21 de março de 2010

A presidência enquanto" interferencia" ou porque não acredito em "Presidências"

Eu não demiti o Governo, eu dissolvi a Assembleia. Só demiti o Governo mais tarde, um governo que tem Assembleia dissolvida pode continuar em funções.

Mas podia ter demitido o Governo, argumentando o irregular funcionamento das instituições.
As instituições funcionavam, mas o Governo era mau. O que faltava manifestamente era uma nova legitimação democrática, aquilo já não correspondia ao sentir das pessoas."

Quando um presidente da promíscua "República" interfere (porque vem de lá!) na gerência da política governativa a república está posta em causa.

– "Presidente" de todos os portugueses?

19 de março de 2010

A visão do coitadinho


Um rapper foi "abatido" a tiro após uma perseguição policial, motivo: não parou numa operação policial. O funeral realizou-se não na paz da transcendência mas num efusivo cortejo popular com a concorrência de inúmeros "bairros", onde se gritou: Ele era clean, 100% clean. Aparte o excesso do polícia que deve ser investigado, esta martirização tem a visão do "coitadinho" português. Pela mesma razão – "coitadinho" – os nossos políticos, não são responsabilizados pelos seus feitos, vagueiam na suspeição da corrupção mas são eleitos/elevados como mártires (da outra facção que os quer "denegrir"). Eles são clean, 100% clean.

18 de março de 2010

O acumular


Os médicos em Portugal pertencem à única carreira profissional que antes de entrar na universidade já tem emprego assegurado e, por via da marcha revolucionária-socialista, tem contrato com o estado a "termo incerto", ad infinitum. Com a carência de médicos, em vez de se abrirem mais vagas ou mais universidades, dá-se "excesso" de trabalho a estes anjos protectores. As políticas estão, de facto, de parabéns e muito mais de parabéns está o organigrama republicano que permite que uma administração que devia ser simples se tenha transformado num labirinto estrutural. A "nossa" constituição potencia o circuito alternativo em quase tudo o que a governação legisla. Por estes meses, os médicos estão a acelerar a aposentação mesmo perdendo alguma percentagem do ordenado. Os centros de saúde estão a ficar vazios. Solução: voltar a contratar os mesmos médicos, agora, com contrato de trabalho a "termo certo". Ao acumular de funções sucedesse o acumular de dividendos. Eu tenho fascínio pela medicina. Eu admiro muitos dos médicos que conheci. Só tenho nojo das nossas leis, desgastantes, controleiras e arrebatadoras que obrigam o cidadão a exasperar. E os bons profissionais a desertar. E afinal, quantos cidadãos já não abandonaram a esperança em "dias melhores" para este regime carcomido?

16 de março de 2010

Vivam os Professores

Começando por felicitar o docente de Físico-Química na Secundária de Loulé que venceu o "Prémio (politicamente correcto) Nacional de Professores" dado pelo Ministério da Deseducação quero endereçar do alto ministério da minha consciência o "Prémio da Resistência dos Professores" à maioria dos Professores que neste país ainda teimam em sonhar e lutar contra o atraso social e o abastardamento moral deste país socialista-autista a caminho do abismo.

Frustrados

Arredado da net, por uns dias, por motivos de melhores interesses deparo que o jornalismo se mantém na mesma cruzada ideológica contra os grandes e os poderosos. Por cá, as peças sobre as vítimas de assaltos, assassinatos e outras militâncias da escumalha não tem maior visibilidade que as sobre os coitados dos oprimidos dos bairros sociais – guettos – e a discussão acende se um agente da autoridade dispara sobre um meliante. Por lá, as peças sobre as revoluções sociais estão na mecha e à falta de uma verdadeira revolução em Portugal, que limpasse os dejectos-Humanos que vivem à custa da fabriqueta da história e do pecúlio público, a imprensa não olha a "fontes" para obter a linguagem certeira que qualifique de "Revolução" os protestos de uns tantos mil (num jornal são 90.000 noutro são 10.000) na Tailândia. Ressalvo que a Tailândia é uma Monarquia moderna, ou seja, vive no são equilíbrio entre a permanência do seu passado e a pujante presença do presente. Sobre este jornalismo não tenho muito a dizer, afinal, o complexo do pensamento único – linear, falacioso e igual aos demais porque sim, n'a boa – que certos intelectos ostentam só traz azedume e frustração à escrita. E nada pior que ler frustrados.

Sobre os "acontecimentos" na Tailândia remeto para o site Combustões a única "agência", de língua portuguesa, credível sobre a situação do país.

10 de março de 2010

Não bulam com os "capitães" e outros que tais


A propósito deste artigo, um comentador anónimo borrou-se para perguntar ao autor: "onde é que estavas no 25 de Abril"?! Esta expressão, "onde é que estavas no 25 de Abril?", é um dos ícones do complexo de "abril" e representa um dos falsos pilares da nossa actual "democracia". O que este anónimo e outros ressabiados querem proferir é a elevação divina de uns quantos milicianos, oficiais de carreira, paisanos e militantes comunistas (sim, desse mesmo comunismo tão gémeo do fascismo) que à data de 1974 participaram na festa. Qualquer opinião contrária ao "carácter" desses deuses do Olimpo é vista como uma ofensa nacional a que convém de imediato reagir; não importa o que esses seres fizeram até 24 de Abril ou depois de 26 de Abril interessa o que fizeram a 25, porra! Esses deuses revolucionários granjearam estatuto através das histórias de encantar que nos foram disparadas aos ouvidos nessa marcha apressada a caminho do socialismo! É este complexo complexo que nos teima em deixar, porque tem mais raízes que as ervas daninhas, e que de uma forma lata, permite que sejamos condescendentes com políticos que lançaram para a morte conterrâneos, com militares que tenham sido assassinos e terroristas, com políticos que são corruptos, e por aí fora.
Eu, no dia 25 de Abril frequentava a 4ª classe e estava na escola a brincar no recreio, como sempre se fazia no intervalo das 10h30. Estava um dia de sol e o meu pai foi-nos buscar mais cedo. Almoçamos em família. Foi para mim um dia feliz.

Intermezzo



9 de março de 2010

O Poder do Verbo e o Verbo do Poder*


Quando o Papa João Paulo II morreu deixou um último pedido. O seu caixão sem ornamentos ou ostentação devia ser pousado na chão da praça do Vaticano e sob ele deviam ser colocados os Evangelhos.
E assim foi feito. Este pedido não se confinou a uma mensagem de simplicidade e de retorno ao solo de onde rezou com milhões de fiéis, simbolizou o retornar à essência do "Verbo" que é luz de todas as coisas. E o vento, brisa, soprou e foi abrindo o livro sagrado, que permaneceu sobre o caixão, folheando o poder do Verbo que se elevou, e sempre se eleva, pelo Verbo do Poder.


*Título da conferência dada por Adriano Moreira na Faculdade de Teologia / Univ. Católica do Porto, 08 de Fevereiro de 2010

Outro "herói" anti-fascista


"Um gajo que obriga os Portugueses a trabalhar no dia 5 de Outubro e mete o dinheiro ao bolso só pode ser um herói."

8 de março de 2010

Dêm-lhes um Óscar


Se os Óscares fossem relativizados para a política, a República Portuguesa excedia as nomeações e arrebatava a maioria das estatuetas. Em todas as categorias inclusive a dos "defeitos especiais". Ah! Há uma categoria em que eu não percepciono qualquer nomeação: a do melhor argumento para se compreender a passividade do povo face à ignomínia, mentira e irresponsabilidade dos políticos que governam nesta república jacobina.

6 de março de 2010

Nunca saídos


Existe um género de portugueses que gosta de vincar a sua definição de "liberdade" através da sua visão anti-poder, anti-material, anti-colonial. Digo visão mas o termo correcto é miragem porque uma visão implica a presença, constatação, conhecimento. Desse grupo de portugueses, proselitistas, os mais activos são os anti-colonialistas. Para este grupo, que no Caso-Português apelido de imbecis, a "colonização" é a vergonha da nação e por sinal os Portugueses nunca deveriam ter posto o pé fora de Portugal a não ser em prol do turismo. Este grupo, onde se incluem os políticos de "abril", por razões óbvias, e parte dos intelectuais de esquerda e arredores, os Portugueses escravizaram, mataram, violaram, exploraram. A prova disso foi a guerra e o surto de "retornados" que depois de não terem mais que explorar fugiram e vieram roubar os empregos da gente decente que vivia na metrópole! Esta argumentação réptil, que pensei própria do exagero revolucionário de 1974, vive e pulsa endiabrada em 2010. E porquê? Porque, tal como no teatro de Shakespeare, a sobrevivência dos fracos é talhada e decidida pelas frases omissas, pelas frases mal interpretadas, pela farsa das circunstâncias. Em Portugal, os últimos trinta e seis anos têm sido geridos pela mentira, pelo revisionismo da nossa história, pelo plantar de pias onde os actores da ignomínia lavam as mãos, porcas como a sua consciência. Houvesse um só dos intervenientes na descolonização que assumisse ter estado aquém da história, que contasse as verdadeiras razões do descalabro da descolonização, que pedisse desculpa por ter votado à morte os residentes nas colónias e a nossa consciência colectiva olharia para os "retornados" como os nunca saídos.

5 de março de 2010

Deixar morrer


Uma criança de 12 anos suicidou-se por causa das pressões e agressões que sofria da parte de alguns alunos da mesma escola. Podia ser uma criança frágil, podia ser uma criança com problemas psicológicos. Mas se por acaso até assim fosse, tudo o que ouço acerca das particularidades deste caso só potenciam a gravidade do caso. Tenho vergonha. Que vergonha. Esta morte é a morte anunciada de portugal, dos seus valores da sua especificidade moral. O novo e moderno portugal está a ser feito à custa de muitos Leandros, de muita República, de muito socialismo. De muito deixar morrer.

4 de março de 2010

Disfunção pública

Num período em que a falta de liquidez do estado é visível, quando a crise financeira que o país vive é fruto da indecorosa gestão da governança pública, os funcionários públicos fazem greve! Por melhores salários. Esquecem-se que são o único grupo que beneficia, escandalosamente, do principio do não despedimento, privilégio da ditosa revolução abrilesca que a caminho do socialismo abrigou, em muitos casos com critérios de cunhas e compadrios, uma parte da população à dita mercê. Os outros, os que podem ser despedidos (e aqui nem interessam as leis e "compensações"), têm de suportar mais impostos e receitas para os empregados do estado usufruírem dos "seus" direitos. A constituição da república portuguesa não distribui a igualdade. A protecção – contra o despedimento – que a lei dá aos funcionários públicos é, por estes dias, uma desigualdade entre cidadãos tanto mais que a manutenção deste "estado" é a principal razão do nosso défice. Os funcionários que fazem greve não parecem perceber. Ou percebem! E talvez essa seja a razão de neste país nada "mudar". Estão todos absorvidos com a defesa dos "direitos". Sem pudor. O autismo dos funcionários públicos, neste periodo difícil, é sintomático, ademais acham que são eles, sempre, "os mesmos" a pagar a crise! Entretanto os impostos directos e indirectos vão ter de aumentar para pagar a "ordem social", a "dignidade individual", os investimentos "públicos" e os salários dos filhos do estado, pagos com os impostos dos bastardos de Abril.

1 de março de 2010

A linguagem dos vazios


Um "utente" de um centro de segurança social nas Caldas da Rainha esfaqueou uma funcionária. De uma discussão, em Mesão-Frio, entre dois simpatizantes do Sporting e do Porto resultou um morto. Não são casos díspares, são frutos da mesma árvore. E casos destes acontecem todos os dias. O que me revolta é a falsa contextualização emanada de um suposto jornalismo. Em ambos os casos parece haver uma "razão" aparentada com a "crise" o "desemprego", a "frustração da vida". Qual quê. São factos do desespero das almas vazias. Dos corpos sem carácter. Sem abgenação. A violência está a transformar-se numa linguagem endógena, a sobrepor-se a qualquer outra linguagem. E porquê? Porque a linguagem dos que deviam ser exemplos – as "elites", as governanças – estão prenhes de mentira, opacidade, egoísmo, de desesperança. Porque a política é feita centriptamente, para o bolso próprio, para as seitas partidárias, porque as leis tornaram-se indecifráveis, porque os decretos igualitaristas secam as nossas diferenças, porque o altruísmo foi arredado da sociedade em prol do subsídio, a ambição em prol da sujeição, a dinâmica em prol da violência.
A violência é a linguagem dos vazios. Dos que, mesmo sem saber, se estão a deixar esvaziar.