-Social, "moderno", pleno de ideologia gritante, um hino mudo para a pobreza que vinha do faxismo. Veio o Estado-Social. Veio. E cobriu de betão toda a pobreza-faxista. Hoje olho para a pobreza e vejo outros rostos. Não é a fome, que essa esgana no estômago, é o mostrador de uma bússola sem ponteiro. Vejo o "Estado-Social". Com ele novas frases de Ordem, daquelas frases em que Receber é um direito sem direito a agradecimentos. Percebo o que certa gente diz sobre os que podem ajudar, alguns até dizem que as pessoas de posses são "obrigadas" a dar! Dar o quê? Dinheiro? – Ah, sempre o dinheiro alheio.
A pobreza maior que conheci e que encontro não se reabilita só com euros. Reabilita-se com o coração. E o que pode dar um coração egoísta?

A economia

Um ex-ministro Socialista que apoia um presidente social-democrata e "dá" muitos pareceres vem dizer que o estado-social está a aniquilar a economia. Não concordo. O que tem aniquilado a economia, desde 1974, são os gastos desmesurados de um certo socialismo que de Social só tem as relações pessoais dos empregados dos partidos com o patrão Estado.

8 de dezembro de 2010

O país


Um professor é obrigado a pagar uma indemnização a uma aluna sua por esta, numa aula de educação física, ter caido mal (e daí ter tido consequências motoras) num "salto mortal" que o professor instruía. Uma ponte (Ponte de Entre-Os-Rios) caiu e morreram 59 pessoas, foram indiciados hipotéticos culpados, abriram inquéritos e não houve culpados. O ministro, de então, Jorge Coelho que instruía o ministério das obras públicas demitiu-se e prestaram-lhe homenagens ao seu carácter. Um aluno de Mirandela, de 12 anos, suicida-se por ser coagido e perseguido assiduamente por colegas da sua escola. O porteiro, que devia controlar e fiscalizar as saídas de alunos no horário lectivo, não estava no local de trabalho quando o aluno Leandro fugiu e saltou para o rio, que lhe iria tirar a vida. O porteiro foi ilibado, a direcção da Escola não caiu, a direcção da DREN também não, o ministério da educação deu um "mortal" para a frente. A ministra não se demitiu e por isso não lhe prestaram homenagens ao seu carácter.

7 de dezembro de 2010

Não ver o óbvio


A principal questão na abordagem à substituição, urgente, deste decadente regime republicano prende-se, para mim, não somente com a figura do chefe de estado mas com a "arquitectura" funcional e operacional do regime. Observem esta bandeira, pode ser um bom exemplo ideacional. Óbvia, simples, estrutural e conjuntural. Assim deve ser o mapa de um estado eficaz, aberto, sem sombras, sem procuradorias, chupadorias, supremos isto, tribunais administrativos aquilo, sem constituições de cinco quilos, sem teias de promiscuidades e interesses pessoais, isto é, um Estado sem caprichos e enteados, sem tetas e capachos, que não levante a mínima dúvida, nem ao mais desatento, do que deve ser a separação entre Estado/Pátria e Parlamento/Governação.

Ler o resto aqui

Pedido de desculpas


Por motivos que só agora pude constatar, a caixa de "moderação" deste blogge estava sem avisar a entrada de comentários, pelo que várias opinações só agora vão aparecer nos respectivos artigos. As minhas desculpas que nada têm a ver com a supressão ou selecção de comentários.


O gordefas está a chegar. ALEGREM-SE LAICOS

6 de dezembro de 2010

O meu amigo Catarino

Tem um dom especial. Vive como desenha, exprime-se como vive. Os seus traços, simples, firmes, poéticos, levam-me a viajar pela saudade da minha adolescência, o campo e as pequenas vilas, o sossego das paisagens amenas e apelativas. O João Catarino não é um simples urban sketcher, é um artista que pode reclamar para si a consistência mágica com que agarra para sempre – mais que fotográficamente – a vida que nem sempre conseguimos constatar.

Convido todos os que me possam ler a visitar obrigatoriamente esta reportagem dividida em várias partes.


http://www.ionline.pt/itv/16239-atravessar-o-pais-pela-en2---1-parte-viagem-chavesviseu

http://www.ionline.pt/itv/16240-atravessar-o-pais-pela-en2-2-parte-viagem-viseugois

http://www.ionline.pt/itv/16238-atravessar-o-pais-pela-en2--3-parte-goismontargil

http://www.ionline.pt/itv/16312-atravessar-o-pais-pela-en2---4-parte-viagem-montargilfaro


Conseguir ser feliz enquanto choro

Manuel Bento Camossa (à esq.) em Davos, Suíça, 1895, com o barão Schmith

Cresci a ouvir a minha avó materna, com quem vivi, falar da saudade e da perda do seu pai, o meu bisavô Manuel Bento Camossa. Em dois dos livros que publiquei com poesias da minha avó, Maria Amélia Camossa Saldanha, foquei na resenha biográfica o pormenor da despedida do seu pai, que partiu numa carruagem em direcção ao porto de Leixões, e daí num barco que o levaria aos Estados Unidos, em Janeiro de 1911, pelo facto de este episódio ter marcado, decisivamente, todo o percurso da família. Apesar de ter somente 5 anos, o momento da despedida, o aceno e a correria atrás daquela carruagem marcou para sempre a vida da nossa família e, posso dizê-lo, marcou a minha vida. Após a morte da minha avó, em 1996, não descansei à procura da razão dessa partida – principalmente da razão desse não-regresso. Manuel Camossa partiu-fugiu de Portugal por várias razões, uma delas política. Pertencia ao Partido Regenerador-Liberal e era um dos braços de João Franco. Em Outubro de 1910 ocupava o cargo de Administrador do Concelho de Águeda. Em novo estudou na Suíça, engenharia agrónoma, fundou o jornal Independência D'Águeda, fundou uma filarmónica, empresas, escolas públicas, foi pioneiro na venda do leite em garrafa, era um dos mais cobiçados conferencistas sobre o tema da agricultura, em especial na área apicultura. Queria empreender uma revolução agrícola em Portugal, importou máquinas pesadas da Alemanha e Suíça para a tarefa ceifeira e debulho. Foi o fundador do conceito de seguro de saúde agrícola, em 1903, para os seus funcionários na Quinta das Bregadas. Casou. Teve uma filha do seu casamento. Partiu. Não voltou. Em 1999 descobri, através da internet, o nome dele e o seu nº de segurança social inscrito no estado de Nova Iorque. Pesquisando nas fichas de um recenseamento vi que faleceu em 1969. Como foi possível? Como? Não escreveu uma só carta para a sua filha durante a sua vida! O que o fez esquecer? Pode-se esquecer? Este mês, uma nova descoberta e aquela que eu mais perseguia: onde havia falecido. Depois de muitas pesquisas e telefonemas descobri o nome do cemitério onde está sepultado e uma imagem da sua lápide: Lakeside Cemetery, o cemitério hispânico-católico, na cidade de Eagle Lake, no Texas, o mesmo que o da sua mulher americana, Emma (Dehnisch) Camossa!

Crescer é sentir. Muito daquilo que me ensinaram só me parece, neste momento, ajustado a mim. Já não suponho pensar que a minha experiência alguma vez será lição para outrem. Todavia, as minhas certezas não me afiguram mais frágeis pelo facto de a desilusão assolar os meus sentimentos. Muito em breve, irei, iremos – através de mim a minha avó – a Eagle Lake. Para perceber. Para conseguir ser feliz enquanto choro. Se me for permitido, gravarei na sua lápide os versos que Maria Amélia escreveu, nos anos vinte do século passado, ao seu pai e que são uma das frases permanentes da minha vida:

(...)
E, se o Céu decretar que nesta vida
Só possa em sonho ver-te a imagem q'rida
Que me deixe viver sempre a sonhar!

3 de dezembro de 2010

O nojo


Enquanto as notícias vagueiam pelo folclore da eleição presidencial eu reservo-me ao nojo neste período que se avizinha. São candidatos a si. Não são candidatos pelo país. Primeiro eles, os candidatos, depois o partido deles, dos candidatos, depois os rapazes deles, que se sentam à mesa dos candidatos, depois o discurso deles, da ideologia mastigada em rascunho, dos candidatos, depois o povo, os outros, os ouvintes, os pedintes, do cortejo, da plateia, que acena, que se contenta, pela participação de cruz. Eu não, tiro licença, sem licença, de nojo.

Quem


Uma senhora idosa bate no capô de uma ambulância do INEM, com as luzes a cirandar. Pela forma como bate vejo que está preocupada. O seu porte frágil e possivelmente a sua voz baixa não demonstram qualquer atenção do condutor. Parado no trânsito, no meu carro, observo por um minuto este episódio. A senhora bate na ambulância. Vira-se para o lado e dirige-se ao carro que está à minha frente. O carro nem o vidro abriu. Fez-me a mesma pergunta: Não me ouvem, queria saber quem está na ambulância, vivo aqui, sozinha com o meu marido... sabe quem está doente? Disse-lhe para sossegar e ir a casa ver se está tudo bem. Fiquei eu aflito. Vi a senhora afastar-se. A ambulância arrancou, o trânsito obrigou-me a prosseguir. A lide não pára! Quando paramos e nos detemos a vida fala-nos. Segui em frente e parte de mim ainda não parou. Escrevo aqui; nestas teclas sou eu que bato no capô daquela ambulância procurando por quem.

30 de novembro de 2010

Os inimigos


O ocidente não tem que procurar os seus
inimigos fora. Estes encontram-se bem dentro de si.

O preconceito no tratamento social


Deparei-me com uma conversa muito interessante, um sujeito que conheço profissionalmente dizia-me: se o gajo pensa que o vou tratar por Visconde mais vale ir pró cara...! Bem, eu sorri e disse-lhe que se eu soubesse que determinada pessoa tinha um título nobiliárquico (os descendentes de antigos títulares assumem hoje essa herança na forma afectiva) eu, se existisse um tratamento formal entre os dois, não me obstaria a tratá-lo desse modo. O sujeito reagiu e botou faladura sobre os "direitos" e o fim da monarquia, que agora somos todos iguais, ao que eu lhe disse: felizmente, não somos.
Sempre me ensinaram que a cordialidade é a melhor forma de nos aproximarmos dos outros, de nos apresentarmos, de nos reconhecerem. Tenho na memória que o Presidente Mário Soares, no seu consulado, teve uma correspondência social com o Senhor Marquês de Alorna e o Senhor Marquês de Pombal, e que no trato oficial, sempre se lhes dirigiu pelo título. Desde sempre o tratamento pelos títulos ou denominações de personalidade baseou-se na cordialidade e demonstração de reciprocidade, gentileza, parceria, aproximação. Senhor para cá, Senhor para lá, Doutor para lá, Vª Exª para cá! Por várias razões, não difíceis de intuir, o uso dos títulos a seguir à "implantação" terrorista da República ampliou-se, generalizou-se e tomou a forma de "escadaria" no percurso social. Não há país mais pretensioso no uso dos títulos que a república Portuguesa. Qualquer bacharel é Doutor X, qualquer licenciado é o Senhor Doutor Engenheiro XY. Este abuso desapropriado numa República laica e igualitarista podia pressupor uma lógica compreensão face ao significado das distinções – nobiliárquicas ou não –, as suas origens e, sem complexos, do seu significado enquanto "património" pessoal. Mas não. O uso dos títulos veio demonstrar a arrogância centrifuga da sua utilização e o preconceito de muitos que se "anunciam" pelo prefixo.
Tratar devida pessoa, formalmente, por Dom, Conde, Barão, Doutor, Professor, Comendador ou Senhor é-me igual e não me tira nada, não me rebaixa. Antes pelo contrário.

29 de novembro de 2010

O manto que nos cobre


Questões de trabalho vão-me levar assiduamente ao Douro vinhateiro nesta estação fria e chuvosa do ano. Hoje saí cedo para um encontro nas altas terras de Alijó. A viagem correu sem problemas no trânsito apesar do frio intenso; ver o Marão, sublime, é um prazer e a sua imponência acalma os desassossegos. Agrada-me a cor escura, acentuada pela neblina, das serras transmontanas. Ao final da manhã na viagem de regresso ao Porto tive uma surpresa, começou a nevar. A queda dos pequenos flocos de neve são propícios à imaginação especialmente nesta época do ano. Se o vento é brando é possível sentir a neve tocar-nos delicadamente. Os primeiros minutos de um nevão são de uma beleza ímpar, tal como se de um desenho se tratasse, o "branco" vai retocando a paisagem paulatinamente e uniformiza os contrastes mais particulares. A paisagem da neve tem uma textura quente. Este deleite, que descrevo, foi interrompido por uma evidência. Se os nevões são fortes e ventosos o aconchego de uma casa impôe-se como guarida. Ora viajar numa auto-estrada (A24) e descobrir o que é um tapete de neve a cobrir a estrada não é agradável. As luzes de "acidente" de uma carrinha de vigilância fez com que eu travasse suavemente.. e parar? O carro não parou apesar de eu já conduzir pelos 60 KlmH. Os segundos que se sucederam entre a minha infrutífera tentativa de travar com o pedal e a eminência de ter de utilizar o travão de mão pareceram horas, naquele belíssimo tapete branco. Acabei com o carro virado em contra-mão na auto-estrada depois de ziguezaguear. Apanhei um susto. Retomei a marcha, lenta, quase parada. Até ao Porto uma viagem de 60 minutos demorou duas horas e meia com constantes nevões, sem marcas que orientassem a condução, sem luzes de aviso nas curvas, sem ver quaisquer limpa-neves, polícia, sinais de orientação fortes nas saídas, qualquer assistência/presença da "Concessionária". Quem projectou a A24 devia saber que montes e colinas ela atravessa, as altitudes que alcança e a sua implantação naquela magnânime natureza. Não culpo a neve que cai e que delicia-nos com o seu manto que nos cobre. Num pais onde se desvia tudo, por pouco e por nada, fechar uma ou outra estrada seria contribuir para a baixa da sinistralidade. Fiquei a pensar nos que atrás de mim passarão naquela auto-estrada cada vez mais invisivel pela neve e mais visível pela negligência dos que por ela deviam fiscalizar.


25 de novembro de 2010

Cuidado com o que se lê


Devemos falar de ricos e pobres países...

Questões pertinentes


Porque é que quando se quer deixar uma opinião magnânime de uma pessoa se diz sempre: é um dos três melhores (em certos indivíduos sai melhor a expressão "maiores")? Porque não se diz o valor de facto ou então: um dos catorze melhores? Mania dos pódios com degraus.

24 de novembro de 2010

Um sintoma

Ao ver palavras tão expressivas como o que titula a capa deste jornal ("milionário") sinto que os sintomas do ressabiamento e do jacobinismo militante continua na ordem do dia e tende a generalizar-se. O dedo apontado aos ricos, poderosos, famosos, denota uma guerrilha social, latente, que os média exploram e que alguns acicatam com o argumento da crise e das necessidades prementes da vida. Generalizar os termos é próprio dos básicos e generalizar o conceito é lábia dos ignorantes. Os vis sentimentos mostram-se em cada esquina da vida e por estes dias a inveja anda a sair muito à rua. Para muita gente a honestidade só se comprova com um certificado de pobreza. Até há quem que para ser bem aceite no mundo das virtudes "humanistas" esconda uma vida séria de trabalho e pecúlio amealhado com o argumento que também é de "esquerda". Há muita pobreza, bem o sei; não sou rico, mas recuso-me a fartar o meu espírito dessa compensação vazia que é o egoísmo e a inveja.

23 de novembro de 2010

Afectos e Rupturas


O Estado Novo não teve coragem de fazer com este o que este faria com os opositores se estivesse no lugar do Estado.

22 de novembro de 2010

A mão católica


Um conhecido meu está a atravessar sérias dificuldades financeiras. Encontrei-o por acaso e falou-me do seu desemprego de longa duração, do trabalho precário da companheira e da sua filha que vive, tal como eles, em casa dos avós. Apesar de não ser uma pessoa próxima, fico sempre sensibilizado e preocupado. Já lá vão os anos em que uma música ao jantar punha-me sempre bem disposto e longe dos problemas. Lembro-me de alguns argumentos que ouvia desta pessoa em casa de amigos comuns, sempre hirto e firme contra as direitas e os católicos, contra os tradicionalistas, era um simpático "rapaz moderno" e divertido, tão, legitimamente, anti-casamento mas tão, seguro, a favor do casamento gay. Despedi-me triste pela estória mas confiante que a sua vida poderia ter uma melhoria quando ele me disse que a Cáritas e a Casas de S. Vicente Paulo estavam a apoiar nas refeições e na roupa. Tinha a esperança de começar em breve a trabalhar umas horas no Hospital de S. Marcos. Pelo que ouvi o estado-de-esquerda que ele tanto apoiava não lhe dava mais subsídios, a segurança social não lhe dava sopa quente ou roupas, toda a ajuda urgente e premente vinha da mão católica que ele tanto desprezava, essa mesma ala católica que ele achava inútil e formadora de más consciências dava-lhe agora apoio moral e uma esperança de trabalho. Espero sinceramente que a sua vida melhore e que a sua filha tenha um pai que lhe saiba sorrir. Contudo, não espero que, nesse tempo que virá, ouça este conhecido a corrigir o seu discurso acerca do que apelidava de "inquisidores, ladrões, padres chulos". Posso estar enganado.
O que seria deste país, laico e republicano, sem a ajuda fundamental das instituições e pessoas de inspiração cristã? Estou a falar da fome, não a falar de salvar as "consciências", porque a consciência só pode ser salva por nós.

20 de novembro de 2010

Tanta NATA


Portugal foi um dos fundadores da NATO em 1949. Pelo meio de muitos desenlaces e afastamento dos lugares de decisão (o pós-25 de Abril foi um vazio na cabeça dos senhores da revolução) Portugal volta a estar na legítima posição de membro activo e enquanto organizador deste evento muito mais do que o nome Lisboa ficará. Opiniões à parte sobre o que eu penso dos "membros" da NATO não deixo de ver com orgulho que somos anfitriões, cordeais, humildes e que quando instigados somos capazes de organizar com eficiência e prestígio. Pouco me importam as fotografias de ocasião do conjunto de estarolas interessa-me, à posterióri, saber que rumo estratégico irá ser dado a problemas tão prementes como a definição nuclear da NATO, os seus objectivos ou o alcance que uma força pluri-militarizada pode ter no desenho político de cada estado. No meio de tanta fotografia e, excessivo, comentário televisivo ainda não ouvi de nenhum paineleiro – ou cientista político – uma serena exposição dos acontecimentos da cimeira (apenas interessados no fait diver) e uma imparcial evocação da nossa adesão à NATO e do seu decisor. Tanta Nata intelectual, tão imprópria para consumo.

18 de novembro de 2010

Porque é que não anda tudo na rua a fazer "contestações"?

Porque as únicas manifestações que "esgotam" são as de cariz político-privado e grande parte dos que as promovem não têm lindos olhos...
Porque há quem conteste porque quer comprar... ...!
Porque grão a grão muitos esperam encher o papo... do mesmo tacho.
Porque, ainda que inconscientemente, a maioria sabe que a "gratuitidade" da violência não "enriquece" e acarreta custos...
Porque sacrificar o cabedal (o corpinho e o porta-moedas) exige uma noção de Liberdade que não se obtêm com dependências...


Se não o disse digo agora


O Nuno Castelo Branco, colaborador do Estado Sentido, tem sido, nos últimos três anos, uma das melhores surpresas. Ainda não o conheço bem mas a sua prosa, reveladora, apraz o meu sentido crítico e cívico. Sempre me ensinaram em casa a "saber ouvir". Saber ouvir é aprender, melhor, aprimorar o nosso ênfase. O Nuno tem tanto de lucidez como de brilho artístico. Homem de letras e das artes plásticas, a sua escrita viaja pela crónica apaixonada, pela história, cultura, pela honestidade intelectual sem prejuízo das suas opções e convicções. Não é um elogio. É uma constatação.

17 de novembro de 2010

É assim que se faz política:


... em cima da mesa
!

A técnica da "engorda"


Pode não parecer mas os políticos deste socialismo (ávido) usam a técnica da matança do porco. Primeiro engordam-no, depois esfolam-no(s).

16 de novembro de 2010

Pena


Ao contrário do relambório relativista de muitos intelectuais e de muitos desiludidos eu acho que as pessoas "valem a pena". As pessoas são a minha melhor esperança. Nunca perco a esperança de encontrar Pessoas. De me encontrar. Reconhecer. Pena tenho que a vida-a-correr-para-quê, aquela que se firma pela sobrevivência, oculte as virtudes que não se prendem com o material. Quando eu falo de Pessoas não me refiro à "gente" que não olha ou fecha a mão para não sentir. Desses, que não me tocam, que a nada ligam senão à superfície, que me trespassam a correr, não tenho memória. Não sinto valer.

Olha o comboio


Chegou a Contumil o comboio dos presidentes. Velho, podre, descurado, uma "peça de museu". Muitas estórias da carocha devem ter as carruagens para contar. Parece que a sua recuperação custa mais de 1,5 milhões de euros! Eu, por mim, acho que não lhe deviam tocar; devem deixar tudo como está. Só assim o comboio dos presidentes poderá servir de prova museológica do que é esta república portuguesa. Quase parece uma adivinha: tem rodados mas nunca andou nos carris, diz-se igual mas anda desigual no tratamento dos seus e tem muitos problemas de tracção, em vez de andar para a frente... anda para trás. É o comboio dos presidentes da república numa linha com estações e apeadeiros particulares. Deixem o povo acenar.

15 de novembro de 2010

Clube D'Abril


Não vou ser irónico. Há cada filho que merece o pai que tem. Nada que um pai não faça pelos seus filhos. Então, nada a criticar. As "cunhas" para os filhos deviam ser legais. O rol de filhos de ministros, secretários, ex-presidente, deputados e demais que trabalham na PT, EDP e muitas, muitas, outras empresas semi-públicas/públicas leva a perceber o quão enorme é o amor paterno-materno nesta República laica, igualitária e socialista. O amor que estes filhos recebem leva-me a pensar que a maioria nunca estará "à altura" desses pais que conseguem prodigiosamente colocar a sua descendência nos locais-certos. São os filhos isentos dos "concursos", da chatice, do esforço, do cheiro a suor, de lágrimas. São filhos e os netos do "Clube D'Abril".

12 de novembro de 2010

A coerência e a visão


Numa coisa tenho de concordar, há homens de coerência e visão; qual D. João II, um autarca de Paredes pretendeu (ou concretizou) erguer o maior mastro do mundo e lá no alto esvoaçar a maior bandeira do mundo. Eis-la, a ideia, no seu todo plena de sentido. Lá no alto, em todo o seu pano, a bandeira da pobreza, do desemprego, da desigualdade social da República, da frustração, um dos maiores índices de risco para empréstimo bancário do mundo. Mesmo que a crise não tenha permitido erguer o "tal" mastro a ideia fica pela oportunidade. Desde já, deve o povo agradecer o privilégio de tal visão, de coerência, do Centenário da República. Estão a vê-la? Sim. Olhai, lá no alto, essa bandeira-espelho – pena que já esfarrapada pelos ventos desta cíclica tempestade centenária que nos depaupera.

11 de novembro de 2010

7 de novembro de 2010

Os românticos do punho erguido


O amigo (presidente) chinês ("amigo" do povo dele e dos nossos problemas) está em Portugal a comprar a nossa incompetência. Tinta e seis anos depois da data mais sagrada para os românticos do punho erguido contra a ditadura da II república, o chefe supremo da ditadura visita Portugal com palavras de cooperação económica. A política, essa, a moral, deve ser deixada de lado; os direitos humanos, esses, são relativos; o que importa é dinheiro muito dinheiro. Trinta e seis anos depois da data mais sagrada para os românticos do punho erguido a ditosa "revolução" não vale mais do que uma pobreza assustadora e a ausência de esperança. O amigo chinês sabe bem a nossa história, tal como os demais chineses gosta muito de roletas e casinos. Um grande casino tem sido este (outrora) país nas mãos dos vendilhões da I república, da II e da III de "Abril". Pobres românticos manetas.

26 de outubro de 2010

Mais um anti-colonialista anti-fascista


Um professor universitário escreveu um artigo no Público a exasperar pelo culto de um "homem difícil". No fim de alguma prosa diz isto: "Mas não nos podemos esquecer que a ausência de um interesse em criar as condições necessárias para uma carreira académica mais consequente a um homem que nos habituámos a considerar de difícil, sem nunca nos interrogarmos sobre as razões sociológicas que determinaram esse mesmo qualificativo, nunca foram subvertidas pela figura em causa. Ou seja, Margarido nunca se arranjou - ou colocou - , evocando o seu passado anticolonial e antifascista."
Mais um! Este país é um rancho de anti-fascista-anti-colonialistas. Mas que porra intelectual pode advir deste título que certa gente ousa distribuir? Porque purga este professor?

Aparte o cancionismo ao difícil Alfredo Margarido, será que este mesmo professor se sente igualmente perturbado pelo alheamento a que o meio académico votou a Amorim de Carvalho (um filósofo, poeta e esteta com obra) o único intelectual português que teve a coragem de dissertar em âmbito filosófico sobre o percurso de descolonização? Ou o "meio" só reconhece os anti-colonialistas-anti-fascistas?

25 de outubro de 2010

Sem esperar


Os portugueses (os média!) não conseguem ver mais nada no país que não o "Orçamento de Estado". Todos tiritam de medo, de apreensão com o que aí vem. No fundo este povo está à espera. E vai estar e continuar a estar. Só no dia em que houver políticos e Homens em Portugal que deixem de estar à espera é que a coisa vai mexer. A novela política é meramente um espelho da preguiça caseira, do sedentarismo mental e burguês em que nos encarceraram nas últimas décadas. Eu nada espero que mude. Não vai ser a "democracia" a resolver os problemas que tantos "esperam"! Ao lado deste cenário, entretanto, vivo uma vida feliz apesar de, assumo, ela ser uma coisa muito, muito, privada num mundo que não espero abrir. Viver o amor que a família me dá tem sido uma das reservas para ultrapassar as contrariedades que me deparam. Esse amor, fundamental, não vem no "Orçamento", a esperança, que me empurra, não vem nos orçamentos, a alegria das coisas simples não são passíveis de orçamentar, talvez por isso, não estou cativo dos duodécimos que estas sucessiveis e indecorosas governações reservam aos que, sozinhos, lutam livres, sem pretender esperar.

21 de outubro de 2010

Um defeito meu

Porque é que sempre que ouço falar em grandes homens me lembro sempre de Portugueses que lutaram sem medo de perder a vida pela pátria-terra? Que outros heróis podemos lembrar nestes dias em que minorcas dominam o país, sem escrúpulos nem vergonha. Que suja é a hipocrisia desta resma de incapazes que nos governa, sem pudor de assumir as suas fraquezas, sem pudor de roubar. Como é possível haver pessoas que passam o dia a prometer ao país o que não têm, o que não sabem dar? Que lata têm os paineleiros/analistas em citar como referência políticos que não fizeram mais do que "política" em prol de benefícios materiais, partidários e amiguismos? O que fariam estes cobardes se um combate físico lhes deparasse? Tiravam a gravata ou poriam o povo à frente deles? Pensam estes pequeninos que o combate pela vida se faz só de arma na mão, que deve ser deixada para os "soldados"? Não. Um dos mais difíceis combates é feito pela consciência. Por isso acredito nos escrúpulos como um dos valores intrínsecos da nossa honestidade. Pode ser um defeito meu, mas olho para os políticos que nos têm governado desde a implantação da república e não vejo uma multidão de Homens, antes uma multidão de cobardes e desonestos a olhar para o chão que não merecem.


* Na foto o "Fantasma da Floresta", o herói português Daniel Roxo. Morto numa emboscada em Angola traído pela falange de "Abril".

20 de outubro de 2010

Tudo bem

No fundo esta república nunca foi dirigida por pessoas sérias mas por evangelistas da boa vida. Uns escroques com outros escroques que sabiam ler fizeram uma revolução em 1910. À lei da bala. Seguiu-se o caos até 1926. À lei da bala. Segui-se uma ditadura. À lei da bala e da refrega. Seguiu-se uma "revolução" em 1974. Os escroques voltaram e com eles muitos oportunistas que sabiam ler. Escreveram uma constituição surrealista e montaram uma feira de vaidades. O país foi vendo, fica a ver. Porquê? Porque emprenhamos em demasia pelos ouvidos. Temos um estômago manso e ávido das promessas não cumpridas, todas elas floreadas pelas armas apontadas à nossa consciência. Que República exemplar. Os evangelistas dos cravos ainda foram mais longe que a demagogia dos terroristas da I República, trocaram as emboscadas e as armas pelo gatilho das palavras: – ... viva a liberdade que vos "damos", ide curtir, está tudo bem, olhai para a frente, cuidado com o passado, quais valores? isso é reacção... Há!... não se esqueçam de nos dar o vosso voto, sejam democratas em nome da Liberdade que conquistamos para vós, deêm-nos "meios", "nós" não somos como os demais. Sejam iguais, lindos, ricos, famosos em todas as áreas e mais algumas, não se preocupem com pátrias, a moeda única de duas caras há-de dar-nos o conforto do socialismo rosa-laranja, bronzeiem-se, povão, que alguém há-de pagar caro a vida que "nós" proclamamos e que vocês, de certo modo, merecem...

Isto


Sobreviver a isto

18 de outubro de 2010

O país


O país vive atravessado pelas notícias do orçamento de austeridade que urge aprovar. Segundo leio, a chantagem do partido maioritário roça o oportunismo. Nada como fazer crer a inevitabilidade. O que eu acho grave é o autismo sobre a realidade do país. A realidade dos últimos 36 anos. O desemprego nunca diminuiu à custa da produtividade individual mas sim à custa da gordura do estado-empregador. A economia nunca cresceu, o que cresceu foi a finança. O produto interno bruto nunca foi positivo. Acerca disto os políticos, desde esse ano de 1974, só olharam para a superfície. Para a pele das ilusões. Todo e qualquer fuinha abriu as goelas prometendo combater o Portugal "atrasado" pelo "regime-ditadura". Cresci a ouvir isto. O que realmente se passou foi o crescimento de uma classe política grosseira, mal preparada, ávida no domínio público e no interesse privado. Atacaram-se os "poderosos" e os "interesses" do capital. Induziu-se uma boa parte da população na medração fácil da subsídio-dependência, nos direitos adquiridos, nas "lutas" de Abril, na igualdade instantânea, nos direitos fundamentais, na gratuítuidade absoluta de tudo e qualquer pôrra. A política pariu um monstro de direitos, vazio de deveres. A máquina da retórica socialista – tudo pronto para todos – esvaziou a tradição de muitos ofícios e indústrias, fomentou a inércia, assassinou o empreendorismo, patrocinou a escadaria dos "títulos" sociais como meta psicológica do "novo-português". Pelo meio posicionou uma clientela boa de domesticar. A política assaltou o Estado que de res publica só tem o nome; já nem somos Portugal e neste ano difícil celebramos irónicamente 100 anos de "República Portuguesa". Esta sub-região da "comunidade europeia" é hoje um naco muito mais frustrado do que nos anos setenta. Perdeu o que nem a ditadura lhe havia tirado: a esperança. Os políticos de Abril, parte deles uma boa escumalha, esqueceram-se que um país é feito de homens, de famílias, de espaços, de permanências, de espírito, de altruismos, História, de continuidade, de Coragem. Fazer crer que a não aprovação deste "orçamento" é fazer cair o país numa situação muito difícil é mentir e sonegar as razões da nossa crise. Que venha a "situação difícil". Prefiro pagar caro a "minha" derrota do que continuar sem lutar. Desejo um outro país.

16 de outubro de 2010

De mentira em mentira aqui estamos

(...) a partir de Maio de 74, a célula PC (Partido Comunista) iniciou a diabolização do desgraçado. Impediram-no de entrar no seu gabinete da direcção, devassaram-lhe os documentos, cortaram-lhe o telefone, impediram-no de percorrer os corredores da escola que criara, enviaram-lhe centos de cartas anónimas com as mais soezes insinuações e ameaças.Isolado, sob pressão do terror psicológico e da violência física, o mundo de Calvet desagregou-se. Fechou-se na casa de banho, deitou-se na banheira e matou-se. É este o mais acabado testemunho da mentira dessa tal "revolução sem derramemento de sangue".

In Combustões

13 de outubro de 2010

Válega a pena


Atravessar Válega, S. Vicente de Pereira e Ovar, no distrito de Aveiro, é um bálsamo para os olhos. Vastos campos, confrontados até as estradas, plantados de centeio e milho. Não é daqueles lugares em que percorremos quilómetros a ver cimento e azulejos foleiros. Apesar de ser um concelho já muito industrializado, o concelho de Ovar permanece com a imagem de tempos felizes onde a lavoura e o plantio confinavam, somavam-se, equilibradamente, com a ocupação humana. É uma terra definida por vales, bacias e rias onde se distinguem as ocupações no espaço rural e espaços comunais. É bom ver a agricultura a prevalecer numa paisagem. Claro que os inevitáveis "prédios" são os outrora cogumelos e à medida que nos aproximamos do litoral mais os escarros se notam. Todavia, passear por Válega é uma boa notícia.

Atirem-lhes tomate


Ver os quatro maiores banqueiros, portugueses, a pedir a mão do chefe do maior partido da oposição – para "evitar dificuldades no crédito" – não é mais do que o último enredo de um país que vive autista no embuste contabilistico de décadas e cuja peça insuportável já pede que se atirem tomates aos "actores".

Venha a Fénix

Ao ler a notícia sobre o resgate dos mineiros Chilenos que estão a 600m de profundidade não deixei de pensar que bom que seria vir a Fénix a Portugal resgatar-nos deste poço sem fundo em que nos encontramos subterrados. A todos não. Os "mineiros" que têm explorado o filão alheio do pecúlio público poderiam ficar no buraco até a depressão desta república rachar o veio.

11 de outubro de 2010

Qual causa?


Era suspeito em ano de centenário da república os estarolas não terem um prémio qualquer. Sai um pacote. Devem seguir-se os da legião maçónica. Se eu não fosse monárquico depois de uma notícia destas convertia-me à monarquia.

7 de outubro de 2010

Já passou?


Estas comemorações do centenário foram tão fortes que já não se sente nada. Já passou? O que ficaram os cidadãos a saber? O que já sabiam. Nada ou um pouco mais. Não o suficiente porque senão eu veria as pessoas com vergonha de viver numa república que tem uma constituição – escrita por vendalhos – que proíbe a forma democrática de se sufragar – O povo unido nesta alínea está vencido! – Este regime foi imposto à lei da bala e do terrorismo, contra a vontade da maioria, e só se consolidou pela ditadura. O povo, doce, ainda não se apercebeu que vivemos a olhar para o chão, para as migalhas. Foi-se a fanfarra e o povo não tem vontade para pensar nisto, nem naquilo. Pensa, neste momento, com a barriga. E tudo o que sai, ou é a fome que vai, a fome que aí vem ou os arrotos dos que na mama da República comem bem!

3 de outubro de 2010

Que ela caia como nunca


As primeiras chuvas de Outono já chegaram. Hoje, de manhã cedo, a minha querida filha mais nova acordou-me e pediu-me para ver com ela a chuva a cair e a desenhar improváveis texturas no vidro da janela. Todos os anos quando chega a chuva eu sinto-me recuperar antigas memórias, essenciais sentimentos. É a força das estações que me diz que as mudanças, mesmo as mais drásticas, podem ser regeneradas.
Sempre gostei da chuva. Que ela caia como nunca. Que seja Rainha. Que se precipite como uma esponja nos próximos dias. Pode ser que no dia 5 de Outubro a porcaria e o cheiro a esgoto que a maioria teima em não sentir se dilua um pouco.

28 de setembro de 2010

2 notas de relevo


1) Esteve em Portugal um mexicano de nome Angel Gurria que foi ministro das finanças do seu país numa das ditaduras mais opressivas que o México viveu: a "ditadura perfeita", como ficou conhecida. Este fulano preside ou vice-preside à OCDE e veio cá dar recados sobre a nossa economia. Pior. Veio dizer que temos de apertar o nó, da garganta, pois as "finanças" assim obrigam. A vergonha é que este fulano não veio cá passear mas, estou convicto, a pedido do nosso sistema socialista. Nada como um "estrangeiro" para nos assustar e encobrir a covardia da impopular subida de impostos, impostos que terão de subir para pagar o sonho deste socialismo e, não menos evidente, manter este regime.

2) Nem uma palavra ouvi ontem, dia 27 de Setembro, nos principais noticiários sobre o bicentenário da Batalha do Buçaco. Uma data importantíssima para a nossa independência e expulsão dos invasores Franceses; já sem falar nos soldados-heróis que padeceram no feito. Não. Só sabem falar do centenário da bastarda república, filha da outra francesa, que espichou na guilhotina as mentirosas palavras: liberdade, igualdade, fraternidade. Pobre do nosso país. Em 1910 puseram-lhe um barrete e despiram-lhe as mamas. Agora mais parece uma galdéria.

21 de setembro de 2010

Aprender com a verdade


Estará patente no Palácio da Independência, ente o dia 04 e o dia 15 de Outubro a exposição “A Repressão da Imprensa na 1ª República”, organizada pela Plataforma do Centenário da República e com o apoio da Causa Real.
Esta exposição é feita à margem das comemorações oficiais dos cem anos da república portuguesa e também, o que é mais penoso, à margem da investigação oficial sobre os primórdios do regime republicano.

16 de setembro de 2010

"Um grão"

Num certo sentido, a Igreja não merece o Papa que tem. Joseph Ratzinger, não me canso de repetir, é um homem notável. Espiritualmente (o que em tempos de vazios mais ou menos cândidos e, sobretudo, tolos e supersticiosos, é uma diferença essencial) e intelectualmente (porque é um contemporâneo mais moderno que todos os broncos que se intitulam "modernos"). Ratzinger é hoje a força da Igreja e não o contrário. Ao clarificar e separar, assume-se como seu chefe e crítico - atento e simultâneo. Até na escolha milimétrica dos países que visita, coisa que analfabetos simples e funcionais não conseguem entender. Bento XVI pretende uma Igreja (um termo que significa "partilha" e "comunidade") unida nos seus fundamentos milenares e não humilhada ou complacente com os desmandos e os crimes cometidos pelos seus membros. Nunca um Papa trouxe tão à luz do sol, para as denunciar, tantas sombras como Ratzinger. Nunca um Papa foi tão longe na expiação pública mais autêntica e profunda dessas rasuras indesculpáveis como Ratzinger. Ao reduzir a Igreja àquilo que ela deve ser - o mais pequeno grão lançado à Terra -, Bento XVI obriga à adesão ou à renúncia sem ambiguidades. Homem perplexo, de fé e sem ilusões acerca do homem (e, por consequência, da Igreja), Ratzinger é um exemplo (se é que ainda alguém valoriza "o" exemplo) num século que leva já dez anos de frustrações e de profunda miséria moral e material. As suas viagens pastorais, por exemplo, são disso prova. Quem as apouca, apouca-se apenas a si mesmo e dilui-se no horroroso espectáculo da vulgaridade que é, afinal, o do mundo.

João Gonçalves in Portugal dos Pequeninos

3 de setembro de 2010

O circo Pia


O circo montado à volta do julgamento "Casa Pia" é o primeiro argumento para desvalorizar o tribunal. Permitir a filmagem em todos os buracos do edifício, retransmissões, directos, paineleiros, mirones, é um atentado à inocência, dos verdadeiros inocentes, e à dor, das verdadeiras vítimas. O Tribunal ao permitir tamanha diversão portou-se como uma barriga afrontada mortinha por se largar. A "justiça" nunca será justa se o seu corpo forem permeável à invasão dos vírus intranhos e estranhos. A pressão dos media em arranjar novelas para entreter o tempo de antena faz com que nesta república abananada se faça "justiça" por impróprias mãos.



27 de agosto de 2010

Industriar os sentimentos


Não vivo dentro das máquinas. Nunca dei comigo a fazer sorrisos "Optimus" ou a fazer pose com um portátil. Raramente atendo o telemóvel quando estou a falar com alguém. Não me sinto mais moderno por usar um computador nem mais velho por gostar de ler cartas manuscritas antigas. Suspeito muito da razão de alguma tecnologia e mais suspeito da obsessão por certos artefactos, daqueles que nos impingem como adereços necessários à nossa "posição" e felicidade. Tenho para mim que muitas das ferramentas de "comunicação" que usamos foram feitas à medida de sentimentos vis – que movem as maiorias – e não fruto da modernidade "inevitável" do nosso tempo. A inveja, esse "sentimento" merdoso que provocou o pior que a humanidade já evacoou, dá-se também bem na televisão, na internet, na janela por detrás da cortina, nas janelas várias do voyeirismo e muito melhor na janela da política. No fundo, estas "ferramentas" e a sua industria ("industria" política incluida) alimentam-se dos sentimentos e das fraquezas das maiorias. Não pensem que estou a proferir que com as máquinas nos tornamos mais fracos! Não. Estou a falar da vulnerabilidade a que podemos estar sujeitos quando expostos aos super-adereços e aos super-vendedores que vagueiam entre nós com o odor pestilento do fascínio de tanta "modernidade" nos sovacos. Daqueles que maquinalmente nos apontam o futuro sem saberem onde está o passado.

Portugal "mal passado"


Duarte Lima assa convenientemente nos media e José Sócrates descola os costados do grelhador onde tem estado a estorricar não passando de um tição fumegante.

25 de agosto de 2010

A escumalha


Não tenho qualquer sentimento de perdão ou atenuante para escumalha que viola, agride, violenta menores de idade. Ontem, em V. N. Gaia, em plena luz do dia, uma menina de 15 anos foi arrastada para um ermo e violada por um "jovem" emigrante de 23 anos. O violador só largou a vítima quando achou que a havia morto por estrangulamento. Para além de ser violentamente agredida (esteve desmaiada várias horas) o violador levou os dois euros e meio que a jovem possuía consigo. Deve ter ido beber uma cerveja a seguir. Este criminoso foi apanhado e deve ter sido já presente a um juiz. É pena. Devia ter sido apresentado à família da vítima. Num ermo. Amanhã deve sorrir e voltar a passear nos shoppings e nas ruas com uma pulseirinha colorida com as cores da imoral (in)justiça Portuguesa.

*Adenda, 27.08.010: este verme foi presente a um juiz e ficou em prisão preventiva, sem que ninguém lhe limpe o sebo. O sebo imundo da escumalha.

24 de agosto de 2010

Medo do confronto


Sempre gostei de ler o que escrevia o Lobo Antunes, o António. Já não o leio há uns tempos. Vejo agora nos media uma polémica que o coloca frente a frente com antigos combatentes do ultramar do qual ele também faz parte (já se sabe que em Portugal os escritores polémicos vendem melhor). Pelo meio, pelo fim, faltou a um encontro em Tomar. Uns dizem que ele fugiu ele diz que foi enganado e que não tem medo do confronto. Bem para mim ele, o escritor, fugiu de qualquer coisa. Seria dos antigos combatentes que o iriam confrontar? Seria o António que os iria confrontar? Ou seriam as suas palavras – as que o escritor escreveu sobre a guerra e na qual diz que os militares que matassem mais teriam mais "pontos" – que seriam confrontadas? Para mim o escritor sem medo não fugiu. Quem deve ter fugido foi a "verdade".

18 de agosto de 2010

Os tiros e as bombas só são bons nos miolos dos "thalassas"


O jornal Público publica hoje duas notícias que apesar de não o parecerem são parentes e filhas da mesma pu-lítica. Trata-se de um artigo sobre as "organizações secretas" (como "eles" gostam de dizer que eram secretas(!), como se na altura dos factos muita gente não soubesse, falasse e escrevesse sobre a sua existência!) e outra sobre a condenação de Mário Machado, líder de uma organização (secreta) de extrema-direita, não muito longe do que seria a carbonária de 1897, apesar de nessa altura os "meninos extremistas" não raparem o cabelo e não estar na moda as tatuagens. Muito têm em comum as (estas) organizações "secretas": o secretismo, o aparelhismo, a violência, o crime, a propensão para o distúrbio, a vontade de fazer mudar o rumo dos acontecimentos, especialmente quando os acontecimentos são o não acontecer de coisa nenhuma. Devo referir que ao invés de certos "historiadores" tenho nojo das organizações secretas, e afins, especialmente as que preferem as bombas e o crime e não vejo nenhuma desculpa, nem através dos "ideais", para olhar para elas (sejam carbonária ou hammerskins) com ternura, simpatia e "agradecimento" tal como fazem alguns "idealistas republicanos" e os senhores da comissão do centenário da república.
Serve esta prosa para referir a única diferença entre os dois regimes – onde a carbonária viveu e a dos extremistas (de "esquerda" e "direita") de hoje. A República – regime emanado do terrorismo e imposta pela violência e coação até 1926 e depois com ditaduras opressivas até 1974 – não desaprendeu os seus métodos; hoje está armada e equipada de leis e armas que não permitem a qualquer "romântica" organização secreta ter as veleidades que as avós-organizações fizeram quando se vivia em monarquia. Parece que os tiros e as bombas só são bons nos miolos dos "thalassas".

17 de agosto de 2010

Por que é que estes gajos não vão a esta hora fazer o controlo para a c... da mãe do Luís Horta?



"... fazer o controlo para a c... da mãe do Luís Horta".

Esta parece ser a expressão polémica que faz com que o seleccionador "nacional" de futebol, Carlos Queiróz, seja alvo de um inquérito e quiçá a expulsão do cargo. Porventura esta expressão serve bem de desculpa para o porem a milhas e muitos o desculpam pelo calão ser mote "comum" no meio – pelo menos no meio do cérebro de grosseiros como ele. Muitos outros com responsabilidades "nacionais", refiro-me a muita gente que sabe fazer a barba e usa gravata, como ministros e políticos, não ficam atrás nas expressões e ainda não lhes vi serem movido processos de expulsão. A falta de educação e os seus afins são um dos factores do nosso atraso social. Palavrões há muitos. Por cá não falta gentalha a quem esses epítetos sirvam bem.