18 de março de 2010

O acumular


Os médicos em Portugal pertencem à única carreira profissional que antes de entrar na universidade já tem emprego assegurado e, por via da marcha revolucionária-socialista, tem contrato com o estado a "termo incerto", ad infinitum. Com a carência de médicos, em vez de se abrirem mais vagas ou mais universidades, dá-se "excesso" de trabalho a estes anjos protectores. As políticas estão, de facto, de parabéns e muito mais de parabéns está o organigrama republicano que permite que uma administração que devia ser simples se tenha transformado num labirinto estrutural. A "nossa" constituição potencia o circuito alternativo em quase tudo o que a governação legisla. Por estes meses, os médicos estão a acelerar a aposentação mesmo perdendo alguma percentagem do ordenado. Os centros de saúde estão a ficar vazios. Solução: voltar a contratar os mesmos médicos, agora, com contrato de trabalho a "termo certo". Ao acumular de funções sucedesse o acumular de dividendos. Eu tenho fascínio pela medicina. Eu admiro muitos dos médicos que conheci. Só tenho nojo das nossas leis, desgastantes, controleiras e arrebatadoras que obrigam o cidadão a exasperar. E os bons profissionais a desertar. E afinal, quantos cidadãos já não abandonaram a esperança em "dias melhores" para este regime carcomido?

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