28 de setembro de 2010

2 notas de relevo


1) Esteve em Portugal um mexicano de nome Angel Gurria que foi ministro das finanças do seu país numa das ditaduras mais opressivas que o México viveu: a "ditadura perfeita", como ficou conhecida. Este fulano preside ou vice-preside à OCDE e veio cá dar recados sobre a nossa economia. Pior. Veio dizer que temos de apertar o nó, da garganta, pois as "finanças" assim obrigam. A vergonha é que este fulano não veio cá passear mas, estou convicto, a pedido do nosso sistema socialista. Nada como um "estrangeiro" para nos assustar e encobrir a covardia da impopular subida de impostos, impostos que terão de subir para pagar o sonho deste socialismo e, não menos evidente, manter este regime.

2) Nem uma palavra ouvi ontem, dia 27 de Setembro, nos principais noticiários sobre o bicentenário da Batalha do Buçaco. Uma data importantíssima para a nossa independência e expulsão dos invasores Franceses; já sem falar nos soldados-heróis que padeceram no feito. Não. Só sabem falar do centenário da bastarda república, filha da outra francesa, que espichou na guilhotina as mentirosas palavras: liberdade, igualdade, fraternidade. Pobre do nosso país. Em 1910 puseram-lhe um barrete e despiram-lhe as mamas. Agora mais parece uma galdéria.

21 de setembro de 2010

Aprender com a verdade


Estará patente no Palácio da Independência, ente o dia 04 e o dia 15 de Outubro a exposição “A Repressão da Imprensa na 1ª República”, organizada pela Plataforma do Centenário da República e com o apoio da Causa Real.
Esta exposição é feita à margem das comemorações oficiais dos cem anos da república portuguesa e também, o que é mais penoso, à margem da investigação oficial sobre os primórdios do regime republicano.

16 de setembro de 2010

"Um grão"

Num certo sentido, a Igreja não merece o Papa que tem. Joseph Ratzinger, não me canso de repetir, é um homem notável. Espiritualmente (o que em tempos de vazios mais ou menos cândidos e, sobretudo, tolos e supersticiosos, é uma diferença essencial) e intelectualmente (porque é um contemporâneo mais moderno que todos os broncos que se intitulam "modernos"). Ratzinger é hoje a força da Igreja e não o contrário. Ao clarificar e separar, assume-se como seu chefe e crítico - atento e simultâneo. Até na escolha milimétrica dos países que visita, coisa que analfabetos simples e funcionais não conseguem entender. Bento XVI pretende uma Igreja (um termo que significa "partilha" e "comunidade") unida nos seus fundamentos milenares e não humilhada ou complacente com os desmandos e os crimes cometidos pelos seus membros. Nunca um Papa trouxe tão à luz do sol, para as denunciar, tantas sombras como Ratzinger. Nunca um Papa foi tão longe na expiação pública mais autêntica e profunda dessas rasuras indesculpáveis como Ratzinger. Ao reduzir a Igreja àquilo que ela deve ser - o mais pequeno grão lançado à Terra -, Bento XVI obriga à adesão ou à renúncia sem ambiguidades. Homem perplexo, de fé e sem ilusões acerca do homem (e, por consequência, da Igreja), Ratzinger é um exemplo (se é que ainda alguém valoriza "o" exemplo) num século que leva já dez anos de frustrações e de profunda miséria moral e material. As suas viagens pastorais, por exemplo, são disso prova. Quem as apouca, apouca-se apenas a si mesmo e dilui-se no horroroso espectáculo da vulgaridade que é, afinal, o do mundo.

João Gonçalves in Portugal dos Pequeninos

3 de setembro de 2010

O circo Pia


O circo montado à volta do julgamento "Casa Pia" é o primeiro argumento para desvalorizar o tribunal. Permitir a filmagem em todos os buracos do edifício, retransmissões, directos, paineleiros, mirones, é um atentado à inocência, dos verdadeiros inocentes, e à dor, das verdadeiras vítimas. O Tribunal ao permitir tamanha diversão portou-se como uma barriga afrontada mortinha por se largar. A "justiça" nunca será justa se o seu corpo forem permeável à invasão dos vírus intranhos e estranhos. A pressão dos media em arranjar novelas para entreter o tempo de antena faz com que nesta república abananada se faça "justiça" por impróprias mãos.