24 de maio de 2010

Tanto para fazer


É chocante ler na internet os comentários despropositados que entopem e desviam o tema, e paciência, aos que realmente se interceptam na matéria. A internet, através do teclado, fomentou uma nova geração de opinadores. Cada teclado é uma imensa tipografia ao serviço da mente do utilizador. Dirão, alguns, um "direito" adquirido, uma "voz" (do povo) que – agora – não poderá ser calado e desunido. Bem, só posso dizer que a internet e as novas ferramentas de conversação e exposição veio, sem pragmatismos, expor a mediocridade e a excelência. É sobre a primeira que me sobeja escrever e sobre o novo argumento de arremesso: não há "conversa" que não recaia sobre o monarquismo e as monarquias. É bom sinal. Pena os argumentos mirabolantes, medievalistas, primários, assustadoramente confusos (datas, personagens, ficções), infantilmente misturados, incrivelmente ressabiados. A culpa não será concerteza, só, dos "manuais escolares". Há muito de conflito cultural e social, suavemente inconsciente. Uma reminiscência da decepação umbilical, a que o país se sujeitou há cem anos. Nada como uma crise de identidade (e na barriga) para promover o aparecimento das mentes conturbadas. Das mentes construídas a partir do telhado "e depois que se faça o resto". Esta mediocridade está boa para a República pois, em parte, é coisa parida por ela. Ah! Portugal. Tanto para fazer.

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