11 de junho de 2010

Dia de Portugal

Um dos cronistas que mais admiro escreve no blogge "Estado Sentido". Chama-se Nuno Castelo Branco e tenho o prazer de o conhecer. Em muitos momentos as suas são como minhas palavras. Para evocação do Dia de Portugal escolho estes sentimentos da inteligência de quem sabe porque viveu e é um português africano - um africano português:

Dois trisavós, um bisavô, um avô, tios avós e primos enterrados na antiga Lourenço Marques. Avós, tios e tias avós, pai, mãe, tios primos e primas de várias gerações, todos, tal como eu e os meus irmãos, nascidos naquela terra. Interesso-me por tudo o que diga respeito a Moçambique.
Hoje, a sua valorosa selecção de futebol - com um guarda-redes que dará que falar - enfrentou a sua congénere portuguesa, num jogo de preparação para o Mundial da África do Sul. Na véspera, tive o prazer de ouvir o seleccionador moçambicano declarar a sua vontade de evitar qualquer tipo de lesão nos jogadores portugueses, porque ..."no Mundial seremos todos portugueses". Nada de espantoso, pois conhecendo bem a característica generosidade dos moçambicanos, a afirmação foi proferida com toda a naturalidade e sem qualquer tipo de complexo politicamente correcto.
Mais sintomática foi a reacção da claque de Moçambique, quando já fora do estádio de Joanesburgo, abertamente confraternizou com os portugueses e agitando bandeiras, gritava sem cessar "Portugal! Portugal!"
São estas pequenas vinganças que atiram para a incineradora, resmas e resmas de discursos daquele tipo de indesejável gente que nos entra pela casa adentro à hora do telejornal. E entretanto, continuamos a ser exclusivamente europeus. Para quê?

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