27 de agosto de 2010

Industriar os sentimentos


Não vivo dentro das máquinas. Nunca dei comigo a fazer sorrisos "Optimus" ou a fazer pose com um portátil. Raramente atendo o telemóvel quando estou a falar com alguém. Não me sinto mais moderno por usar um computador nem mais velho por gostar de ler cartas manuscritas antigas. Suspeito muito da razão de alguma tecnologia e mais suspeito da obsessão por certos artefactos, daqueles que nos impingem como adereços necessários à nossa "posição" e felicidade. Tenho para mim que muitas das ferramentas de "comunicação" que usamos foram feitas à medida de sentimentos vis – que movem as maiorias – e não fruto da modernidade "inevitável" do nosso tempo. A inveja, esse "sentimento" merdoso que provocou o pior que a humanidade já evacoou, dá-se também bem na televisão, na internet, na janela por detrás da cortina, nas janelas várias do voyeirismo e muito melhor na janela da política. No fundo, estas "ferramentas" e a sua industria ("industria" política incluida) alimentam-se dos sentimentos e das fraquezas das maiorias. Não pensem que estou a proferir que com as máquinas nos tornamos mais fracos! Não. Estou a falar da vulnerabilidade a que podemos estar sujeitos quando expostos aos super-adereços e aos super-vendedores que vagueiam entre nós com o odor pestilento do fascínio de tanta "modernidade" nos sovacos. Daqueles que maquinalmente nos apontam o futuro sem saberem onde está o passado.

Portugal "mal passado"


Duarte Lima assa convenientemente nos media e José Sócrates descola os costados do grelhador onde tem estado a estorricar não passando de um tição fumegante.

25 de agosto de 2010

A escumalha


Não tenho qualquer sentimento de perdão ou atenuante para escumalha que viola, agride, violenta menores de idade. Ontem, em V. N. Gaia, em plena luz do dia, uma menina de 15 anos foi arrastada para um ermo e violada por um "jovem" emigrante de 23 anos. O violador só largou a vítima quando achou que a havia morto por estrangulamento. Para além de ser violentamente agredida (esteve desmaiada várias horas) o violador levou os dois euros e meio que a jovem possuía consigo. Deve ter ido beber uma cerveja a seguir. Este criminoso foi apanhado e deve ter sido já presente a um juiz. É pena. Devia ter sido apresentado à família da vítima. Num ermo. Amanhã deve sorrir e voltar a passear nos shoppings e nas ruas com uma pulseirinha colorida com as cores da imoral (in)justiça Portuguesa.

*Adenda, 27.08.010: este verme foi presente a um juiz e ficou em prisão preventiva, sem que ninguém lhe limpe o sebo. O sebo imundo da escumalha.

24 de agosto de 2010

Medo do confronto


Sempre gostei de ler o que escrevia o Lobo Antunes, o António. Já não o leio há uns tempos. Vejo agora nos media uma polémica que o coloca frente a frente com antigos combatentes do ultramar do qual ele também faz parte (já se sabe que em Portugal os escritores polémicos vendem melhor). Pelo meio, pelo fim, faltou a um encontro em Tomar. Uns dizem que ele fugiu ele diz que foi enganado e que não tem medo do confronto. Bem para mim ele, o escritor, fugiu de qualquer coisa. Seria dos antigos combatentes que o iriam confrontar? Seria o António que os iria confrontar? Ou seriam as suas palavras – as que o escritor escreveu sobre a guerra e na qual diz que os militares que matassem mais teriam mais "pontos" – que seriam confrontadas? Para mim o escritor sem medo não fugiu. Quem deve ter fugido foi a "verdade".

18 de agosto de 2010

Os tiros e as bombas só são bons nos miolos dos "thalassas"


O jornal Público publica hoje duas notícias que apesar de não o parecerem são parentes e filhas da mesma pu-lítica. Trata-se de um artigo sobre as "organizações secretas" (como "eles" gostam de dizer que eram secretas(!), como se na altura dos factos muita gente não soubesse, falasse e escrevesse sobre a sua existência!) e outra sobre a condenação de Mário Machado, líder de uma organização (secreta) de extrema-direita, não muito longe do que seria a carbonária de 1897, apesar de nessa altura os "meninos extremistas" não raparem o cabelo e não estar na moda as tatuagens. Muito têm em comum as (estas) organizações "secretas": o secretismo, o aparelhismo, a violência, o crime, a propensão para o distúrbio, a vontade de fazer mudar o rumo dos acontecimentos, especialmente quando os acontecimentos são o não acontecer de coisa nenhuma. Devo referir que ao invés de certos "historiadores" tenho nojo das organizações secretas, e afins, especialmente as que preferem as bombas e o crime e não vejo nenhuma desculpa, nem através dos "ideais", para olhar para elas (sejam carbonária ou hammerskins) com ternura, simpatia e "agradecimento" tal como fazem alguns "idealistas republicanos" e os senhores da comissão do centenário da república.
Serve esta prosa para referir a única diferença entre os dois regimes – onde a carbonária viveu e a dos extremistas (de "esquerda" e "direita") de hoje. A República – regime emanado do terrorismo e imposta pela violência e coação até 1926 e depois com ditaduras opressivas até 1974 – não desaprendeu os seus métodos; hoje está armada e equipada de leis e armas que não permitem a qualquer "romântica" organização secreta ter as veleidades que as avós-organizações fizeram quando se vivia em monarquia. Parece que os tiros e as bombas só são bons nos miolos dos "thalassas".

17 de agosto de 2010

Por que é que estes gajos não vão a esta hora fazer o controlo para a c... da mãe do Luís Horta?



"... fazer o controlo para a c... da mãe do Luís Horta".

Esta parece ser a expressão polémica que faz com que o seleccionador "nacional" de futebol, Carlos Queiróz, seja alvo de um inquérito e quiçá a expulsão do cargo. Porventura esta expressão serve bem de desculpa para o porem a milhas e muitos o desculpam pelo calão ser mote "comum" no meio – pelo menos no meio do cérebro de grosseiros como ele. Muitos outros com responsabilidades "nacionais", refiro-me a muita gente que sabe fazer a barba e usa gravata, como ministros e políticos, não ficam atrás nas expressões e ainda não lhes vi serem movido processos de expulsão. A falta de educação e os seus afins são um dos factores do nosso atraso social. Palavrões há muitos. Por cá não falta gentalha a quem esses epítetos sirvam bem.

10 de agosto de 2010

Contos (para maiores de idade!) da República Portuguesa


Era uma vez uma república que foi implantada pela via do terrorismo e do "pia baixinho senão comes no foçinho"... ... e então uns tais bonzinhos que lutavam contra o faxismo porque vivia-se na mais porca e badalhoca de miséria, resolveram ajuntar-se (assim tipo "casamento moderno") à tropa insatisfeita e resolveram fecundar uma revolução, para acabar com a repressiva ditadura-faxista. O intento destes "cavalheiros" era tão nobre e altruísta que queriam acabar com uma ditadura para implantar uma... outra ditadura, mas das boazonas, a comunixta, que retomasse a linha púdica das boas repúblicas sovietes, onde nunca existiria repressão, nem censura, nem conselhos, nem comités, nem haveria ricos e viveríamos felixes e de braços levantados para sempre....

9 de agosto de 2010

À beira-mar na República Portuguesa


Regressado de uns dias de descanso numa terra algarvia (este ano a água está uma sopa) quero partilhar um momento à beira-mar. Estava eu a mirar o mediterrâneo quando um jovem, inserido num divertido grupo, me perguntou sobre uma determinada distância para outra praia. Espanhol, não falou propriamente em castelhano mas muito bem nos entendemos – pelas piadas e trejeitos era um jovem que se vivesse cá no burgo alinharia em "bloquices". Reparei nos seus braços tatuados e em particular no desenho de uma bandeira espanhola com a coroa bem proporcionada. Disse eu: – ... mira, que é para toda a vida.... (apontando para a coroa)! Ao que ele respondeu mais ou menos assim: – vale, sou Espanhol até morrer!