18 de agosto de 2010

Os tiros e as bombas só são bons nos miolos dos "thalassas"


O jornal Público publica hoje duas notícias que apesar de não o parecerem são parentes e filhas da mesma pu-lítica. Trata-se de um artigo sobre as "organizações secretas" (como "eles" gostam de dizer que eram secretas(!), como se na altura dos factos muita gente não soubesse, falasse e escrevesse sobre a sua existência!) e outra sobre a condenação de Mário Machado, líder de uma organização (secreta) de extrema-direita, não muito longe do que seria a carbonária de 1897, apesar de nessa altura os "meninos extremistas" não raparem o cabelo e não estar na moda as tatuagens. Muito têm em comum as (estas) organizações "secretas": o secretismo, o aparelhismo, a violência, o crime, a propensão para o distúrbio, a vontade de fazer mudar o rumo dos acontecimentos, especialmente quando os acontecimentos são o não acontecer de coisa nenhuma. Devo referir que ao invés de certos "historiadores" tenho nojo das organizações secretas, e afins, especialmente as que preferem as bombas e o crime e não vejo nenhuma desculpa, nem através dos "ideais", para olhar para elas (sejam carbonária ou hammerskins) com ternura, simpatia e "agradecimento" tal como fazem alguns "idealistas republicanos" e os senhores da comissão do centenário da república.
Serve esta prosa para referir a única diferença entre os dois regimes – onde a carbonária viveu e a dos extremistas (de "esquerda" e "direita") de hoje. A República – regime emanado do terrorismo e imposta pela violência e coação até 1926 e depois com ditaduras opressivas até 1974 – não desaprendeu os seus métodos; hoje está armada e equipada de leis e armas que não permitem a qualquer "romântica" organização secreta ter as veleidades que as avós-organizações fizeram quando se vivia em monarquia. Parece que os tiros e as bombas só são bons nos miolos dos "thalassas".

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