22 de janeiro de 2010

A ignorância expôe-se


Uma crítica de arte tece algumas considerações sobre uma obra de um artista português em Houston (EUA). No cabeçalho escreve: Cunnilingus, fellatio e sodomia entre senhores brancos e escravos negros: "Debret", de Vasco Araújo, é uma alegoria pós-colonial em que a comédia é apenas a face visível de uma tragédia maior. Li o restante texto. A coerência da escultura, na fotografia, contradiz-se no conteúdo afórico e interpretativo da argumentação: o exercício do poder, a subjugação, o desrespeito – diz o autor, sem se remeter a uma data, local preciso, na base da "intuição" do era-assim-porque-"todos"-sabem-que-era-assim... bem ao gosto do historiador-marxista. Pela ignorância da substância antecipo a falácia dos conteúdos. Senão, um breve ponto: imagino os demais "colonizadores", em 1870, 1890, 1930, 1950, 1973, a explorarem uma negra com cabeleiras de seda e laço (pois então). O Vasco Araújo sabe em que ano anexamos os territórios ultramarinos em África? Por acaso em África a contingência e os portugueses-africanos usavam perucas? Mesmo que o escultor se "debruce" apenas sobre as pinturas de Debret o "teatro" pintado não pode ser descontextualizado nem o escultor pode fazer "prova" na sua extrapolação. Temo que a escultura seja mais um teatro falacioso e oportunista (porque fica sempre bem exigir a catarse pós-colonial, mas sem auscultar os que de lá vieram – claro) numa deriva recambolesca entre o imaginário do séc XVIII e uma imaginação ressabiada.

1 comentário:

Nuno Castelo-Branco disse...

mais um atrasado mental a soldo do "sítio do costume" (não é o Pingo Doce).