27 de dezembro de 2010

O Natal depois do Natal


Após o dia 25 de Dezembro e durante uns dias sinto esta quadra com mais razão e espiritualidade. Reservo-me à família e ao culto das minhas historias e à memória dos familiares que me deixaram. Depois dos jantares em família o Natal permanece em mim como a evidência de um lugar que há muito percorro com solitude. Lá fora, as pessoas ficam mais calmas do histerismo do consumo. As ruas ficam mais vazias por causa das férias das escolas e das férias das empresas. O ar fica mais respirável. Ouvem-se menos vivas ao asqueroso pai natal. O circo dos "barretes" transita para o próximo carnaval. Ouve-se menos hipocrisia dos "conhecidos" que connosco se cruzam e diminuem os desapropriados desejos natalícios, enviados via sms por anónimos ou empresas que tanto nos querem. Se alguma Alegria persiste a esta quadra, essa, é agora movida com um novo objectivo de folia: a passagem do ano, a bêbada mais desejada.
Geralmente, só depois do dia 15 de Janeiro é que retiro e resguardo o presépio que construo na minha sala. O meu oráculo. A figura do meu menino Jesus nunca guardo. Como é uma figura de pequenina dimensão coloco-o numa vitrine e posso olhá-lo sempre que preciso. Sempre.

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