26 de outubro de 2010

Mais um anti-colonialista anti-fascista


Um professor universitário escreveu um artigo no Público a exasperar pelo culto de um "homem difícil". No fim de alguma prosa diz isto: "Mas não nos podemos esquecer que a ausência de um interesse em criar as condições necessárias para uma carreira académica mais consequente a um homem que nos habituámos a considerar de difícil, sem nunca nos interrogarmos sobre as razões sociológicas que determinaram esse mesmo qualificativo, nunca foram subvertidas pela figura em causa. Ou seja, Margarido nunca se arranjou - ou colocou - , evocando o seu passado anticolonial e antifascista."
Mais um! Este país é um rancho de anti-fascista-anti-colonialistas. Mas que porra intelectual pode advir deste título que certa gente ousa distribuir? Porque purga este professor?

Aparte o cancionismo ao difícil Alfredo Margarido, será que este mesmo professor se sente igualmente perturbado pelo alheamento a que o meio académico votou a Amorim de Carvalho (um filósofo, poeta e esteta com obra) o único intelectual português que teve a coragem de dissertar em âmbito filosófico sobre o percurso de descolonização? Ou o "meio" só reconhece os anti-colonialistas-anti-fascistas?

25 de outubro de 2010

Sem esperar


Os portugueses (os média!) não conseguem ver mais nada no país que não o "Orçamento de Estado". Todos tiritam de medo, de apreensão com o que aí vem. No fundo este povo está à espera. E vai estar e continuar a estar. Só no dia em que houver políticos e Homens em Portugal que deixem de estar à espera é que a coisa vai mexer. A novela política é meramente um espelho da preguiça caseira, do sedentarismo mental e burguês em que nos encarceraram nas últimas décadas. Eu nada espero que mude. Não vai ser a "democracia" a resolver os problemas que tantos "esperam"! Ao lado deste cenário, entretanto, vivo uma vida feliz apesar de, assumo, ela ser uma coisa muito, muito, privada num mundo que não espero abrir. Viver o amor que a família me dá tem sido uma das reservas para ultrapassar as contrariedades que me deparam. Esse amor, fundamental, não vem no "Orçamento", a esperança, que me empurra, não vem nos orçamentos, a alegria das coisas simples não são passíveis de orçamentar, talvez por isso, não estou cativo dos duodécimos que estas sucessiveis e indecorosas governações reservam aos que, sozinhos, lutam livres, sem pretender esperar.

21 de outubro de 2010

Um defeito meu

Porque é que sempre que ouço falar em grandes homens me lembro sempre de Portugueses que lutaram sem medo de perder a vida pela pátria-terra? Que outros heróis podemos lembrar nestes dias em que minorcas dominam o país, sem escrúpulos nem vergonha. Que suja é a hipocrisia desta resma de incapazes que nos governa, sem pudor de assumir as suas fraquezas, sem pudor de roubar. Como é possível haver pessoas que passam o dia a prometer ao país o que não têm, o que não sabem dar? Que lata têm os paineleiros/analistas em citar como referência políticos que não fizeram mais do que "política" em prol de benefícios materiais, partidários e amiguismos? O que fariam estes cobardes se um combate físico lhes deparasse? Tiravam a gravata ou poriam o povo à frente deles? Pensam estes pequeninos que o combate pela vida se faz só de arma na mão, que deve ser deixada para os "soldados"? Não. Um dos mais difíceis combates é feito pela consciência. Por isso acredito nos escrúpulos como um dos valores intrínsecos da nossa honestidade. Pode ser um defeito meu, mas olho para os políticos que nos têm governado desde a implantação da república e não vejo uma multidão de Homens, antes uma multidão de cobardes e desonestos a olhar para o chão que não merecem.


* Na foto o "Fantasma da Floresta", o herói português Daniel Roxo. Morto numa emboscada em Angola traído pela falange de "Abril".

20 de outubro de 2010

Tudo bem

No fundo esta república nunca foi dirigida por pessoas sérias mas por evangelistas da boa vida. Uns escroques com outros escroques que sabiam ler fizeram uma revolução em 1910. À lei da bala. Seguiu-se o caos até 1926. À lei da bala. Segui-se uma ditadura. À lei da bala e da refrega. Seguiu-se uma "revolução" em 1974. Os escroques voltaram e com eles muitos oportunistas que sabiam ler. Escreveram uma constituição surrealista e montaram uma feira de vaidades. O país foi vendo, fica a ver. Porquê? Porque emprenhamos em demasia pelos ouvidos. Temos um estômago manso e ávido das promessas não cumpridas, todas elas floreadas pelas armas apontadas à nossa consciência. Que República exemplar. Os evangelistas dos cravos ainda foram mais longe que a demagogia dos terroristas da I República, trocaram as emboscadas e as armas pelo gatilho das palavras: – ... viva a liberdade que vos "damos", ide curtir, está tudo bem, olhai para a frente, cuidado com o passado, quais valores? isso é reacção... Há!... não se esqueçam de nos dar o vosso voto, sejam democratas em nome da Liberdade que conquistamos para vós, deêm-nos "meios", "nós" não somos como os demais. Sejam iguais, lindos, ricos, famosos em todas as áreas e mais algumas, não se preocupem com pátrias, a moeda única de duas caras há-de dar-nos o conforto do socialismo rosa-laranja, bronzeiem-se, povão, que alguém há-de pagar caro a vida que "nós" proclamamos e que vocês, de certo modo, merecem...

Isto


Sobreviver a isto

18 de outubro de 2010

O país


O país vive atravessado pelas notícias do orçamento de austeridade que urge aprovar. Segundo leio, a chantagem do partido maioritário roça o oportunismo. Nada como fazer crer a inevitabilidade. O que eu acho grave é o autismo sobre a realidade do país. A realidade dos últimos 36 anos. O desemprego nunca diminuiu à custa da produtividade individual mas sim à custa da gordura do estado-empregador. A economia nunca cresceu, o que cresceu foi a finança. O produto interno bruto nunca foi positivo. Acerca disto os políticos, desde esse ano de 1974, só olharam para a superfície. Para a pele das ilusões. Todo e qualquer fuinha abriu as goelas prometendo combater o Portugal "atrasado" pelo "regime-ditadura". Cresci a ouvir isto. O que realmente se passou foi o crescimento de uma classe política grosseira, mal preparada, ávida no domínio público e no interesse privado. Atacaram-se os "poderosos" e os "interesses" do capital. Induziu-se uma boa parte da população na medração fácil da subsídio-dependência, nos direitos adquiridos, nas "lutas" de Abril, na igualdade instantânea, nos direitos fundamentais, na gratuítuidade absoluta de tudo e qualquer pôrra. A política pariu um monstro de direitos, vazio de deveres. A máquina da retórica socialista – tudo pronto para todos – esvaziou a tradição de muitos ofícios e indústrias, fomentou a inércia, assassinou o empreendorismo, patrocinou a escadaria dos "títulos" sociais como meta psicológica do "novo-português". Pelo meio posicionou uma clientela boa de domesticar. A política assaltou o Estado que de res publica só tem o nome; já nem somos Portugal e neste ano difícil celebramos irónicamente 100 anos de "República Portuguesa". Esta sub-região da "comunidade europeia" é hoje um naco muito mais frustrado do que nos anos setenta. Perdeu o que nem a ditadura lhe havia tirado: a esperança. Os políticos de Abril, parte deles uma boa escumalha, esqueceram-se que um país é feito de homens, de famílias, de espaços, de permanências, de espírito, de altruismos, História, de continuidade, de Coragem. Fazer crer que a não aprovação deste "orçamento" é fazer cair o país numa situação muito difícil é mentir e sonegar as razões da nossa crise. Que venha a "situação difícil". Prefiro pagar caro a "minha" derrota do que continuar sem lutar. Desejo um outro país.

16 de outubro de 2010

De mentira em mentira aqui estamos

(...) a partir de Maio de 74, a célula PC (Partido Comunista) iniciou a diabolização do desgraçado. Impediram-no de entrar no seu gabinete da direcção, devassaram-lhe os documentos, cortaram-lhe o telefone, impediram-no de percorrer os corredores da escola que criara, enviaram-lhe centos de cartas anónimas com as mais soezes insinuações e ameaças.Isolado, sob pressão do terror psicológico e da violência física, o mundo de Calvet desagregou-se. Fechou-se na casa de banho, deitou-se na banheira e matou-se. É este o mais acabado testemunho da mentira dessa tal "revolução sem derramemento de sangue".

In Combustões

13 de outubro de 2010

Válega a pena


Atravessar Válega, S. Vicente de Pereira e Ovar, no distrito de Aveiro, é um bálsamo para os olhos. Vastos campos, confrontados até as estradas, plantados de centeio e milho. Não é daqueles lugares em que percorremos quilómetros a ver cimento e azulejos foleiros. Apesar de ser um concelho já muito industrializado, o concelho de Ovar permanece com a imagem de tempos felizes onde a lavoura e o plantio confinavam, somavam-se, equilibradamente, com a ocupação humana. É uma terra definida por vales, bacias e rias onde se distinguem as ocupações no espaço rural e espaços comunais. É bom ver a agricultura a prevalecer numa paisagem. Claro que os inevitáveis "prédios" são os outrora cogumelos e à medida que nos aproximamos do litoral mais os escarros se notam. Todavia, passear por Válega é uma boa notícia.

Atirem-lhes tomate


Ver os quatro maiores banqueiros, portugueses, a pedir a mão do chefe do maior partido da oposição – para "evitar dificuldades no crédito" – não é mais do que o último enredo de um país que vive autista no embuste contabilistico de décadas e cuja peça insuportável já pede que se atirem tomates aos "actores".

Venha a Fénix

Ao ler a notícia sobre o resgate dos mineiros Chilenos que estão a 600m de profundidade não deixei de pensar que bom que seria vir a Fénix a Portugal resgatar-nos deste poço sem fundo em que nos encontramos subterrados. A todos não. Os "mineiros" que têm explorado o filão alheio do pecúlio público poderiam ficar no buraco até a depressão desta república rachar o veio.

11 de outubro de 2010

Qual causa?


Era suspeito em ano de centenário da república os estarolas não terem um prémio qualquer. Sai um pacote. Devem seguir-se os da legião maçónica. Se eu não fosse monárquico depois de uma notícia destas convertia-me à monarquia.

7 de outubro de 2010

Já passou?


Estas comemorações do centenário foram tão fortes que já não se sente nada. Já passou? O que ficaram os cidadãos a saber? O que já sabiam. Nada ou um pouco mais. Não o suficiente porque senão eu veria as pessoas com vergonha de viver numa república que tem uma constituição – escrita por vendalhos – que proíbe a forma democrática de se sufragar – O povo unido nesta alínea está vencido! – Este regime foi imposto à lei da bala e do terrorismo, contra a vontade da maioria, e só se consolidou pela ditadura. O povo, doce, ainda não se apercebeu que vivemos a olhar para o chão, para as migalhas. Foi-se a fanfarra e o povo não tem vontade para pensar nisto, nem naquilo. Pensa, neste momento, com a barriga. E tudo o que sai, ou é a fome que vai, a fome que aí vem ou os arrotos dos que na mama da República comem bem!

3 de outubro de 2010

Que ela caia como nunca


As primeiras chuvas de Outono já chegaram. Hoje, de manhã cedo, a minha querida filha mais nova acordou-me e pediu-me para ver com ela a chuva a cair e a desenhar improváveis texturas no vidro da janela. Todos os anos quando chega a chuva eu sinto-me recuperar antigas memórias, essenciais sentimentos. É a força das estações que me diz que as mudanças, mesmo as mais drásticas, podem ser regeneradas.
Sempre gostei da chuva. Que ela caia como nunca. Que seja Rainha. Que se precipite como uma esponja nos próximos dias. Pode ser que no dia 5 de Outubro a porcaria e o cheiro a esgoto que a maioria teima em não sentir se dilua um pouco.