17 de dezembro de 2010

Natal



Aparte o "pai natal", esse boneco fateloso sem alma que tentam impingir como o "elemento" primordial das festividades, e aparte o vácuo de certas bocas abrangentes, tais como "o natal é a festa da família", que ficam bem em qualquer credo, o Natal existe, sobrevivente, pela crença cristã, só, e revela-se da intimidade para a expansão dos afectos. Por isso também na poesia. De facto, um dos temas que mais me revejo na poesia é a poética evocativa do Natal. Mário Sá Carneiro, António Gedeão, Miguel Torga, Fernando Pessoa, José Régio, Pedro Tamen, Gomes Leal, David Mourão Ferreira, Bocage, Camilo Pessanha e João de Deus, são apenas alguns autores dos que me lembro de ter lido e que traduziram esta época de renascimento espiritual e de reflexão.
Por ser Natal, gosto de ler poesia nesta quadra. Uma quadra de reencontros. Um dos poemas que desejava partilhar foi escrito pela minha avó Maria Amélia Camossa Saldanha, no Natal de 1986, e gostaria que o lêssem como se fossem as minhas palavras, apenas, porque, só através delas poderei estar à altura deste devir.

(...)
P´ra que Vos possa oferecer
Por berço meu coração.
Será duro, será frio?
Mostrará ingratidão?

Aquecei-o, meu Jesus,
No fogo do Vosso Amor.
E a minha vida será
Canto eterno de louvor.

E, depois, repousai nele
Amorosa eternamente,
Enquanto não vou, em Vós
Repousar eternamente!...

2 comentários:

George Sand disse...

cabe-nos também essa luta como católicos: a do natal de Jesus

João Amorim disse...

Uma luta fácil de travar. Só há um Natal mesmo que o aglomerado anónimo lhe transfigure o nome.