1 de março de 2010

A linguagem dos vazios


Um "utente" de um centro de segurança social nas Caldas da Rainha esfaqueou uma funcionária. De uma discussão, em Mesão-Frio, entre dois simpatizantes do Sporting e do Porto resultou um morto. Não são casos díspares, são frutos da mesma árvore. E casos destes acontecem todos os dias. O que me revolta é a falsa contextualização emanada de um suposto jornalismo. Em ambos os casos parece haver uma "razão" aparentada com a "crise" o "desemprego", a "frustração da vida". Qual quê. São factos do desespero das almas vazias. Dos corpos sem carácter. Sem abgenação. A violência está a transformar-se numa linguagem endógena, a sobrepor-se a qualquer outra linguagem. E porquê? Porque a linguagem dos que deviam ser exemplos – as "elites", as governanças – estão prenhes de mentira, opacidade, egoísmo, de desesperança. Porque a política é feita centriptamente, para o bolso próprio, para as seitas partidárias, porque as leis tornaram-se indecifráveis, porque os decretos igualitaristas secam as nossas diferenças, porque o altruísmo foi arredado da sociedade em prol do subsídio, a ambição em prol da sujeição, a dinâmica em prol da violência.
A violência é a linguagem dos vazios. Dos que, mesmo sem saber, se estão a deixar esvaziar.

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