20 de dezembro de 2010

Continuo


Quando era pequeno só pensava na altura de retornar à minha aldeia materna. As férias escolares eram para mim o meu momento. Cedo, ainda na alvorada, acordava e ia correr pelos campos da quinta murada. Corria. De braços abertos como um avião-pássaro, corria enquanto sentia nas mãos o prado ameno e olhava os meus sapatos encharcados pela geada.
Acho que não parei de correr. De vez em quando paro. Olho para a minha filha mais nova, Maria Beatriz. Tudo em que eu acredito está nela. Como eu lhe segredo, ela – elas, as minhas duas filhas – são a minha continuação. É, quase, Tudo em que eu acredito.

A minha força, os meus desejos, ultrapassaram-me. Ultrapassam-me. Parte deles correm na Maria Beatriz e com ela eu corro mesmo que as minhas pernas já não tenham a vontade de partir. Vai. Enquanto percorreres os teus sonhos eu continuarei a correr.

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