18 de junho de 2010

O revolucionário dia do aDeus

Morreu Saramago. Não me deixa saudades. Também, nunca lhe desejei, nem desejaria, a sua morte. Afastei-me do agraciado com um Nobel (ainda hoje penso como este grande "igualitarista" gostava tanto das distinções em foro próprio) pelo que ele escrevia, pelo que ele pensava. Morreu "distante" de mim. Aceito que muito próximo de outros.
Por cá o derrame das carpideiras já começou. A única voz que eu queria escutar disse isto: “Construtor de Abril, enquanto interveniente ativo na resistência fascista, ele deu continuidade a essa intervenção no período posterior ao Dia da Liberdade como protagonista do processo revolucionário que viria a transformar profunda e positivamente o nosso país”. Falou o Jerónimo de Sousa, secretário do PCP, pois claro, o empreiteiro dos comunistas de quem nunca ouviremos assumir abertamente os crimes do Comunismo e de comunistas. Já li algures que o estado vai enviar um avião C-130 para trazer o corpo de um homem que se afastou perentóriamente deste país em vida. Não falta quem queira explorar os dividendos dos restos mortais. Sei que Saramago não previa os seus restos imortais. "Revolucionário" (mesmo que calcando os ansejos dos outros), a sua prosa nunca alcançou, ou tangiu, sequer a única revolução para que devemos estar preparados: o revolucionário dia posterior ao Dia do aDeus.

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