31 de dezembro de 2010

Ao jeitoso 2010


Em jeito de momentos de 2010 a rosca vai para as Comemorações do Centenário da República. Nem com 10 milhões de euros o povo se abeirou, festejou ou se apercebeu do que comemorávamos, senão de que o poder instituído queria que comemorássemos à força este regime; ou seja, uma utopia do que eles queriam que a dita República tivesse sido, mas não foi, não é, nem será. Mas mais. Este 2011 inicia-se com uma aragem triste e sombria para os filhos de Abril. Nunca Portugal viveu uma década com tantos recursos e tantos desperdícios. O novo milénio abriu com a bocarra do socialismo moderno, mas passados dez anos nada mais se vê que a trampa da linguagem falsa dos que nos geriram. Foi assim há 100 anos. É assim agora. Portugal é o melhor exemplo do que é a falácia dos votos, do que é a "democracia", do que é a mentira na política, do que é a deturpação da História, do que são as conveniências ladras-partidárias e, principalmente, o melhor exemplo para explicar porque este tipo de regime faz soltar a diarreia.

Como eles dizem, é tudo nosso


Em jeito dos momentos de 2010 realço o sentimento de impunidade que as leis da República Portuguesa motivam. As leis saídas do nosso "socialismo em movimento" a caminho do "futuro", de 1974 até hoje, são um verdadeiro turbo diesel para os velhacos e pulhas que tudo praticam como se fosse tudo deles e nada nosso. Desde os "pequenos" crimes aos "crimes" pequenos, as Leis produzidas para atenuar os coitados foram o primeiro passo para o purgatório que já se iniciou. Está a chegar o dia (e não é que temos dois blindados para estrear!) em que a "esquerda chique" vai ter que se defender com a direita. Já dizia um cantor de punho erguido, "eles comem tudo"... pois comem e vão acabar por comer esta República da comicidade.

30 de dezembro de 2010

Como eles dizem, nunca esquecer


Em jeito dos momentos de 2010 realço a partida deste inumano. Até acho estranho não estar na galeria dos homens da República, neste ano de, fiasco, centenário.
Como é possível falar-se de Salazar – um dos obreiros da "república" que se comemora – enquanto responsável por uma guerra quando parte dos seus opositores instruíram novas guerras e a morte de conterrâneos? O traidor Rosa não esteve sozinho. No poleiro da metrópole outros tão rosa e tão culpados como este velhaco davam guarida política aos intentos. Convém nunca esquecer.


OBRIGATÓRIO VER O VÍDEO COM A ENTREVISTA

In, Serões da Província


A triste cavaqueira


Assisti ontem ao debate entre dois candidatos ao emprego de presidente da república. Abri os ouvidos sem parcialidades e encostei-me a suspirar por uma boa disputa política. Não defraudei as minhas expectativas, quero dizer, saiu tudo como previsível. O candidato Alegre jorrou o conhecido léxico grossista: combate, luta, disputa, política ideológica, estado social, confronto, "dá-se mal com os confrontos", destruição do estado social, BPN, "em democracia não há vencedores antecipados"... e outras frases mastigadas que tais. O candidato Silva jorrou a contrapartida do léxico: "mentiu aos portugueses", protecção, isenção, "último caso", "jurei a constituição", disputa, "está tudo na minha página da presidência", confiança e outras frases ressequidas que tais. O que sobrou muito espremido do debate foi a inépcia e a ausência de ideias para Portugal, mesmo que o cargo de "presidente" seja um cargo pessarosamente de embrulho e comprometido com a estrutura partidária/mental do candidato.
O regime republicano sobrevive porque a teia de compromissos e avenças cai em pirâmide de Belém até aquém. Portugal precisava de uma voz de esperança. De uma voz de alento, apontadora, para um rumo que colhesse despertares. Uma voz Independente que falasse em futuro com os ecos do passado. Não é na República que encontraremos ensejos. Pena que a maioria não veja para além da mentira e da ilusão.

28 de dezembro de 2010

Patrinidade


Uma notícia que corre o mundo do entertainment é o nascimento do filho do casal Elton/Furnish. Há jornalistas tão apressados na vida, digo, a tentar satisfazer o ócio deste mundo tão acelerado a 200Mb que as notícias saem como broas quentes: Elton John e David Furnish são pais de um menino! Mas algo não sai bem nesta Patrinidade. Apenas um deles pode ser o pai pois a mamã é uma mulher de aluguer e não consta que tenha sido barata. Esta pressa em colocar a modernidade à frente da biologia tem destas coisas. Ainda faltam uns anos para que um homem possa engravidar e "dar à luz" de outro "macho", mas que há focos a apontar para as patrinidades ou patetranidades, isso há.

27 de dezembro de 2010

O Natal depois do Natal


Após o dia 25 de Dezembro e durante uns dias sinto esta quadra com mais razão e espiritualidade. Reservo-me à família e ao culto das minhas historias e à memória dos familiares que me deixaram. Depois dos jantares em família o Natal permanece em mim como a evidência de um lugar que há muito percorro com solitude. Lá fora, as pessoas ficam mais calmas do histerismo do consumo. As ruas ficam mais vazias por causa das férias das escolas e das férias das empresas. O ar fica mais respirável. Ouvem-se menos vivas ao asqueroso pai natal. O circo dos "barretes" transita para o próximo carnaval. Ouve-se menos hipocrisia dos "conhecidos" que connosco se cruzam e diminuem os desapropriados desejos natalícios, enviados via sms por anónimos ou empresas que tanto nos querem. Se alguma Alegria persiste a esta quadra, essa, é agora movida com um novo objectivo de folia: a passagem do ano, a bêbada mais desejada.
Geralmente, só depois do dia 15 de Janeiro é que retiro e resguardo o presépio que construo na minha sala. O meu oráculo. A figura do meu menino Jesus nunca guardo. Como é uma figura de pequenina dimensão coloco-o numa vitrine e posso olhá-lo sempre que preciso. Sempre.

24 de dezembro de 2010



Adeste Fideles
Laeti triumphantes

Venite, venite in Bethlehem


Natum videte

Regem angelorum

Venite adoremus,
Venite adoremus,

Venite adoremus, Dominum

23 de dezembro de 2010

A nossa festa de Natal


Parece ontem. Ainda sinto a malha da camisola feita à mão, como quase todas as nossas roupas. Nesse Natal como neste Natal continuo a acreditar na magia dos afectos que o olhar sobre o presépio me desperta. Depois ouvia e ouço a voz da minha mãe que me pedia para a ajudar a enfeitar a árvore de plástico com as pequeninas estrelas de papel. Nesse Natal em 1972 nós, os três irmãos, brincávamos na festa da nossa escola. Aqui deixo uma imagem da minha imensa saudade do meu irmãozinho mais novo, o Manuel Bento, que continuo a abraçar. O Natal.

22 de dezembro de 2010

O "desperdício" de Natal


Diz a "Quercos" que o pior para o ambiente é o "desperdício" do Natal. Concordo. Na verdade o maior desperdício é desperdiçar o que o Natal nos poderia oferecer se não houvesse o complexo do consumo no Natal. A laicização tem disto. A má compreensão. A má apropriação. Só compra quem não tem para dar. Comprar para dar não é o mesmo que Dar sem comprar.

21 de dezembro de 2010

O que é nacional é lux


A menina Andreia é página de jornais em papel e electricidade por ter entrado num "concurso" cujo interesse nacional é entreter os portugueses. Esta menina está feliz, segundo eu leio, por ter revelado um segredo na Casa dos Segredos. Diz ela que foi, ou é, ou quer ser, não sei, uma ex-acompanhante de luxo por 500 euros à hora, fretes incluídos. Estou a ver. A menina Andreia não é só acompanhante, também, é de Luxo. O que é nacional é lux. Filha deste Socialismo de Abril, tatuado de entrelinhas, só pode exigir o luxo, igual aos outros, os poderosos, igual a tudo que brilha. Mesmo quando o brilho é fosco-rasca.

Pátria


Já aqui exibi esta fotografia. O homem medalhado é o português Marcelino da Mata, o mais medalhado e distinguido militar, de sempre, por bravura em combate. Não tem todo o peito coberto de listras como alguns coronéis e generais de estio cuja bravura é medida pela quantidade de recargas de tinta de china a passar mapas-diários e afins. Também não estou a falar dos "méritos" de vãos de escadas galgados sem sujar os sapatos, dos méritos de bom nome e família. Este português é um herói por ter arriscado a vida a defender uma pátria que entendeu como sua, como nossa. É um dos meus heróis. Sei que o não será para muitos, antes pelo contrário. Tenho conhecido muita gente que fez a guerra nas colónias e que entende a palavra pátria. A pátria não tem política, não tem défices, não tem ratings. Ou está dentro de nós ou não está.
Tenho dúvidas sobre os homens desgarrados "sem terra", os que dizem pertencer ao globo. Quando ouço falar de Portugal lembro-me de todos os cemitérios onde jazem portugueses, aqui e de além mar, de todos os sacrifícios. Um país é feito de Homens que não tenham medo de carregar os seus mortos. Homens sem medo de caminhar mas que recusem percorrer os percursos da mentira e não se escondam no resort das maiorias acomodadas.

20 de dezembro de 2010

Continuo


Quando era pequeno só pensava na altura de retornar à minha aldeia materna. As férias escolares eram para mim o meu momento. Cedo, ainda na alvorada, acordava e ia correr pelos campos da quinta murada. Corria. De braços abertos como um avião-pássaro, corria enquanto sentia nas mãos o prado ameno e olhava os meus sapatos encharcados pela geada.
Acho que não parei de correr. De vez em quando paro. Olho para a minha filha mais nova, Maria Beatriz. Tudo em que eu acredito está nela. Como eu lhe segredo, ela – elas, as minhas duas filhas – são a minha continuação. É, quase, Tudo em que eu acredito.

A minha força, os meus desejos, ultrapassaram-me. Ultrapassam-me. Parte deles correm na Maria Beatriz e com ela eu corro mesmo que as minhas pernas já não tenham a vontade de partir. Vai. Enquanto percorreres os teus sonhos eu continuarei a correr.

Ó Ana, muito bem


Ó Ana, muito bem. E se também fizesse queixa na União Europeia contra o seu Partido Socialista e contra a governança Socialista e o desvario imoral da utilização dos dinheiros públicos? Ó Ana. Começo a desconfiar da sua fixação em submarinos. Não consegue ver para além da borda d'água?

17 de dezembro de 2010

Saber ver


Acerca disto. O "subir na vida" por conta própria não está na agenda de muitos portugueses. O português gosta é de viver uma vida mansa. Mandar vir umas sandes, uma bebida e ficar a mirar e a criticar enquanto come e não se engasga. De preferência sentado num serviço público (ou Pública-Privada) com ordenado vitalício ou com as costas quentes de umas boas cunhas (que precavejam a sua inoperância). A ascenção social com sacrifício é coisa de literatura. O povo exige ser tudo, já feito. Não admite ser menos do que as guilhotinas e as balas regicidas lhe prometeram, por isso revolta-se com a sua situação. Não me vou pôr a falar de classes sociais, de elites, de heranças afectivas, seria mal entendido pelos ricos de espírito. Para já transmito o que me disse, e não me esqueço, um jardineiro que conheci, bem na casa dos 80 anos, e a trabalhar: ó sr. Amorim, sabe o que é que mudou para nós depois do 25 de Abril? Nada. Piorou. Nem mais liberdade temos. O 25 de Abril veio é realmente trazer liberdade para quem queria fazer política, para os políticos. E para roubar.
... saber ver.

Natal



Aparte o "pai natal", esse boneco fateloso sem alma que tentam impingir como o "elemento" primordial das festividades, e aparte o vácuo de certas bocas abrangentes, tais como "o natal é a festa da família", que ficam bem em qualquer credo, o Natal existe, sobrevivente, pela crença cristã, só, e revela-se da intimidade para a expansão dos afectos. Por isso também na poesia. De facto, um dos temas que mais me revejo na poesia é a poética evocativa do Natal. Mário Sá Carneiro, António Gedeão, Miguel Torga, Fernando Pessoa, José Régio, Pedro Tamen, Gomes Leal, David Mourão Ferreira, Bocage, Camilo Pessanha e João de Deus, são apenas alguns autores dos que me lembro de ter lido e que traduziram esta época de renascimento espiritual e de reflexão.
Por ser Natal, gosto de ler poesia nesta quadra. Uma quadra de reencontros. Um dos poemas que desejava partilhar foi escrito pela minha avó Maria Amélia Camossa Saldanha, no Natal de 1986, e gostaria que o lêssem como se fossem as minhas palavras, apenas, porque, só através delas poderei estar à altura deste devir.

(...)
P´ra que Vos possa oferecer
Por berço meu coração.
Será duro, será frio?
Mostrará ingratidão?

Aquecei-o, meu Jesus,
No fogo do Vosso Amor.
E a minha vida será
Canto eterno de louvor.

E, depois, repousai nele
Amorosa eternamente,
Enquanto não vou, em Vós
Repousar eternamente!...

16 de dezembro de 2010

Neste tempo para luvas

os aventureiros, há os covardes, há os espertinhos, há os compadres, há os corruptos, há os políticos de bem, há os políticos por bem, há os que estão a chegar, há os que ouviram falar, há os que também acham que sim, há os que devem cacau, há os que devem favores. No que toca ao mapa do regime desta República e dos gastos do Estado a coisa tem muito a ver com este frio que grassa, neste tempo para luvas...

14 de dezembro de 2010

Tudo à coca

E pronto. Aqui está uma das primeiras aparições do "pai natal"! O gorducho preferido dos burgueses e das mentes coloridas dos paizinhos modernaços – deste mundo de fibra. Os "crentes" nesta coisa são de dois géneros: uns querem fazer dele o substituto de Jesus e do perigosissimo catolicismo, promovendo-o, a modos de que, a "deus fixe, plausível e laico", legítimo distribuidor de prendas larocas aos humanos bem comportadinhos, sem crises, nem dificuldades de pagamento. Tudo à coca. Outros querem fazer dele o "verdadeiro" espírito progressista de natal, reduzindo a coisa a um sentimento de bondade-por-um-dia-que-amanhã-já-estou-noutra (quanto mais de "esquerda" melhor) acrescido de um jantar, à borla dos velhotes, cheio de copázios, arrotos e comezainas. Tudo à coca.

A Eutanásia

Aqui e ali, ouço umas vozes entusiasmadas com mais uma fractura exposta: a eutanásia; nome de menina! Já lhe imagino um busto com as mamas ao léu e um barrete à francesa. Os "éticos" pedem que caminhemos para o negócio da liberalização da eutanásia, com despesas a facturar pelos extremistas, os primeirinhos do aborto livre, esse aborto ironicamente celebrado pelos que não aceitam a pena de morte mas que até dão uma ajuda no suicídio assistido. Pois então que venha essa droga "libertadora" e depressa. A ver se o cadáver vai de vez e dá lugar a outra vida renascida. Beba lá um copinho disso, senhora República. Vai mais um? Até nunca.

13 de dezembro de 2010

Coisas que não me interessam - NosenseatAll

Não têm directamente a ver com a minha área ideológica e a área ideológica que eu desenvolvo carece de plataformas como isto!

Coisas que me interessam - SenseWall

Não tem directamente a ver com a minha área de trabalho mas a área de trabalho que eu desenvolvo carece de plataformas como isto!

11 de dezembro de 2010

Ler e reler

Tudo se resume a isso: despeito, eterna adolescência moral e uma quase certa revolta contra o berço onde se naceu. Não deixa de ter piada que é o povo chão quem melhor compreende os reis. O povo chão ama os reis. O mesmo não acontece com a burguesia, sobretudo a alta, que subiu a choques de punhal, bem como a novíssima, despenteada mental, a das Kátias e das Vanessas, dos futebóis, das gestões e das férias nas repúblicas dominicanas.

10 de dezembro de 2010

Obrigado, poeta, por me fazeres sentir um jovem

Um dos candidatos ao emprego de presidente da república sobe o tom da campanha. Atira com Camões. Olha os Lusíadas. Não cita os poemas mas diz que sabe quantos "cânticos" são e acha-se melhor que o rival porque ele sabe o que o outro não sabe. Sobe ainda mais o tom; meio tom, não exageremos: diz que se for ele a presidir a este regime vai instigar os jovens à rebeldia, à insubmissão, à luta: "Não aceitem esta situação". Bem diz.
Obrigado, poeta, por me fazeres sentir jovem, é que eu pensava nisso mesmo, na insubmissão contra este regime imposto pela tirania. É pena achares – não levas a mal que eu, jovem, te trate por tu? – mas tenho pena que só vejas o "conformismo" naquilo que te interessa para manteres a conformidade das coisas, nessas coisas em que eu, jovem, não me conformo.

9 de dezembro de 2010

Dar

Uma sobrinha da minha mulher disse em tom alto: "as pessoas que ajudam os outros fazem-no por egoísmo". Gosto de ouvir os adolescentes e as suas ideias. Para muito tipo de jovens o prazer de dar é narcisista e se se dá para obter "prazer" está-se a praticar um acto de egoísmo no qual o fruidor é um meio para atingir o fim. Este modo de intuir é pernicioso e perigoso. É o primeiro passo para o afastamento e para o alheamento social. Quando era pequeno alguns pobres tocavam à campainha de minha casa e, de acordo com a hora, a minha mãe já sabia que pessoas nos vinham pedir ajuda. Eu levava um prato de sopa e um pão com carne ou peixe. A minha mãe pedia para eu ficar na soleira da porta a fazer sala, companhia, enquanto as pessoas comiam. Posso dizer que a nossa casa recebia vários pobres, que mendigavam por várias razões, a quem chamávamos: os nossos pobres. Quase sempre a minha mãe procurava saber da saúde e vivência destas pessoas e ficava a falar algum tempo. Eu ouvia e sentia-me feliz.
Podia contar muitas histórias sobre a face altruísta que vivi na minha família; a minha avó materna foi uma das fundadoras da Acção Católica e de vários grupos de leigos (Ligas Independentes Católicas) que emergiram após a II Grande Guerra e numa altura em que a fome e a escassez de alimentos fustigava muita gente. A minha mãe integrou a Juventude Independente e participava, ainda nos anos 70 e 80, em grupos de missão para ajuda dos mais pobres, que hoje abundam com o propósito de serem "IPSS". A felicidade que sempre constatei estava na face dos que recebiam. Um sorriso. Um até amanhã!. Um cumprimento e aceno do outro lado da rua quando nos viam, sem complexos nem "diminutivos" por estarem em dificuldades. Aprendi que um dos maiores dons é o da caridade. O altruísmo. A caridade é um valor formativo, imprescindível para o desenho de uma sociedade equilibrada, um valor preventivo.
Posso afirmar que a pobreza aumentou, e muito, em relação à trinta e tal anos atrás. Os grupos de Leigos (que integravam pessoas católicas mas também ateus) foram desaparecendo, porque, substituídos pelo Estado-Social, "moderno", pleno de ideologia gritante, um hino mudo para a pobreza que vinha do faxismo. Veio o Estado-Social. Veio. E cobriu de betão toda a pobreza-faxista. Hoje olho para a pobreza e vejo outros rostos. Não é a fome, que essa esgana no estômago, é o mostrador de uma bússola sem ponteiro. Vejo o "Estado-Social". Com ele novas frases de Ordem, daquelas frases em que Receber é um direito sem direito a agradecimentos. Percebo o que certa gente diz sobre os que podem ajudar, alguns até dizem que as pessoas de posses são "obrigadas" a dar! Dar o quê? Dinheiro? – Ah, sempre o dinheiro alheio.
A pobreza maior que conheci e que encontro não se reabilita só com euros. Reabilita-se com o coração. E o que pode dar um coração egoísta?

A economia

Um ex-ministro Socialista que apoia um presidente social-democrata e "dá" muitos pareceres vem dizer que o estado-social está a aniquilar a economia. Não concordo. O que tem aniquilado a economia, desde 1974, são os gastos desmesurados de um certo socialismo que de Social só tem as relações pessoais dos empregados dos partidos com o patrão Estado.

8 de dezembro de 2010

O país


Um professor é obrigado a pagar uma indemnização a uma aluna sua por esta, numa aula de educação física, ter caido mal (e daí ter tido consequências motoras) num "salto mortal" que o professor instruía. Uma ponte (Ponte de Entre-Os-Rios) caiu e morreram 59 pessoas, foram indiciados hipotéticos culpados, abriram inquéritos e não houve culpados. O ministro, de então, Jorge Coelho que instruía o ministério das obras públicas demitiu-se e prestaram-lhe homenagens ao seu carácter. Um aluno de Mirandela, de 12 anos, suicida-se por ser coagido e perseguido assiduamente por colegas da sua escola. O porteiro, que devia controlar e fiscalizar as saídas de alunos no horário lectivo, não estava no local de trabalho quando o aluno Leandro fugiu e saltou para o rio, que lhe iria tirar a vida. O porteiro foi ilibado, a direcção da Escola não caiu, a direcção da DREN também não, o ministério da educação deu um "mortal" para a frente. A ministra não se demitiu e por isso não lhe prestaram homenagens ao seu carácter.

7 de dezembro de 2010

Não ver o óbvio


A principal questão na abordagem à substituição, urgente, deste decadente regime republicano prende-se, para mim, não somente com a figura do chefe de estado mas com a "arquitectura" funcional e operacional do regime. Observem esta bandeira, pode ser um bom exemplo ideacional. Óbvia, simples, estrutural e conjuntural. Assim deve ser o mapa de um estado eficaz, aberto, sem sombras, sem procuradorias, chupadorias, supremos isto, tribunais administrativos aquilo, sem constituições de cinco quilos, sem teias de promiscuidades e interesses pessoais, isto é, um Estado sem caprichos e enteados, sem tetas e capachos, que não levante a mínima dúvida, nem ao mais desatento, do que deve ser a separação entre Estado/Pátria e Parlamento/Governação.

Ler o resto aqui

Pedido de desculpas


Por motivos que só agora pude constatar, a caixa de "moderação" deste blogge estava sem avisar a entrada de comentários, pelo que várias opinações só agora vão aparecer nos respectivos artigos. As minhas desculpas que nada têm a ver com a supressão ou selecção de comentários.


O gordefas está a chegar. ALEGREM-SE LAICOS

6 de dezembro de 2010

O meu amigo Catarino

Tem um dom especial. Vive como desenha, exprime-se como vive. Os seus traços, simples, firmes, poéticos, levam-me a viajar pela saudade da minha adolescência, o campo e as pequenas vilas, o sossego das paisagens amenas e apelativas. O João Catarino não é um simples urban sketcher, é um artista que pode reclamar para si a consistência mágica com que agarra para sempre – mais que fotográficamente – a vida que nem sempre conseguimos constatar.

Convido todos os que me possam ler a visitar obrigatoriamente esta reportagem dividida em várias partes.


http://www.ionline.pt/itv/16239-atravessar-o-pais-pela-en2---1-parte-viagem-chavesviseu

http://www.ionline.pt/itv/16240-atravessar-o-pais-pela-en2-2-parte-viagem-viseugois

http://www.ionline.pt/itv/16238-atravessar-o-pais-pela-en2--3-parte-goismontargil

http://www.ionline.pt/itv/16312-atravessar-o-pais-pela-en2---4-parte-viagem-montargilfaro


Conseguir ser feliz enquanto choro

Manuel Bento Camossa (à esq.) em Davos, Suíça, 1895, com o barão Schmith

Cresci a ouvir a minha avó materna, com quem vivi, falar da saudade e da perda do seu pai, o meu bisavô Manuel Bento Camossa. Em dois dos livros que publiquei com poesias da minha avó, Maria Amélia Camossa Saldanha, foquei na resenha biográfica o pormenor da despedida do seu pai, que partiu numa carruagem em direcção ao porto de Leixões, e daí num barco que o levaria aos Estados Unidos, em Janeiro de 1911, pelo facto de este episódio ter marcado, decisivamente, todo o percurso da família. Apesar de ter somente 5 anos, o momento da despedida, o aceno e a correria atrás daquela carruagem marcou para sempre a vida da nossa família e, posso dizê-lo, marcou a minha vida. Após a morte da minha avó, em 1996, não descansei à procura da razão dessa partida – principalmente da razão desse não-regresso. Manuel Camossa partiu-fugiu de Portugal por várias razões, uma delas política. Pertencia ao Partido Regenerador-Liberal e era um dos braços de João Franco. Em Outubro de 1910 ocupava o cargo de Administrador do Concelho de Águeda. Em novo estudou na Suíça, engenharia agrónoma, fundou o jornal Independência D'Águeda, fundou uma filarmónica, empresas, escolas públicas, foi pioneiro na venda do leite em garrafa, era um dos mais cobiçados conferencistas sobre o tema da agricultura, em especial na área apicultura. Queria empreender uma revolução agrícola em Portugal, importou máquinas pesadas da Alemanha e Suíça para a tarefa ceifeira e debulho. Foi o fundador do conceito de seguro de saúde agrícola, em 1903, para os seus funcionários na Quinta das Bregadas. Casou. Teve uma filha do seu casamento. Partiu. Não voltou. Em 1999 descobri, através da internet, o nome dele e o seu nº de segurança social inscrito no estado de Nova Iorque. Pesquisando nas fichas de um recenseamento vi que faleceu em 1969. Como foi possível? Como? Não escreveu uma só carta para a sua filha durante a sua vida! O que o fez esquecer? Pode-se esquecer? Este mês, uma nova descoberta e aquela que eu mais perseguia: onde havia falecido. Depois de muitas pesquisas e telefonemas descobri o nome do cemitério onde está sepultado e uma imagem da sua lápide: Lakeside Cemetery, o cemitério hispânico-católico, na cidade de Eagle Lake, no Texas, o mesmo que o da sua mulher americana, Emma (Dehnisch) Camossa!

Crescer é sentir. Muito daquilo que me ensinaram só me parece, neste momento, ajustado a mim. Já não suponho pensar que a minha experiência alguma vez será lição para outrem. Todavia, as minhas certezas não me afiguram mais frágeis pelo facto de a desilusão assolar os meus sentimentos. Muito em breve, irei, iremos – através de mim a minha avó – a Eagle Lake. Para perceber. Para conseguir ser feliz enquanto choro. Se me for permitido, gravarei na sua lápide os versos que Maria Amélia escreveu, nos anos vinte do século passado, ao seu pai e que são uma das frases permanentes da minha vida:

(...)
E, se o Céu decretar que nesta vida
Só possa em sonho ver-te a imagem q'rida
Que me deixe viver sempre a sonhar!

3 de dezembro de 2010

O nojo


Enquanto as notícias vagueiam pelo folclore da eleição presidencial eu reservo-me ao nojo neste período que se avizinha. São candidatos a si. Não são candidatos pelo país. Primeiro eles, os candidatos, depois o partido deles, dos candidatos, depois os rapazes deles, que se sentam à mesa dos candidatos, depois o discurso deles, da ideologia mastigada em rascunho, dos candidatos, depois o povo, os outros, os ouvintes, os pedintes, do cortejo, da plateia, que acena, que se contenta, pela participação de cruz. Eu não, tiro licença, sem licença, de nojo.

Quem


Uma senhora idosa bate no capô de uma ambulância do INEM, com as luzes a cirandar. Pela forma como bate vejo que está preocupada. O seu porte frágil e possivelmente a sua voz baixa não demonstram qualquer atenção do condutor. Parado no trânsito, no meu carro, observo por um minuto este episódio. A senhora bate na ambulância. Vira-se para o lado e dirige-se ao carro que está à minha frente. O carro nem o vidro abriu. Fez-me a mesma pergunta: Não me ouvem, queria saber quem está na ambulância, vivo aqui, sozinha com o meu marido... sabe quem está doente? Disse-lhe para sossegar e ir a casa ver se está tudo bem. Fiquei eu aflito. Vi a senhora afastar-se. A ambulância arrancou, o trânsito obrigou-me a prosseguir. A lide não pára! Quando paramos e nos detemos a vida fala-nos. Segui em frente e parte de mim ainda não parou. Escrevo aqui; nestas teclas sou eu que bato no capô daquela ambulância procurando por quem.