6 de março de 2010

Nunca saídos


Existe um género de portugueses que gosta de vincar a sua definição de "liberdade" através da sua visão anti-poder, anti-material, anti-colonial. Digo visão mas o termo correcto é miragem porque uma visão implica a presença, constatação, conhecimento. Desse grupo de portugueses, proselitistas, os mais activos são os anti-colonialistas. Para este grupo, que no Caso-Português apelido de imbecis, a "colonização" é a vergonha da nação e por sinal os Portugueses nunca deveriam ter posto o pé fora de Portugal a não ser em prol do turismo. Este grupo, onde se incluem os políticos de "abril", por razões óbvias, e parte dos intelectuais de esquerda e arredores, os Portugueses escravizaram, mataram, violaram, exploraram. A prova disso foi a guerra e o surto de "retornados" que depois de não terem mais que explorar fugiram e vieram roubar os empregos da gente decente que vivia na metrópole! Esta argumentação réptil, que pensei própria do exagero revolucionário de 1974, vive e pulsa endiabrada em 2010. E porquê? Porque, tal como no teatro de Shakespeare, a sobrevivência dos fracos é talhada e decidida pelas frases omissas, pelas frases mal interpretadas, pela farsa das circunstâncias. Em Portugal, os últimos trinta e seis anos têm sido geridos pela mentira, pelo revisionismo da nossa história, pelo plantar de pias onde os actores da ignomínia lavam as mãos, porcas como a sua consciência. Houvesse um só dos intervenientes na descolonização que assumisse ter estado aquém da história, que contasse as verdadeiras razões do descalabro da descolonização, que pedisse desculpa por ter votado à morte os residentes nas colónias e a nossa consciência colectiva olharia para os "retornados" como os nunca saídos.

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